Capítulo 16 - Red Sky
analusantos

Trilha Sonora

‘Photograph’ – Nickelback

http://letras.terra.com.br/nickelback/259804/traducao.html

 

- Você era um pirralho engraçado, Nick!

 

- Eu era mesmo, um pestinha também. Espero que a Cassie se pareça mais com você nesse ponto.

 

Enquanto Nickolas terminava de se arrumar, Alicia olhava as fotos que ele guardava em uma caixa junto com alguns papéis antigos e bonecos pequenos, quebradinhos, mas que deveriam ter um grande valor emocional pra ele.

Quando Nick disse que mostraria pra ela algumas coisas legais que ele tinha guardado, Aly jamais imaginou que seriam coisas tão íntimas e inusitadas, as fotos eram até uma coisa que ela esperava que ele guardasse, mas aqueles brinquedos a deixaram realmente intrigada... Talvez ela precisasse aprender muitas coisas sobre aquele homem e pelo jeito, teria tempo para isso.

Já havia passado uma semana daquela entrada inesperada dele no seu apartamento e desde então Aly não havia mais perdido ele de vista um dia sequer. Alicia ficava entre a felicidade e o medo, afinal de contas quantas vezes aquela situação já havia acontecido? E com a proximidade de uma sexta feira, era bem provável que mais uma vez ele desaparecesse sem maiores explicações, mas pra surpresa maior ainda de Aly ele não só ficou com ela como preparou um jantar na casa dele, cheio de cuidados pra que ela não comesse nada que desse enjôo ou que estivesse fora da dieta passada pela médica.

A noite havia sido perfeita, ele parecia verdadeiramente feliz, quando falamos de Nick Carter. Agora enquanto ele terminava de vestir aquele terno tão perfeito, parecia que as coisas sempre haviam sido fáceis, que eles seriam uma família feliz, quase como um comercial de margarina. Bom, talvez uma família de comercial moderno de margarina, onde os pais não moram juntos e o marido às vezes da uma pulada de cerca.

O fato é que ver aquelas fotos de um Nickolas tão novinho, tão inocente, fez com que ela desejasse estar na vida dele há muito mais tempo, há tempo de concertar o que agora não tinha mais concerto.

 

- Como teriam sido as coisas se eu tivesse conhecido você nessa época?

 

Nick sentou do seu lado e pegou a foto que ela segurava: ele, os pais e os irmãos sorrindo e provavelmente voltando de algum dia de passeio dos Carters.

 

- Provavelmente nós teríamos nos afastado algum tempo depois. Minha vida virou uma loucura depois que virei um bsb...

 

- É talvez...

 

- Por quê? Você tem alguma outra sugestão?

 

- Não vamos brincar de faz de conta agora, você vai se atrasar pra grande noite.

 

Os Backstreet Boys iriam receber uma homenagem por sua contribuição para música pop, uma festa cheia de mulheres dispostas a dormir com ele, era só nisso que ela conseguia pensar, não queria, mas era inevitável.

 

- Você não quer mesmo ir comigo?

 

- Não Nick, eu vou sair com o Max pra jantar e depois vamos pegar um cinema.

 

Aly esperou ele sair e ficou mais um tempo curtindo a cama dele. Aquele quarto era tão... ele! A casa toda tinha o jeito dele, o cheiro dele, mesmo ele passando grande parte da sua vida em hotéis pelo mundo havia conseguido manter um lugar pra dizer que era dele e quem realmente o conhecia, percebia.

 

- Melhor eu sair logo antes que desista e fique aqui só pensando no seu pai, Cassie.

 

Logo depois ela já estava no shopping com Max, não havia alguém mais indicado pra fazer com que ela desse boas risadas.

 

- Como vai a vida amorosa?

 

- Na mesma. Alguns gatos, muitas festas, mas nada de muito sério. Os gays são tão canalhas quanto os héteros na maioria das vezes. E você como anda com aquele bofe lindo?

 

- Do mesmo jeito também.

 

- O que não quer dizer nada, não é Alicia? Vocês dois vivem em pé de guerra, eu já teria morrido de úlcera nervosa.

 

- Exagerado! Nós estamos bem, ontem ele fez uma janta ótima pra mim na casa dele.

 

- E hoje...?

 

- Hoje ele tinha uma premiação pra ir com o resto da banda.

 

Aly deu de ombros.

 

- Hum... É isso que mata você, não é?

 

- O que?

 

- Essa incerteza do que vai acontecer logo depois. Acho que isso preocupa muito mais do que as eventuais escapadinhas que ele possa dar.

 

- Eu nunca analisei por esse lado.

 

- Você deveria ir um psicólogo, esse relacionamento tem que ter acabado com metade da sua sanidade.

 

- Antes fosse só a metade! Tenho certeza que já fui alguém mais sensata, só não me lembro como era ser assim.

 

Depois da janta e de um bom filme, eles foram comprar algumas roupas pra Alicia. Parecia que a cada dia ela perdia uma peça de roupa, precisava de coisas novas, roupas, cremes, e Max a convenceu de levar umas lingeries também. Segundo ele, alguém que tinha a honra de freqüentar com certa assiduidade a cama de Nick Carter precisava sempre de lingeries novas.

Enfim, a noite havia passado mais rápido do que ela imaginava, mas não tão boa quanto ela gostaria. Assim que chegou ao seu apartamento com várias sacolas nas mãos, quase se arrependeu por não ter ido à premiação com Nickolas. A verdade é que ela ainda vinha evitando aquele tipo de exposição, não fazia parte de quem ela era aquele mundo e não queria enfrentar olhares curiosos e muito menos os duvidosos, preferia deixar tudo pra quando fosse realmente necessário, mas sabia que não demoraria muito. Ela não tinha uma vida pública, mas o pai da Cassie tinha e gostava daquilo.

Aprender a conviver com as fãs dele, com a vida pública dele seria necessário, até mesmo pra Cassie poder se sentir mais segura quando eventualmente ele não estivesse com as duas e ela fosse abordada por alguém. Eram tantas coisas pra pensar, pra começar a aceitar que ela nem ao menos havia começado a perceber. Algumas pessoas poderiam achar que era fácil estar com Nick Carter, mas não era, em nenhum sentido.

Antes de dormir, Aly arrumou tudo que havia comprado para ela e a filha no quartinho, e estava tão exausta que sequer ouviu quando o celular tocou com uma mensagem do Nick:

 

A premiação estava ótima e agora tô aqui na festa com pessoas estranhas que não parecem muito interessadas na minha empolgação em ser pai. Onde vocês estão? Saudades. Amo vocês’

 

Foi uma boa maneira de começar aquele sábado ensolarado, como já não acontecia a um bom tempo, ela acordou com uma mensagem dele e uma sensação de dejávu foi quase inevitável. Um bom psicólogo com certeza seria capaz de lhe dizer um ótimo tratamento porque aquele hábito de viver ciclos repetitivos ao lado dele só poderia ser um caso de laudo médico.

 

Eu e Cassie tivemos uma noite tranqüila, com direito a muitas compras. Também sentimos sua falta e amamos você. ’

 

Já que a janta na sexta havia sido com Max, nada mais justo que almoçar com Lilly. Continuar a fazer coisas que eventualmente não envolvessem Nickolas poderia ser bem saudável, e ela não precisava de nenhum psicólogo pra lhe dizer aquilo.

 

- Quer dizer então que você saiu em uma sexta feira à noite com o Max enquanto o Nickolas estava em uma premiação. Sério, Alicia? Sério que você fez isso?

 

Aly rolou os olhos.

 

- Porque você sempre leva todas as coisas pro lado negativo, Li?

 

- Não amiga, eu sou realista, é diferente. E logo com o Max? E eu, sua melhor amiga fiquei de fora?

 

- Ah! Então é esse o problema? Como você é boba. Sexta feira a noite não é dia de chamar amigas casadas pra jantares.

 

- Mais um motivo pelo qual você deveria ter me chamado: meu marido também é seu amigo.

 

Lilly e Alicia foram almoçar no restaurante favorito delas, como não faziam há muito tempo. Honestamente falando, Aly sentia falta daqueles momentos em que era só ela mesma, sem preocupações.

Às vezes ela tinha a sensação de estar perdendo a essência de quem verdadeiramente era naquela confusão que sua vida amorosa havia se tornado. Muitas vezes ela tentava lembrar os dias em que Nickolas não fazia parte do seu dia a dia e que ela considerava ser de uma felicidade plena.

Aly era uma mulher comum, uma menina comum. Muitas vezes tornar-se mulher não estava ligado a idade ou ao fato de se ter ou não uma vida sexual, tornar-se mulher era muito mais parte de um momento, um alguém que chegava e mudava o que se é por dentro. Nick havia transformado Alicia na mulher que ela era hoje, com seus defeitos e acertos.

 

- Como estão os seus pais? Já aceitaram totalmente essa família maluca que você e o Nick estão construindo?

 

- Não é uma família maluca, só não vai ser tradicional como a minha é, por exemplo. Acho que meus pais estão lidando melhor com essa situação. Na verdade acho que todo mundo está pensando mais na chegada da Cassie do que qualquer outra coisa...

 

- Inclusive você, não é?

 

Aly deu de ombros.

 

- É, não tem muito, além disso, a ser feito. Lilly, por favor, eu só quero um sábado descontraído, sem muito Nick Carter no meio. Hey, quando sairmos daqui vamos comprar algumas maquiagens novas pra mim.

 

- Ok, nós vamos. Mas Aly, eu só quero ajudar você. É sério, tenho medo dessa maluquice toda... Tem tantas coisas que você vai ter que lidar depois que a Cassie chegar. Assim que a imprensa souber que ela nasceu, a vida de vocês vai se tornar um livro aberto! Nick Carter vai ser pai, isso vai enlouquecer meio mundo...!

 

- Eu sei... Eu tenho pensado nisso também, mas também não tem o que ser feito agora! Não posso e mais do que isso, eu não quero sofrer por antecipação, por tanto nós vamos sim, falar besteira e comprar maquiagens.

 

Fugir dos olhares preocupados da amiga não foi uma tarefa tão fácil quando Alicia pensou que seria. Lilly tinha razão em tudo que tinha dito, mas dessa vez Aly só queria ser um pouco irresponsável e não pensar em nada.

 

 

 

 

 

 

- Finalmente vocês duas chegaram!

 

- Como você é exagerado, Nickolas.

 

Nick deu um beijo nela e um na já saliente barriga.

 

- Você fala isso porque passa o tempo todo com a Cassie e eu só posso ficar com ela quando você quer.

 

- E não tem outro jeito, meu bem, então me vê água porque sua filha está com sede.

 

Por um momento, sentada na sala enquanto esperava por Nick, Aly pensou que ali seria um bom lugar pra ela morar. A casa era bonita, grande, mas mais do que isso, ela conseguia sentir que realmente era um lugar pra se chamar de lar. Talvez fosse mais fácil criar Cassie com ele por perto sempre...

 

- Aly?! Hey Alicia! Acorda! Ta tudo bem?

 

- Desculpa, tá sim.. Eu só estava pensando.

 

- Posso saber no que?

 

- Em como vai ser nossa vida daqui a uns meses. Hoje a Lilly conversou um pouco comigo sobre fãs, imprensa... Essas coisas que eu fico apavorada só de pensar.

 

- É tão horrível assim estar grávida do Nick Carter?

 

- Nickolas, eu tô falando sério.

 

- Eu sei, mas não gosto quando você fala muito sério. Um sorriso fica muito melhor em você. Aly. E eu já disse que você não precisa ficar preocupada com isso, dessa parte eu vou cuidar. Você confia em mim?

 

Por mais insegura que pudesse estar, porque a verdade era que ela estava insegura, não havia no mundo um par de olhos que pudesse acalmá-la mais. O simples toque daqueles dedos suavemente segurando suas mãos era capaz de transformar em fumaça todo medo.

 

- Eu confio.

 

Como eles passavam de um momento simples pra uma atração física em segundos era mais um dos fatos que ela jamais entenderia, e quando percebeu estava nos braços dele, segura, completa, sendo quem ela verdadeiramente era.

Foi mais que sexo, foi como se ele quisesse provar com um ato que Alicia poderia confiar nele, que ele seria um porto seguro pra ela e pra filha, sempre.

Ele investia dentro dela com movimentos suaves, torturantes, profundos, sem nunca desviar os olhos do rosto dela, que respirava ofegante e tentava compreender todas as mensagens silenciosas que estavam sendo ditas ali.

 

- Eu te amo, Nick.

 

Antes mesmo que ela pudesse raciocinar as palavras haviam sido ditas, saíram facilmente, como quem quer ganhar vida, como se estivessem presas dentro dela. Nos olhos dele um misto de surpresa e satisfação, não bastava saber que ela o amava, ouvir aquelas palavras naquele momento era uma rendição.

 

- Aly...

 

Ela colocou um dedo sobre os lábios dele, nada que ele tivesse pra dizer iria soar tão verdadeiro quanto o que ela podia ver naqueles olhos azuis a todo instante. Nick até amava Alicia, mas não da forma que ela desejava, ele a amava da forma dele e por mais que doesse, tinha que servir.

Não havia espaço pra arrependimentos naquele momento em que eles eram capazes de alcançar uma espécie de paraíso juntos, enquanto os dois corpos suados repousavam e o coração pulsava em um mesmo ritmo.

Alicia não sabe precisar quanto tempo eles ficaram deitados no sofá, iluminados só pela penumbra da noite, mas foi o suficiente pra ela adormecer em paz, completamente relaxada.

Quando acordou, sentindo fome e um pouco de sono, Nickolas ainda dormia profundamente. Ela procurou não fazer barulho enquanto abria a geladeira atrás de alguma coisa que pudesse comer e não fosse muito pesada pro horário. Não precisou de muito tempo, a geladeira do Nick andava mais saudável que nunca.

 

- Hum... Acho bem atraente uma mulher nua mexendo na minha geladeira.

 

Aly pegou um iogurte e fechou a geladeira.

 

- Eu posso dizer que um homem bonito me dizendo isso também é sempre atraente.

 

- Sempre? Quer dizer que eventualmente alguém diz isso pra você?

 

- Eventualmente...

 

- Vem aqui, engraçadinha. Preciso conversar com você.

 

- É uma notícia que eu vou preferir ouvir vestida ou assim mesmo?

 

Nickolas olhou pra ela dos pés a cabeça, era quase como estar em uma máquina de raio-x.

 

- Tudo bem, acho melhor nós usarmos alguma roupa pra que eu consiga me concentrar melhor.

 

Aly ficou imaginando o que ele precisava contar pra ela e que o estava deixando tão nervoso, ele estava tentando demonstrar naturalidade, mas dava pra perceber uma ruga bem no meio de sua testa.

 

- Pronto Nick, eu já estou vestida e alimentada, pode me falar o que tá deixando você tão preocupado.

 

- Eu tô parecendo preocupado?

 

- Um pouco.

 

Ele respirou fundo. Aly começou a sentir um pouco de medo. Será que mais uma vez alguma coisa interromperia os seus dias de paz?

 

- Fala logo Nickolas, eu tô ficando nervosa!

 

- Calma, não é nada demais... Eu é que fico... Não sei, não me sinto confortável quando o assunto é meu pai ou minha mãe, mas dessa vez eu não tive como escapar. Minha mãe nos chamou pra um final de semana com ela na Flórida.

 

Nick falou tudo como se fosse um grande pedido de desculpas, mas Aly não pode evitar uma careta.

 

- Eu sei, parece horrível, não?

 

- NÃO! Nick, não fala isso. Como um final de semana com a sua mãe pode ser algo terrível?

 

Ele sorriu, mas em nada aquele som parecia ser de alguém feliz.

 

- De muitas formas quando se trata da minha mãe.

 

- Bobagem! Quando nós vamos levar a Cassie pra conhecer a outra vovó?

 

- No próximo final de semana.

 

- O QUE?

 

- Desculpa Aly, mas é um dos poucos finais de semana que eu tenho totalmente livre, depois tenho algumas reuniões, músicas pra terminar... E ela insistiu tanto.

 

- Tudo bem, Nick, eu só estou surpresa. É melhor que a gente vá logo, não é? Daqui a pouco um avião não vai ser o melhor lugar do mundo pra mim.

 

Ele mal conseguia encará-la, era visível que era uma situação da qual ele queria mais do que ninguém não precisar enfrentar.

 

- Nick, nós vamos juntos, vai ser divertido, você vai ver. E há quanto tempo eu não vou pra Flórida! Hum? Vamos, tira essa cara de preocupação e me de aquele sorriso lindo que me deixa tão feliz.

 

- Obrigada por ser tão compreensiva, Aly. Prometo que você não vai se aborrecer com nada durante esse final de semana.

 

Alicia não falou mais sobre o próximo final de semana durante aquela noite, mas estava muito nervosa. Nick nunca falava muito sobre a relação dele com os pais, ela sabia que eles estavam separados há muito tempo e Jane morava agora com seu novo marido.

Ele sempre falava da mãe com um resquício de mágoa, mas ela nunca havia perguntado o motivo e talvez nem ele soubesse o porquê ou sequer percebesse isso, era um sentimento muito disfarçado, escondido.

No dia seguinte, enquanto almoçava na casa dos seus pais, Alicia contou pra Anne sobre a programação do próximo final de semana.

 

- Minha filha, o que tem de errado em ir conhecer a mãe dele?

 

- Eu não sei...

 

Enquanto falava, Aly observava Nickolas conversando com Charlie do outro lado do jardim, tão à vontade, e lembrou os dias em que nem no seu pensamento mais fértil imaginaria aquela cena transcorrendo de forma tão natural. Seria possível que fosse assim com ela também?

 

- Se ele tem alguma situação mal resolvida com a mãe isso não muda em nada o amor que ela vai sentir pela neta e você é a mãe da Cassie, ela já deve amá-la só por isso.

 

- Mãe, não precisa exagerar!

 

- Não é exagero, é realidade. Duvido que ela vá ser grosseira com você, filha.

 

- Eu espero que não, mas essa apreensão toda do Nick em ver os pais me deixa com os nervos em frangalhos!

 

- E você já disse isso pra ele?

 

- NÃO! Estou dizendo que a idéia da mãe dele foi ótima e que nós vamos passar o melhor final de semana do mundo.

 

- Alicia, você precisa parar de esconder as coisas dele, sabia?

 

- Eu sei, mas é só pra ele ficar mais calmo também... Do que vai adiantar nós dois preocupados, indo viajar como se fossemos enfrentar um monstro e não a avó da minha filha?!

 

E foi isso que ela repetiu pra si mesma durante toda aquela semana e quando finalmente pegou o avião ao lado dele, que parecia mais apreensivo do que nunca, Alicia quase conseguiu acreditar que aquela seria a primeira viagem de férias perfeita em família. Quase.

 



Red Sky - Capítulo 15
analusantos

Capítulo 15

 Trilha Sonora

‘Your Song’ – Kate Walsh

http://letras.terra.com.br/kate-walsh/1124728/traducao.html

 - Eu acho rosa muito mais bonito que amarelo, Aly.

- Ótimo, então deixa a tinta rosa pro quarto da sua casa. Aqui o quartinho da Cassie vai ser amarelo.

- Teimosa...

 Alicia rolou os olhos e continuou escolhendo o tom de amarelo que levaria para pintar o quarto da filha. Ela e Nick tinham reservado a manhã daquele sábado para comprar as coisas que ainda faltavam para os quartinhos de Cassie.
Era trabalhoso comprar tudo em dobro, mas ela não estava disposta a deixar seu apartamento para morar com seus pais ou com Nickolas, queria o seu cantinho sempre ali, aquele era o lugar pra chamar de seu e não abriria mão daquilo.
Eles já haviam comprado toda decoração que cada um havia escolhido: o quarto de Nick seria mais clássico, rosa, com muitas bonecas e ursos de pelúcia. Já Alicia tinha optado pela cor amarela, brinquedos mais lúdicos e muitas almofadas coloridas.
A cada dia que passava, Alicia sentia Cassie mais viva dentro dela, muitas vezes ela sentia a filha movimentando-se dentro dela e um enorme sorriso vinha fácil até seu rosto. Mesmo agora, um mês depois de quase perder seu bebê, Aly ainda ficava em pânico ao lembrar daquilo tudo.
Os cuidados recomendados por sua médica eram seguido a risca: ela não fazia grandes esforços e evitava ao máximo fortes emoções. Até aquele momento estava sendo mais fácil do que ela havia imaginado.
Depois da conversa com Nick as coisas haviam ficado um pouco estranhas, eles não sabiam direito como agir um com o outro, mas conforme os dias foram passando parecia que tudo estava entrando nos trilhos novamente.
Aly sabia que não haveria espaço pra erros, tinha que se manter equilibrada até o final da sua gestação, entendera toda aquela quase perda como um aviso de que deveria ter mais cuidado com sua filha, ela não estava brincando de boneca e Cassie deveria estar acima de tudo, sempre.
Por isso, sempre que sentia um impulso de beijá-lo ou de saber onde ele estava durante a noite, com quem havia saído, ela simplesmente respirava fundo e esquecia. Fácil não era, mas era isso ou voltar a lidar com todos os problemas que não queria mais encarar: insegurança, amores não correspondidos e as noites inteiras sem dormir.
E por mais que já houvesse tentado outras vezes ficar afastada daquele homem, agora era diferente, não havia mais segredos ou sentimentos a serem revelados, ele sabia que Aly o amava e isso era tudo que ela um dia tinha escondido dele, o que ele fez com essa revelação era um problema dele e ela jamais poderia controlar isso.
Enquanto separava as compras que ficariam no seu apartamento, Nick preparava um lanche pra eles. Nesse ponto Alicia não tinha do que reclamar, a certeza de que ele seria um ótimo pai só crescia, Nick era atencioso e sempre presente quando o assunto era a filha deles, exatamente como ela havia pedido.

 - Pronto! Um sanduíche natural e um suco.

 - Obrigada.

 - E tenho que fazer um elogio porque finalmente sua geladeira parece com a de alguém que cuida da saúde.

 - Lá vem o senhor geração saúde. Me poupa do discurso, Nickolas.

 - É só uma dica pra futura mamãe, dona Alicia.

 Aly comeu em silêncio com o pensamento longe dali, quatro meses adiante.

 - O lanche ficou tão ruim que você não consegue nem falar comigo?

 - Não é nada disso, tá ótimo. Eu só tava pensando em como vai ser quando Cassie nascer... Eu tenho tantas dúvidas ainda, tanto medo.

 - Medo de que, Aly?

 - Medo de errar com ela, de não saber fazer as coisas direito, não sei... de não ser uma boa mãe.

 Alicia vinha pensando muito nesse assunto nos últimos dias, ela sabia que era natural aquele sentimento, afinal seria tudo novidade quando Cassie chegasse, mas ela não gostava de sentir aquilo.

 - Tenho certeza que você será a melhor mãe do mundo pra ela e o que nós não soubermos, aprenderemos juntos. Nós somos um time, Aly, não esqueça isso.

 Um time... Essa era uma ótima forma de descrever a relação deles. Enquanto um atacava o outro ficava na defesa.

 - Ao menos eu te fiz sorrir.

 - Obrigada Nick. Você vai ser um excelente pai, também.

 - Eu sei disso.

 - Sempre convencido.

 Nickolas ajudou ela com as coisas que exigiam mais esforço e se despediu. Sábado a noite não costumava ser um dia que ele fazia muita questão de ficar até mais tarde com ela e Alicia sabia bem o motivo: festas. O velho Nick Carter estava de volta – não que Aly tivesse em algum momento achado que ele iria realmente mudar por ela, mas agora muita coisa havia voltado a ser como antes.
Ele não fazia questão de esconder quando saia pra algum lugar. Ela ainda estranhava, mas algum dia teria que se acostumar com a idéia.

 

 

~/~

 

 - Me deixa ver se entendi: você brigou com o Peter, se declarou pro Nick que além de ignorar resolveu voltar a ser o que era antes, um festeiro e galinha. É isso mesmo, Alicia?

 Aly rolou os olhos. Ela estava almoçando com Lilly e sabia que assim que contasse tudo que vinha pensando pra amiga ela iria começar a falar mal de Nickolas, mas não conseguia esconder nada dela, no final das contas era até um pouco divertido que alguém de fora interpretasse tudo com um pouco mais de realidade.

 - Sabe Lilly, se você não fosse minha melhor amiga eu jamais contaria essas coisas.

 - Quando eu acho que vocês dois vão tomar jeito, voltam à estaca zero. Francamente Alicia, isso parece um daqueles filmes de péssimo gosto.

 - E eu não sei? Mas agora eu fiz o que meu coração mandou. Pela primeira vez fui totalmente sincera com ele, o que ele fez com o fato de eu amá-lo já não é mais problema meu... você não acha?

 - É, no final você tem razão.

 Aly deu de ombros.

 - Eu sei que tenho, por isso estou calma. Tomar decisões não é o meu forte, mas dessa vez sinto que tomei o caminho certo. Não o definitivo, mas o certo.

 

 E Alicia estava feliz com suas decisões, parecia que finalmente as coisas estavam se ajeitando de alguma forma, ela estava sentindo-se bem consigo mesma, se olhava e via uma mulher mais bonita, finalmente radiante como toda grávida.
Não havia sido fácil chegar até esse ponto, mas agora que conseguirá resolveu preencher suas horas livres com novas atividades.
Ela se tornou voluntária em um abrigo infantil que cuidava de crianças que haviam sido abandonadas. No primeiro dia voltará pra casa muito triste e até pensou em interromper as idas, mas mudou de idéia quando no final daquela sexta feira tumultuada na redação, assim que pôs os pés no abrigo e uma menina linda sorrindo a chamou de tia Aly.
Foi bom preencher o tempo vago com alguma coisa que não fosse Nick, ela quase havia esquecido essa sensação de satisfação que não o envolvia, foi como reviver um tempo em que ele não estava inserido em tudo que ela fazia.
E só depois de relembrar um pouco daqueles dias, deitada na sua cama, no silêncio do apartamento, ela percebeu como sentia falta de ser mais ela mesma, de sentir sua personalidade mais viva.
O fato é que estava cansada de ficar no papel de coitadinha, como Lilly comentou, aquela história toda estava parecendo um remake de quinta categoria. Talvez esse sentimento de se tornar uma perdedora diante de si mesma estivesse estimulando ela a se manter longe daquela doença chamada Nickolas.

 - Existe vida além do Nick Carter, Alicia.

 E aquela foi a primeira noite em muito tempo que ela dormiu e não sonhou com ele. As coisas já haviam sido bem diferentes daquele momento.

 

 

 

 *Fevereiro 2009*

 

Fazia um dia frio pra temperatura média de Los Angeles e como qualquer coisa era uma ótima desculpa pra ficar na cama de Nickolas até mais tarde, Aly achou ótimo acordar e ouvir aquele barulho de uma chuva leve. Sorriu sozinha.
A noite anterior havia iniciado com uma briga típica dos dois: ela com ciúmes e fingindo que estava tudo bem e ele perguntando qual era o problema. Depois de um tempo ele ficava irritado, ameaçava ir embora e Alicia acabava pedindo desculpas. Eles saiam, jantavam e acabavam na cama de um ou outro, dessa vez havia sido na dele.
Ela sorriu mais uma vez. Não sabia até quando aquela loucura toda seria o suficiente pra ela ser capaz de ser feliz, mas por enquanto era tudo que precisava.

 - Aly?

 A mão dele procurou por ela e quando encontrou a puxou pra mais perto. Aquela mão grande, com dedos longos e um toque que sabia ser suave e duro, na medida certa e nos momentos exatos.

 - Bom dia, Nick.

 - Pelo horário, acho que podemos ficar com um boa tarde.

 - Podemos culpar a chuva e as poucas horas de sono durante a noite...

 - E eu não me importo de passar o resto do dia aqui.

 - Nem eu, mas acho que preciso comer alguma coisa antes.

 Ela preparou um almoço simples pros dois e quando voltou pra chamar Nick, ele já havia voltado a dormir, lindamente esparramado na cama enorme. Aquela era uma dessas cenas que a gente vê nos filmes e pensa que nunca vai vivenciar.

 - Preciso parar de pensar essas coisas.

 - Pensar no que Aly?

 - Nickolas! Fingindo que dorme enquanto eu fico chamando você? Vamos eu fiz um almoço pra gente.

 - Que horas são?

 - 14hs.

 - Meu Deus! E eu ainda tô sentindo muito sono... A comida poderia ser na cama hoje, hun?

 - Poderia, mas não vai ser, vem logo!

 O resto do dia foi passado naquela cama, de onde eles só levantaram pra ir até o cinema no final da tarde. Antes de entrar na sala escura, ainda na rua, Alicia percebeu um céu lindo, que já não era mais chuvoso e agora brindava quem estava disposto a notá-lo, com aquela cor avermelhada que ela achava tão linda.

 

 

                                                              

~/~

 

 

 

- Bom dia Bela Adormecida!

 - Bom dia, Nick.

 - Hey, finalmente eu consegui falar com você. Te liguei um milhão de vezes durante a madrugada.

 - Sério? Não ouvi.

 - Aham, sei. Qual é, Alicia, achei que tava tudo bem entre a gente.

 Será que ela ainda estava muito sonolenta ou Nickolas estava mesmo querendo discutir.

 - Nick, só me diz que isso não vai se tornar uma grande discussão porque eu não tô nem um pouco afim.

 - Abre a porta.

 - O que?!

 E ele desligou. Aly respirou fundo e jogou uma água no rosto antes de ir até a porta.
Quando o viu parado na entrada daquela bendita porta, como em tantas outras vezes que eles acabaram discutindo, ela quase teve vontade de chorar.
Porque a vida não podia continuar trilhando um caminho de normalidade?

 - Só me diz, por favor, que não veio até aqui pra discutir. NÃO tô afim. Se for pra isso, nem entre.

 Nick vacilou na porta com um ar surpreso de quem não esperava todo aquele discurso antes mesmo de estar dentro do apartamento.

 - Eu não precisaria discutir se você tivesse atendido minha ligação.

 Alicia pensou novamente se era sonolência ou se aquilo estava realmente acontecendo. Ela sentou no sofá enquanto encarava aquele rosto com ar de superioridade. Nickolas tinha um texto pronto, alguns dos textos padrões que ele usou durante todos aqueles anos. Ela riu, não havia outra coisa a ser feita.

 - Tá rindo de que, Alicia?

 - De você Nickolas! Como eu puder ser tão boba?

 - Aly...

 - Não tem nada de Aly! Por favor, Nick, nós não vamos discutir porque eu não atendi você durante a madrugada. Eu não atendi por um simples motivo: eu estava dormindo! Essa história de vir pra cá no meio da madrugada bêbado, querendo passar algumas horas na cama de alguém que não se pareça uma vagabunda acabou Nickolas.

Ele permanecia parado como se não pudesse acreditar no que estava ouvindo, as coisas não seriam tão fáceis quanto ele havia pensado. Se antes bastava recomeçar tudo com uma simples ligação na madrugada ou a supervalorização de alguma coisa que acontecesse, agora parecia que Alicia tinha decidido levar a sério essa história de se manter afastada dele e isso não era bom.
Ele lembrava tudo que ela tinha dito, inclusive que o amava, mas o que poderia ser melhor do que isso? Finalmente ela havia conseguido ser totalmente sincera com ele sobre tudo que sentia.

 - Vai ficar me olhando sem dizer nada?

 - Acho que não tenho mais o que dizer. Sinceramente, não consigo entender algumas coisas.

 - Como o que, por exemplo?

 - Deixa pra lá. Realmente essa discussão não vai levar ninguém a lugar algum.

 - Sendo assim, eu quero dormir mais algumas horas, se você me der licença.

 - O que?

 - Eu quero dormir! Se nós não temos o que conversar às 7hs em uma manhã de sábado, não vejo motivos pra eu ficar acordada com o sono que ando sentindo. Mas se você não quiser ir, sabe que esse sofá é bem confortável.

Alicia sabia que ele não iria ficar ali e assim que entrou no quarto ouviu a porta da sala batendo.
Por mais incrível que pudesse parecer um sorriso se espalhou por seu rosto.
Depois daquele sábado Nick ligava somente para saber da Cassie, mas se ele estava fazendo isso pra irritar Alicia ou se era realmente espontâneo, ela não se importava, nos últimos dias estava experimentando uma sensação libertadora de não sentir tão presa a ele.
Lilly e AJ insistiam em dizer que ela estava usando aquilo como desculpa pra fugir dele e de tudo que sentia e não adiantava dizer pros amigos que estava realmente bem.

 - Aceite que você e o Nick foram feitos um para o outro, Aly.

Alicia não entendia muito bem em que mundo bizarro ser ‘feito um pro outro’ acabava sempre em discussão e mágoa, então tudo podia fazer era deixar aquele assunto de lado.
Mas tudo que é de muita paz não tem por hábito se prolongar na vida, e na noite do sábado seguinte quando mais uma vez Nickolas parou na sua porta ela confirmou isso novamente. Dessa vez não houve tempo sequer pra perguntas.
Nick pegou Alicia pela cintura e olhou fundo nos seus olhos. Ela sentiu um calor estranho por dentro. Era como se algo queimasse em seu interior, aquela sensação perdida, escondida dentro dela transbordou com força.
Era como se ele visse dentro de sua alma e dissesse com os olhos que entendia. E isto em vez de apaziguar, apenas fez com que uma espécie de febre percorresse sua pele. O fogo queimava por fora também. Transpassava as barreiras da pele, dos poros, fazia seu sangue correr mais rápido, enchendo seu rosto de um rubor perigoso.
Ele viu isto e um sorriso de lado se formou em sua boca.
O ar tornou-se rarefeito a sua volta, tornando a tarefa simples de respirar muito difícil. Ela ofegou, passando a língua sobre os lábios ressequidos e os olhos dele sempre atentos acompanharam o movimento. O calor tornou-se quase insuportável.
Eles ficaram ali entre beijos e olhares, em seu próprio mundo, até que Alicia precisou sentar pra poder respirar melhor.

- Um momento Nickolas. O que foi isso?

- Isso foi o que eu deveria ter feito na semana passada.

Ele pegou Alicia nos braços e levou até o quarto dela.  A cama bagunçada, o cheiro dela espalhado por todos os lugares, era isso que ele precisava.
Nick chegou mais perto, abaixando-se, praticamente colando a boca no seu ouvido, enquanto a mão acariciava sua nuca. Aly pensou que, se não estivesse sentada, teria caído.
- Eu duvido que você não estivesse sentindo falta disso tanto quanto eu sinto, Alicia Jones.

Ela o fitou com os olhos semicerrados. Nick tinha aquele sorriso no rosto, uma espécie de zombaria e atrevimento, aqueles olhos que eram capazes de comandar uma nação em guerra, ela tinha absoluta certeza disso. O seu toque queimava sua pele nua.
O momento ficou suspenso no tempo, seus dedos subiram por sua coxa, deslizando pelo interior macio e Alicia prendeu a respiração em expectativa, enquanto ele subia cada vez mais, por dentro do seu vestido. Os olhos não desviaram do seu em nem um minuto e então ele a tocou, com seus dedos longos e quentes e ela soltou um gemido abafado, o ar preso na garganta. Seu mundo inteiro se concentrava naquele toque, todos os seus sentidos. E ele ainda sorria, enquanto a acariciava tão sutilmente como uma pluma. Tudo que o ela queria era que ele não parasse nunca mais.
As mãos dele estavam seu rosto e ele passou um dedo por seus lábios entreabertos. Aly ofegou e capturou o dedo para dentro de sua boca, os olhos fixos nos dele enquanto passava a língua por sua extensão.
Nick gemeu e a apertou mais contra si, fazendo a sentir o quanto ele estava excitado. Ela deixou de pensar e no minuto seguinte, a boca dele cobriu a dela, num beijo molhado e intenso, as línguas se encontrando e se acariciando, os dedos dele se enroscaram em seus cabelos,
machucando o coro cabeludo e Alicia gemeu, mas não se importando com a dor. Toda dor era bem vinda se vinha dele porque não era maior que o prazer que ele a fazia sentir em todos os poros do seu corpo.
Os lábios se apartaram dos dela para percorrer um caminho de fogo por seu rosto, até sua garganta, mordiscando a pele arrepiada.
Ele apertou os mamilos sensíveis, enquanto a beijava novamente, os dedos agora desceram por suas costas, a apertando contra si, rodeando seus quadris e Alicia se encaixou em volta dele para aproveitar melhor tudo o que ele tinha para oferecer. Os beijos continuavam, cada vez mais intensos e profundos, roubando-lhe a capacidade de pensar em qualquer coisa que não fosse às mãos dele sobre si.

Ele beijava sua boca, seu queixo, seu pescoço. Com uma mão ele explorava seus seios e a outra estava no meio de suas pernas e subiram por suas coxas até o lugar que ela morria para ele estar.
Aly teve seus gemidos abafados pela boca dele e sentia tudo derreter e vibrar ao sentir os dedos longos e quentes a acariciando, até um ponto que ela achou que fosse morrer se ele não terminasse logo com aquilo.

-Oh deus, Nick, eu preciso sentir você dentro de mim... - murmurou buscando o ar nos pulmões.

 Ele riu contra seu ouvido.

-Como assim?

Então ele escorregou um dedo para dentro dela, e Alicia gritou, surpresa.

-Psiu...

Ele sussurrou contra seus lábios e ela apenas sacudiu a cabeça afirmativamente, sem conseguir pensar quanto mais falar.

-Abra os olhos, Alicia.

Ele pediu, enquanto ela ainda sentia o corpo sendo reduzido a uma massa disforme de prazer. E ela o obedeceu, encontrando os olhos dele, bem perto dos seus, a observando como se ela fosse a única pessoa do mundo.

-Eu quero ver você gozar - ele murmurou roucamente.

Aly quase deixou que isto realmente acontecesse, mas não era suficiente. Então, ela deu um tapa em sua mão e o ficou por cima dele.

- E eu quero gozar com você.

Aly tocou a ereção por cima da cueca e Nick gemeu, ela mordeu seus lábios, enquanto as mãos tiravam a única peça de roupa que ele ainda vestia e o tomava nas mãos, o acariciando em toda sua extensão.
Ele a virou novamente na cama, penetrando-a numa só estocada longa e profunda. Alicia passou as pernas em volta dele, as unhas em seu ombros, ele segurou seus quadris a fazendo se movimentar no mesmo ritmo que ele.
Impulso. Recuo.
Os olhos fixos nos seus, as respirações se misturando.
Ela sentia tudo vibrando e se concentrou nos seus corpos que se moviam juntos numa dança perfeita. E mesmo aquilo não parecia ser suficiente, enquanto ela se arqueava mais contra ele, o prendendo, tentando o impossível para juntarem-se mais.

- Há muito tempo eu queria estar dentro de você assim...

Ele murmurou antes de beijá-la e então tudo explodiu em milhões de partículas dentro dela e Nick a segurou com mais força, gozando com ela num momento em que reinou apenas o prazer absoluto.
Aly abriu os olhos momentos depois, a respiração ainda ofegante. Nickolas sorriu para ela daquele jeito que era só dele, os dedos retirando os cabelos do seu rosto.

- Você esta bem?

Alicia sorriu de volta

- Nunca estive tão bem em toda minha vida.

 



Capítulo 14 - Red Sky
analusantos
 Trilha Sonora

‘My Immortal’ – Evanescense

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Foi tudo muito rápido. Alicia não lembra muito bem o que sentiu depois do breve desmaio, ela só conseguia pensar na filha dela que corria risco de vida, ela sabia disso. Queria acabar com aquela angústia, dizer pra alguém ajudar o bebê dela, mas não tinha forças pra nada, o ar parecia fugir cada vez que tentava fazer qualquer movimento.
Ela ouvia vozes conhecidas, sua mãe, seu pai, Lilly e a última coisa que recordava era alguém dizendo que Nick precisava ser avisado, depois disso, tudo virou um grande borrão de acontecimentos.
Uma semana depois, na casa dos seus pais, mas ainda de repouso, Aly não queria ver ninguém além de Anne, Charlie e da sua amiga Lilly. Nickolas vinha telefonando diariamente e tentando falar com Alicia, mas ela não queria vê-lo. Não agora, precisava de um tempo pra pensar, pra ficar sozinha o máximo que pudesse.
A noite que passou no hospital não foi fácil, ficou esperando por ele durante cada segundo, queria o pai de sua filha ali, mesmo com o médico assegurando que tudo já estava bem, ela ainda se sentia frágil sem a presença de Nick.
Ele só ficou sabendo que Alicia estivera no hospital quando ela já havia ido pra casa de seus pais, e desde então tentou todos os dias vê-la, sem sucesso.

- Filha, tá acordada?

- Tô sim, mãe. A Lilly está aqui, quer ver você.

- Vou descer pra falar com ela. Preciso sair desse quarto um pouco.

- Tem certeza que você pode descer, Alicia?

- Mãe! Por favor!

Desde que chegou à casa dos pais, Aly mal levantava da cama, os cuidados que o médico havia pedido pra que ela tomasse estavam sendo redobrado por conta de Anne, que fazia questão de cuidar pra que a filha não fizesse nenhum esforço desnecessário, o que pra ela incluía praticamente todas as coisas que Alicia sentia vontade de fazer.


- Lilly!

- Oi amiga! Que bom ver você fora daquele quarto.

- Minha mãe vai me deixar doida, preciso voltar pro meu apartamento.

- Acho que você vai demorar um bom tempo pra convencê-la disso.

Alicia rolou os olhos.

- Chega de falar da minha mãe. Me de notícias do mundo lá fora! Ficar só vendo notícias na internet e na televisão é muito chato.
- O mundo lá fora continua chato e cheio de problemas. A parte mais legal de todo meu dia é justamente dentro de casa, com o meu Alex.

- Minha amiga é uma boba apaixonada. Que lindo!

- Eu sou sim. Nunca achei que fosse me apaixonar mais por ele depois do casamento, mas incrivelmente isso aconteceu. A propósito, ele mandou um beijo e disse que vem ver você no final de semana.

- Ai, que lindo isso! Viu filhinha, a tia Lilly tá vivendo o amor. Ele existe, não podemos desanimar.

Lilly e Ally conversaram por mais um tempo, até que AJ telefonou solicitando sua mulher em casa.

- Tá, amiga, eu preciso ir.

- Promete que não demora pra voltar?

- Volto sim. Aly preciso te perguntar sobre o Nick.

- Lilly...

- Eu sei que você não quer falar sobre isso, eu sei, mas não da pra adiar esse assunto pra sempre. Vocês precisam conversar.

- Eu sei. Eu vou falar com ele e não vai demorar muito, prometo.

- Que bom, porque tenho a nítida impressão que ele só não entrou aqui correndo e seqüestrou você porque essa é a casa dos seus pais.


Alicia estava sentada com a mão na barriga ouvindo cada palavra da amiga e pensando em tudo que havia decidido na última semana. Aquela era a hora certa pra fazer as coisas acontecerem, não poderia mais fugir disso.

- Eu sei que o Nickolas errou e você sabe que sou sempre a primeira a dizer quando ele erra Ally, mas conversa com ele. Tenho estado tão preocupada com a saúde dele quanto estou com a sua.


- Por quê? Ele não tá bem?

- Depende do que você entende por bem...

- Tá bom Lilly, eu ligo pra ele e marco essa conversa, mas quero ir pra minha casa antes.

O final de semana foi tão longo quanto Alicia esperava que fosse. Precisou de muita paciência pra convencer a mãe de que já estava bem pra ficar sozinha na sua casa e Anne só sossegou quando ela prometeu que ligaria muitas vezes ao dia e não ficaria mais de uma semana sem comparecer até a casa dos pais.
Finalmente no domingo durante a tarde ela estava de volta ao seu apartamento e quase nem acreditava que tudo aquilo havia acontecido. Como uma enxurrada forte, os sentimentos mais diversos chegaram até ela, num de repente, sem aviso prévio.
Ela ficou com medo que fizesse mal pra Cassie ficar chorando e revivendo coisas que já haviam passado, mas então ela se deu conta que não havia chorado nada, nem sofrido nada abertamente por que ficava com medo dos seus pais verem ela triste e as coisas piorarem, então ficava chorando aos poucos e nunca achava aquilo suficiente.
Alicia era assim, ela precisava sofrer suas dores em silêncio, ter seus momentos de desespero porque seus medos só passavam assim.
Quantas e quantas vezes, ali naquele mesmo local, ela prometeu que não choraria mais por ele? E quantas outras prometeu que as coisas seriam diferentes depois que soube da gravidez?

Será que estaria tudo bem agora se Peter não tivesse aparecido no meio de sua festa e causado toda aquela briga ou ela e Nickolas teriam arranjado outro motivo pra se desentenderem?
O fato é que ela jamais estaria totalmente segura ao lado dele e sabia disso, a insegurança faria parte de seus dias caso decidisse levar a história dos dois adiante, e Alicia não queria se enganar mais, a história dos dois seria levada adiante.
Só havia uma maneira de talvez seguir em frente e tentar esquecê-lo, o completo afastamento e isso não mais era possível. Como esquecer o homem com quem em meses teria uma filha? Como deixar de lado a pessoa que a ajudaria, aquele que caso um dia ela faltasse seria a parte mais importante da família de Cassie.
Não era mais possível uma vida sem Nick Carter, não quando tudo conspirava pra que ela ficasse ao lado dele. Talvez fosse uma ótima desculpa que ela estava dando pra si mesma pra nunca mais pensar em ficar sem ele, mesmo depois de uma briga qualquer.
Alicia precisava ser sincera consigo mesma, só assim ela conseguiria se exorcizar de todos aqueles fantasmas que tanto a assombravam, e a verdade é que ela não precisava de muitos motivos pra querer correr de volta pros braços dele, o simples fato de amá-lo absurdamente já era o suficiente pra perder todo controle e todas as forças, ela sabia disso.


- Meu Deus, quanta insanidade. Eu não consigo ser levemente racional, nem mesmo esperando uma criança, nem assim eu consigo pensar que o melhor talvez seja ficar longe dele, o mais longe que eu conseguir... Eu... Eu... Eu sou fraca! Burra! Mil vezes burra!!!

E por mais que brigasse consigo mesma, em voz alta ou sem nada dizer, tinha uma ligação pra fazer e um assunto pra encerrar e faria isso logo.


- Alicia, é você?

Aquela voz era como um pedido de redenção, era tanto o início de uma tormenta como a calmaria depois de uma longa tempestade.

- Sim. A gente pode conversar?

- Claro que sim. Alicia tudo que eu quero é conversar com você, onde te encontro?


- Em casa.

- Já estou chegando.

Não havia muito que ensaiar, dessa vez tudo que precisava ser dito teria que ser dito, não importava o quanto ele ficasse assustado ou reprovasse tudo que ela tinha pra falar.
E quando a campainha tocou, Alicia sentiu tudo que sabia que sentiria: as mãos suando, o coração acelerando e a vontade de chorar presa na garganta. Era sempre assim, desde o primeiro dia em que se viu apaixonada por aquele mesmo par de olhos azuis que a encaravam agora.Assim que olhou pra ele, Aly entendeu o que Lilly quis dizer com Nick ‘não estar bem’. Ela não se lembrava de tê-lo visto com uma aparência tão cansada antes, olheiras visíveis ocultavam o brilho dos olhos dele, a barba por fazer que costumava deixá-lo tão sedutor parecia pesar em seu resto, e ela não tinha certeza mas pelo estado das roupas ele parecia dormir e acordar com aquela mesma camiseta a algum tempo.
Encostado no batente da porta daquele apartamento, ele parecia mais frágil do que nunca, como se quem estivesse verdadeiramente precisando de repouso fosse ele e não ela.

- Entra.

Foi como dar o comando a um boneco incapaz de se mover sem aquela simples palavra. Nick mantinha os olhos fixos nela, como se Alicia fosse desaparecer a qualquer momento. Eles permaneceram parados no meio da pequena sala, que ficou parecendo menor ainda durante um tempo que não era possível precisar.
Talvez tivesse sido segundos pra alguns, mas pra eles era uma questão muito maior que o tempo, eram vidas, caminhos que pela primeira vez estariam sendo verdadeiramente escolhidos.- Talvez essa seja a primeira conversa totalmente aberta e sincera que eu venha a ter com você nesses anos todos, Nickolas.

- Ally, eu...

- Me deixa falar tudo que eu preciso falar. Se depois disso você ainda quiser me dizer alguma coisa, vai ter todo tempo que precisar.

Alicia sentou no sofá e esperou que Nickolas fizesse o mesmo, mas parecia que as últimas palavras dela haviam tirado o resto de forças que ele talvez tivesse.

- Senta Nick... Por favor.

Ele sentou na ponta do sofá, meio perdido, como se nunca estivesse estado ali e não fosse pelo fato de ter estado o tempo todo procurando pelo olhar de Alicia, ela diria que ele estava com medo, mas não era isso que ele demonstrava. Receio? Surpresa?

- Eu passei pela experiência mais assustadora da minha vida. Nunca achei que pudesse me sentir tão indefesa e incapaz algum dia. Imaginar por um segundo que eu poderia ter perdido a Cassie me deixou fora de mim, fiquei em um estado de choque completo, num beco sem saída e tudo que eu mais queria era sair dali com ela totalmente a salvo. Foram as vinte e quatro horas mais horríveis que eu já vivi. E sabe qual foi a primeira coisa que eu perguntei quando consegui falar alguma coisa?


Alicia ainda segurava as lágrimas, Nick não. Os olhos azuis estavam embaçados, mas permaneciam fixos nos dela.

- Eu perguntei por você Nickolas e com certeza você não sabia disso porque não estava lá. De todas as drogas de vezes que eu precisei de você, justo naquele momento você faltou! Mas eu não podia ficar sofrendo com isso, eu tinha uma filha que precisava mais de mim, eu tinha uma família preocupada com a nossa saúde, que também estava desesperada atrás de você, me perguntando o que de tão importante o pai da minha filha precisava fazer que ainda estava com o celular desligado... E mais uma vez eu precisei fingir, omitir, mentir. Mais uma vez eu construí uma história só minha, com um monte de baboseiras pra contar enquanto eu ficava sofrendo, gritando por dentro.

Nickolas permanecia parado, engasgado e parecia que nada que dissesse poderia concertar o que Alicia estava sentindo. Ele sabia que dessa vez o erro poderia ser irreversível e a pouca esperança que tinha antes de chegar ali estava se esvaindo junto com as lágrimas que cintilavam no seu rosto.

- Foi a pior das vezes, mas eu já deveria estar acostumada. Tudo que eu faço nos últimos anos é me omitir, Nick. Isso é horrível, é cruel comigo mesma e eu sempre soube disso tudo, o que em nada mudou essa situação. Eu nunca tive completo controle de nada quando você estava envolvido na história, foi assim desde o começo, eu perco a noção, eu fico ferida e não ligo, não me importo de juntar todos os caquinhos e recomeçar como se nada mais importasse dos momentos que posso estar com você.

Ally se desviou do olhar dele pela primeira vez desde que começará a falar.

- Isso tudo porque eu... eu amo você, Nickolas. Eu o amo mais do que poderia imaginar que um dia amaria alguém, de uma forma insana e inexplicável. Meu Deus, quanto tempo eu levei pra criar coragem de dizer essas simples palavras...

Nick limpou seu rosto e segurou Alicia pelo queixo. Os olhos dela estavam brilhando, com um pouco de vergonha, mas brilhantes e sinceros.

- Repete isso me olhando nos olhos.

Ela ficou quieta, sem ousar respirar. Mesmo que quisesse, duvidava que fosse conseguir repetir aquilo tudo.

- Por favor, Alicia. Diz que me ama novamente, eu preciso ouvir isso de você, olhando pra você e tendo certeza do que estou ouvindo.

- Eu amo você, Nick.

Ele suspirou e fechou os olhos como se fosse embalado por sua música favorita.

- Eu cheguei aqui pensando que as coisas não tinham mais solução pra nós dois, mas acho que me enganei.


Nick conseguiu colocar um sorriso nos lábios, o primeiro depois daquela semana terrível de noites mal dormidas e de horas grudado ao telefone, tanto esperando por uma ligação dela quanto telefonando pra qualquer um que pudesse lhe dar notícias de como ela estava.

- O fato de eu te amar não muda muito as coisas por aqui, Nickolas.

- Minha vez de falar. Por favor, Ally.

Ela fez um breve aceno positivo com a cabeça, era melhor que ele falasse antes que ela seguisse em frente. Alicia mal acreditava que depois de tanto tempo finalmente tinha se declarado de verdade pra Nick. Foi difícil, mais difícil do que ela imaginava, não por ter dito o que dissera, mas por tudo que precisou acontecer pra que ela tomasse essa decisão.

- Eu sei que minha atitude egoísta dessa vez foi longe demais. Eu faltei não só com você, mas com a Cassie também e isso é imperdoável. Nada do que disser vai justificar ou diminuir a sua dor, eu sei Ally, mas eu passei uma semana horrível também. Me sinto péssimo ainda, como se nada que eu faça pelo resto da minha vida possa reparar isso. E talvez não haja uma solução mesmo. Quando o AJ finalmente conseguiu falar comigo e me disse tudo que tinha acontecido eu quase enlouqueci, eu queria ver você, ter certeza que você estava bem, eu queria dizer que fui um idiota, mas você já sabia disso, não tinha muito que ser dito ou feito, porque outras pessoas já haviam feito o que eu deveria fazer, outras pessoas já estavam cuidando de você e da Cassie enquanto eu ficava por ai feito uma criança teimosa, pensando que você era orgulhosa demais pra me procurar, pensando que você deveria estar por ai com.... com outros pessoas.

Nick levantou e estava andando no pequeno espaço da sala, bem na frente de Alicia que não sabia muito bem o que pensar, estava confusa, como se uma alavanca tivesse sido acionada e agora eles estivessem voando pra um lugar muito desconhecido, afinal o jogo limpo e sem rodeios não era ao que eles estavam habituados.


- Mas como sempre eu estava errado, e como sempre eu acabei magoando quem não merecia. Eu me senti tão grato por vocês duas estarem bem em um primeiro momento que não imaginei como isso tudo deve ter sido difícil pra você. Lilly precisou gritar bastante comigo pra que eu começasse a ser um pouco menos egoísta. Eu quase enlouqueci ela e o AJ pra que me deixassem ir até a casa dos seus pais, até que ela me mandou deixar de ser babaca e me colocar no seu lugar, que eu nunca havia sido homem suficiente pra você, mas que o mínimo que eu poderia ser era um bom pai pra Cassie.

- Eu não sabia disso....

- Eu sei que não. E aposto que estou encrencado com a Lilly por estar lhe falando isso uma vez que ela me fez jurar que jamais contaria essa história pra você, mas já que estamos sendo sinceros um com outro, preciso confessar que só depois dessa conversa com ela que eu consegui começar a pensar no quanto você deveria estar mal com tudo isso. Me desculpa, Ally, sei que deve ser uma decepção ainda maior pensar no quanto eu tenho sido egoísta, talvez mais do que você imaginasse.

Um pequeno silêncio se fez entre eles. Nick não saberia dizer o que Alicia estava pensando, mas o que quer que fosse não estava transparecendo em seus olhos, como quase sempre acontecia.
Ele decidiu deixar que ela pensasse um pouco, sentou novamente do seu lado, sentindo um alívio enorme no peito, uma pequena luz no final de um túnel que nem ele mesmo estava enxergando estar.

- Eu acho que não consigo mais me surpreender com nada que se relacione a você, Nick.

- Negligenciei você por muito tempo, Aly. É horrível admitir isso bem aqui na sua frente, mas...


- Eu sou a pessoa que melhor sabe disso, e a única que sentiu isso na pele. Você não precisaria estar admitindo pra tornar tudo mais real. Não pra mim. Eu sempre disse não sou nenhuma adolescente boba, incapaz de se defender, se eu verdadeiramente quisesse manter você longe de mim eu sei que conseguiria, mas eu não quero. Eu nunca quis... e é aqui que esta o grande mistério de tudo.

- Eu...

- Eu não quero que você me prometa nada, Nickolas. Eu não quero mais falsas promessas, já conseguimos causar grandes danos sem elas.


- Mas Alicia...

- Nick, eu só quero que você prometa que não vai mais ter um ataque infantil como aquele até que a nossa filha nasça. Por ela, faça isso por Cassie. Não posso mais sofrer fortes emoções, não posso ficar pensando no que falar, escondendo meus sentimentos, minhas vontades... Por isso eu falei tudo que falei hoje.

- Mas as coisas não são assim, Aly. Seus sentimentos não são menos importantes do que...

- Me escuta Nick, por favor. Eu só quero uma coisa: a sua palavra de que até o final dessa gravidez você ficará do meu lado, porque eu preciso de você comigo, eu sinto que a nossa filha precisa, que isso vai ser importante pra ela de alguma forma... Pode ser que eu esteja fantasiando, que isso tudo seja só coisa da gravidez, mas a semana que passou foi como um enorme buraco na minha vida. Parecia que comida, água, o carinho dos meus pais, os cuidados médicos, nada satisfazia a mim ou a Cassie. Eu sentia uma vontade louca, um desejo ecoando dela pra mim que você estivesse por perto. O que eu sinto por você é muito menos importante do que qualquer coisa que envolva nossa filha, entendeu? Eu venho lidando com isso tudo a muito tempo pra querer que agora um milagre aconteça. Eu não sei se acredito mais em milagres.

Nick não sabia o que dizer. Alicia estava certa por um lado, nada era mais importante do que Cassie naquele momento, mas tudo que ela havia dito não poderia ser ignorado, ninguém ignorava o fato de ser amado por alguém com quem estava prestes a ter uma criança.


- Eu não posso ignorar o que eu esperei ouvir de você por tanto tempo, Alicia.

- Como se você não soubesse disso, Nickolas.

- Como se não fizesse toda diferença do mundo ouvir você pronunciando essas palavras.

- Achei que hoje nossa conversa seria sincera.

- Eu não tiro sua razão de não achar que pra mim isso não importaria, mas acredita em mim, importa e muito.

Era quase impossível não acreditar em um homem como ele, Alicia precisava mais do que toda a força que já tinha reunido pra não ficar desesperada, pra não implorar que ele também dissesse que a amava.

- Tudo bem, não vamos mais falar sobre isso, hoje ao menos. Me da um abraço?

- Vem cá. Eu senti tanto sua falta.

Assim que se viu nos braços de Nickolas, ela sentiu tudo que esperava sentir: conforto, segurança e a certeza de que tinha feito a coisa certa.

- Aly... eu sei que isso não muda em nada tudo que aconteceu, mas eu preciso me desculpar. Desculpa por ter sido tão infantil e ter colocado tudo a perder, eu fui muito egoísta, mas perdi o controle quando vi aquele cara na sua festa... eu sai de mim!

Alicia tremeu lembrando a cena, queria mais do que tudo esquecer aquele dia.

- Tudo bem Nick, passou.

- Você.... falou com ele depois?

A voz dele estava carregada de mágoa. Ela sabia que nada adiantaria omitir pra ele os fatos, mais cedo ou mais tarde tudo poderia vir à tona.

- Peter foi ao hospital, mas eu não vi ele.

- Eu me sentiria melhor se você não precisasse mais pronunciar o nome dele, Aly. Por favor. O AJ me disse que ele foi ao hospital. Isso também me deixou mal... Bom, talvez essa não seja bem a palavra certa pra descrever como eu estava.

Ele suspirou e Alicia achou melhor não falar mais sobre aquilo, o assunto já estava mais do que encerrado.
Naquela noite, ele fez questão de ficar ali e cuidar pra que Alicia não fizesse nenhum esforço desnecessário. Queria cuidar dela, um pouco que fosse, mesmo que tardiamente.


***





- Como é? Você disse pro Nick que amava ele? Alicia???

- Quer parar de berrar, Lilly! Nós estamos em um local público!

No dia seguinte da sua conversa, assim que Nickolas foi embora, Aly ligou pra sua amiga e a convenceu de que estava ótima pra um almoço fora de casa. Precisava renovar os ares, sentir-se ativa novamente, já estava cansada de ficar sendo tratada como uma criança incapaz. Mas talvez tivesse sido melhor contar toda aquela história pra Lilly em um lugar mais reservado, ela parecia estar a beira de um ataque histérico.

- E ele não disse nada? Pelo amor de Deus, o Nickolas não merece um átomo de tudo que você sente, ele é um monstro! Alicia Jones corre atrás de quem merece você. O Peter ainda está na cidade e ele sim ama você e pode ser capaz de lutar por seu amor.

- Li, quer parar com isso! Já falei pra você que o Peter não é pra mim, eu amo o Nickolas e nunca achei que o fato de dizer pra ele que o amava mudaria qualquer coisa entre nós....

- Nunca achou? Tá bom, amiga, eu vou fingir que acredito nisso.

- Quer, por favor, me ajudar ao invés de me deixar mais nervosa?

- Eu tento ajudar você a malditos três anos, Alicia, mas você nunca me ouve. Tudo isso que você disse pra ele já deveria ter vindo à tona há muito tempo. Preciso concordar com o Nick quando ele diz que faz toda diferença saber da sua boca que você o ama porque faz mesmo e eu sempre te disse isso.

No fundo ela sabia disso, mas o medo de perdê-lo sempre acabava por vencer a vontade de esclarecer tudo.

- E você sabe por que eu não fiz isso antes.

- Medo. Francamente, Aly...

- Sim, medo. Medo de perdê-lo, medo de ficar sofrendo mais do que eu já sofria, essa é a verdade. Além do mais o que está feito, está feito.

- Ok, não podemos voltar no tempo e mudar as coisas.

- Isso mesmo!

- Mas e daqui pra frente, como vai ser?


- Vai ser o que estava sendo, Lilly. Não quero mais sofrer, nós estávamos bem como estávamos. Eu não menti pro Nick, eu disse tudo que disse por que precisava fazer isso, por mais medo que eu tenha de que tudo fuja do meu controle agora, eu tenho que pensar na minha filha. Ficar ocultando isso dele estava acabando comigo, mesmo sem que eu percebesse.

- Pode ter certeza de que mais do que ninguém, eu torço pra que tudo fique bem entre vocês dois. Do jeito que for, Aly, que fique bem, você merece.

- Eu sei que vai ficar tudo bem. Eu fiz o melhor pela minha filha, de alguma forma eu sinto isso.

- Talvez Cassie tenha maior poder de persuasão do que eu, mas seja por quem for, você agiu bem jogando limpo com ele.

- Poderia ter sido diferente né? Se eu tivesse jogado limpo com ele desde o começo, quero dizer...

- Poderia, mas nós nunca vamos saber isso e não vai adiantar nada ficar lamentando o que não aconteceu.

Assim que voltou pra casa, Alicia começou a escrever um email pro Peter, uma vez que ele vinha enchendo sua caixa de entrada com pedidos de desculpas e pedidos de retorno. Por mais que Aly gostasse dele e se sentisse lisonjeada com tudo que ele demonstrava sentir por ela, não tinha como manter qualquer tipo de contato ou sequer pensar em ser educada com ele, uma amizade jamais existiria entre duas pessoas quando uma das partes nutria sentimentos diferentes, ela sabia disso por experiência própria.

‘Peter,

Não quero mais falar sobre nada que tenha acontecido depois daquela noite. Prefiro esquecer aquelas lembranças que são tão tristes pra mim, por isso peço pra que você não fale mais sobre isso comigo.
Na verdade, preciso pedir pra que você não fale mais comigo... me perdoa, mas não sei uma forma menos invasiva de dizer isso.
Sempre deixei claro que amo o Nick e que as coisas não vão mudar. Certo ou errado, é ele que eu amo, ele é o pai da minha filha.
Mais uma vez peço desculpas. Você foi incrível comigo e tenho certeza que seríamos ótimos amigos, mas acho que nesse momento não é algo possível, nem eu e nem você estamos preparados pra nos encararmos como simples amigos.
Lamento que tenhamos nos conhecido nessa situação, de verdade. Espero que você entenda e acredite que eu nunca menti quando dizia gostar muito da sua compania, porque é verdade, só que nesse momento eu preciso optar pelo que é melhor pra mim e pra Cassie, e bem, acredite ou não tudo que pode me fazer bem agora é estar com Nickolas.
Espero que um dia nos encontremos por ai e dessa vez sem maiores imprevistos.
Cuide-se.

Alicia Jones.’




Não havia muito mais a ser dito além disso, e Aly nunca recebeu um email de resposta – o que ela considerou bom sinal – o silêncio muitas vezes guardava segredos que não deveriam ser revelados, ela havia guardado sentimentos demais pra si mesma durante três anos e sabia o que escondia um coração apaixonado.



Red Sky - Capítulo 13
analusantos

Trilha Sonora

‘Ashlee Simpson – Pieces of me’

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- É só uma festa. É só uma festa. É só uma MALDITA festa.

 Ally não parava de repetir isso nos últimos dias cada vez que sua mãe ligava informando sobre alguma coisa.

Anne e Nickolas garantiram que ela não precisaria fazer nada, eles tomariam conta de tudo, dos convidados a decoração.

E de fato ela não precisou se preocupar com nada, mas mesmo assim continuava não querendo festa alguma.

Hoje era véspera do bendito aniversário e o celular dela não parava de tocar desde as oito da manhã. Era Peter.

Agora mesmo, sentada na sua mesa na Publit, ela ficava nervosa só de pensar nisso. Ela não queria ser mal educada e não convidar Peter pra ir até a casa dos seus pais, mas também não queria começar uma briga com Nick justo agora que eles estavam tão bem.

No dia em que ele estava repassando a lista de convidados com ela pra ter certeza que não havia se esquecido de convidar ninguém, Alicia teve uma pequena demonstração do que a presença de Peter poderia causar:

 

- Não esquecemos ninguém, Ally?

 

- Huuum... Não... Ah! Na verdade acho que Peter vai estar por aqui no dia. Seria legal...

 

- Não, não seria.

 

- Mas Nick a festa é minha! Convido quem eu quiser.

 

- NÃO Alicia. Quero aquele engomadinho bem longe de você. Sem brigas, sweet. Ele pode estar aqui ou na China, não vai ser convidado nem pra fazer uma ligação pra você.

 

- Deixa de ser infantil Nickolas. Ele nunca fez nada pra toda essa animosidade.

 

- Você é minha garota. Não preciso de nenhum inglesinho na sua festa.

 

E com esse argumento ele calou Alicia, ao menos pelo resto daquela noite. E no fundo ela tinha esperanças que Peter não viesse depois dela ter ignorado os emails que ele tão insistentemente mandava, mas ele havia chego hoje cedo e ela não sabia mais como fugir daquela situação, precisava falar com ele.

 

- Max, eu vou sair pra almoçar.

 

- Mas agora, Ally? Nós temos reunião em trinta minutos.

 

- Eu sei, mas preciso sair agora ou não vou conseguir resolver uma coisa muito importante. Hoje nós vamos sair daqui muito tarde.

Enquanto comia no restaurante próximo a agência, Ally criava coragem pra fazer a ligação pra Peter. Não tinha muito tempo e também não podia ser tão difícil, afinal ele sempre soube que Nickolas estava em primeiro lugar na vida dela.

Antes mesmo que ela pudesse terminar de discar pra ele, sentiu uma mão em seu ombro.

 

- Se é pra mim essa ligação, não precisa continuar.

 

- Meu Deus, Nickolas!

 

Alicia fechou depressa o telefone deixando-o de lado.

 

- Não precisa interromper a ligação por minha causa. Achei que você não ia ter tempo de almoçar fora hoje...

 

- É, eu sai meio fugida de lá. Estava justamente ligando pro Max pra avisar que já tô voltando. E o que você tá fazendo aqui?

 

- Passei aqui perto e resolvi ver se você não poderia mesmo almoçar fora, mas pelo visto perdi a viagem.

 

Nickolas parou observando Alicia dentro dos olhos. Estava desconfiado que ela havia evitado que ele passasse por lá durante o almoço porque pretendia arranjar um jeito de convidar Peter pra festa de aniversário.

 

- Daqui a pouco vai começar uma reunião... Queria ficar aqui! Você devia ter me ligado antes de vir.

 

- Desculpa, Ally. Mas é sempre bom te ver, mesmo que rápido.

 

Era incrível como Alicia conseguia sentir culpa por estar omitindo alguma coisa pra Nickolas. Justo pra ele que vivia mentindo e omitindo coisas pra ela, chegava a ser cômico.

 

- Eu vou indo...

 

- Tá tudo bem, Ally?

 

Nick tinha um meio sorriso quase cínico no rosto e Alicia percebeu que aquela passada pela Publit no seu horário de almoço não fora bem coincidência.

 

- Sim Nick! Eu só preciso realmente voltar pro meu trabalho.

 

- Calma Alicia! Eu só fiz uma pergunta, não tem motivo pra toda essa irritação, não é mesmo?

 

- Tchau Nickolas.

 

- Heeeeeei!

 

Nick a segurou pelo braço e roubou um beijo.

- Não fuja de mim sem um beijo. Nunca.

 

Ally riu entre seus lábios.

 

- Ok Senhor Carter.

 

- Quando sair da Publit me liga. Quero ver vocês duas mais tarde.

 

Ally ficou presa em reuniões até as oito da noite, sentindo uma exaustão e desejando sua cama como nunca. Tinha dias, como esse, em que ela pensava em seguir o conselho da mãe e simplesmente não ir trabalhar até que Cassie tivesse grandinha, mas era só um pensamento rápido.

Trabalhar era uma alegria pra ela, já havia conversado com Harrison e ela continuaria contribuindo de casa enquanto estivesse no período de licença maternidade, porque não queria ficar longe de tudo.

Imaginava que no início não teria tempo algum de sobra, mas aos poucos se acostumaria com a nova rotina com Cassie.

 

- Nick? Tava dormindo?

 

Ally telefonou pra ele depois de um banho longo e relaxante.

 

- Eu apaguei aqui no estúdio... Chegou agora?

 

- Sim. Fiquei em reuniões o resto do dia, não agüentava mais.

 

- Muito cansada pra mim?

 

- Nunca.

 

- Então nem pisca que eu já tô chegando.

 

Nickolas era incrivelmente romântico pra alguém tão canalha, mas Alicia aprendeu com o tempo que isso também fazia parte do pacote. Era muito mais fácil cair de joelhos por alguém que além de tudo era romântico.

 

- Cassie... a mamãe vai fazer uma coisinha agora que vai ficar só entre nós duas, ok? Papai não pode saber.

 

Ally sentiu o telefone esquentando entre suas mãos. Como ligar pra uma pessoa educada e amável como Peter pra simplesmente dizer que ele não estava convidado pra sua festa?

Talvez eles pudessem se encontrar outro dia com mais calma. E bem longe de qualquer lugar que Nick pudesse estar próximo também.

 

- Alô?

 

- Oi Peter! Aqui é...

 

- Alicia! Não acredito que finalmente você retornou uma ligação minha.

Será que todo mundo queria fazer ela sentir culpa hoje?

 

- Desculpa a demora.

 

- Pensei que precisaria caçar você por Los Angeles.

 

- Final de mês na Publit é sempre uma loucura. E claro, eventualmente estar grávida de quatro meses também consome um pouco do meu tempo.

 

Peter sorriu imaginando como Alicia deveria estar mais linda com a barriga começando a crescer.

 

- Eu imagino. Mas espero que você tenha um tempo na agenda pra eu entregar o seu presente de aniversário.

 

Mais culpa.

 

- Claro! A gente pode marcar alguma coisa... Você fica até quando?

 

- Até o início da próxima semana.

 

- Então nós podemos marcar um almoço.

 

Alicia quase tinha esperanças que ele não quisesse vê-la no dia do seu aniversário.

 

- Ally, na verdade eu já sei sobre a festa na casa dos seus pais e também já sei que eu não seria muito bem vindo nela.

 

Chris linguarudo! Alicia sabia que ele acabaria fazendo o papel de leva e traz. O rosto dela parecia em chamas.

Agora além de culpa sentia vergonha por estar sendo tão infantil e submissa a ponto de entrar no joguinho ridículo do Nick.

 

- Peter, eu nem sei o que dizer. Me sinto tão mal com tudo isso.

 

- Eu sei que sim. Não se preocupa, não vou colocá-la em uma situação desconfortável.

 

- Obrigada e me desculpa mais uma vez.

 

- Não precisa se desculpar. Se o Carter não se sente seguro com a minha presença, eu só tenho motivos pra ficar feliz.

 

- Mas...

 

- Ally, tá tudo bem. A gente se fala no dia do seu aniversário, ok?

 

No final da ligação Alicia estava sentindo mais remorso do que alívio. Peter era tão legal, gentil e ela gostava muito da compania dele. Não era justa e nem correta àquela situação.

Ela estava decidida a encontrá-lo antes que ele retornasse pra Londres e Nickolas nem precisaria ficar sabendo.

Mas Ally logo esqueceu aquele assunto porque Nick chegou e fazer amor com ele tinha um poder incrível de acabar com qualquer outro pensamento.

No sábado, dia do aniversário de Alicia e também da festa, ela saiu pra comprar uma roupa pra mais tarde, porque durante a semana havia sido impossível, trabalhara como há muito tempo não fazia.

Entre uma ligação e outra de felicitações – entre elas, muitas de sua mãe, do Nick e de Lilly ou AJ – ela achou o vestido perfeito. Era rosa antigo, com mangas morcego e transpassado na frente. Alicia se sentiu bem com o tecido leve deixando sua barriga confortável.

Ela passou o dia todo sem receber visitas, preferiu assim. Nem quando Nickolas a convidou pra um almoço ela quis sair. Era seu primeiro aniversário com Cassie, seu primeiro aniversário como mãe e aos 26 anos, Alicia decidiu comemorar de um jeito diferente. Além do mais havia uma festa à noite e lá poderia receber todos os abraços de quem mais amava.

Mais tarde, enquanto se maquiava, Ally sentiu uma sensação estranha na barriga, como borboletinhas batendo asas dentro dela. Uma lágrima veio aos seus olhos quando entendeu o que estava acontecendo: pela primeira vez conseguia sentir os movimentos de Cassie.

Não chegava a ser um chute e duvidava que pudesse ser algo que alguém além dela fosse perceber, mas foi o suficiente pra deixá-la mais emocionada ainda.

Já estava pronta quando Nick passou para buscá-la e quase não conseguia acreditar como ele ficava cada dia mais lindo aos seus olhos. Dizem que a paixão deixa todo mundo meio cego, mas não podia ser o caso, Nickolas era lindo aos olhos de qualquer pessoa.

 

- Pra aniversariante mais linda do mundo.

 

Ele segurava um buquê de rosas vermelhas, vestia camisa e calça social, elegante, mas despojado. Alicia poderia apostar que qualquer mortal daria a própria alma pra ter toda aquela sensualidade e beleza.

 

- Nick, são lindas. E você também... é lindo, eu quis dizer.

 

Nickolas riu quando ela ficou ruborizada por tecer um simples elogio. Ele se aproximou e lhe roubou um beijo.

 

- São vinte e cinco rosas, uma pra cada ano que você já viveu. A vigésima sexta ta aqui.

 

Um único botão de rosa delicado e pequeno estava separado de todo o resto do buquê. Ally sentiu o peito inflar diante da delicadeza daquele presente. Era simples e não duraria para sempre, mas a lembrança daquele pequeno gesto ficaria guardada.

Seria possível amar mais ainda aquele homem sem acabar doente com tanto sentimento?

 

- Eu amei Nick. De verdade. A noite já esta começando incrivelmente bem.

 

Assim que chegaram à casa dos seus pais, Alicia já percebeu a grandeza de uma festa organizada por sua mãe. Por mais simples que ela pudesse dizer que seria, nada que envolvesse Anne Jones poderia ser associado a palavra simples.

O jardim estava todo rodeado de mesas, decoradas com arranjos delicados de flores. Circulando entre os convidados, garçons de terno branco distribuíam champagne. Alicia não saberia dizer ao certo quantas pessoas haviam ali, mas era muito mais do que ela havia imaginado. Ela sabia que a mãe não deixaria a data passar despercebida, ainda mais com a chegada de Cassie servindo como um pretexto extra para comemorações.

Assim que os amigos e parentes a viram, uma salva de palmas foi iniciada e Ally sentiu o rosto ficar vermelho. Logo iniciaram os cumprimentos de todos e no meio de todos aqueles abraços, acabou perdendo Nick de vista.

 

- Mãe! Isso tudo é incrível. Nem acredito que fez tudo sozinha.

 

- Que bom que você gostou filha. Contei com muita ajuda do seu pai... e do Nick também.

 

Ally abraçou Anne com força, torcendo pra que ela pudesse sentir o quanto estava grata.

 

- Eu amo você mãe. Obrigada por tudo que tem feito por mim.

 

- Filha, vem aqui. Nós temos um presente e queremos que você o veja antes de tudo.

 

Alicia subiu com os pais até o segundo andar da casa, onde ficavam os quartos e o escritório do pai. Ali, onde um dia havia sido o seu antigo quarto, estava o presente e ela mal pode acreditar no que via.

Estava tudo reformado, sua antiga cama de solteiro dera lugar a uma linda cama de casal e um berçinho. No lugar da sua escrivaninha, havia uma cômoda e um roupeiro para roupas de bebê. Um enorme urso e outros brinquedos decoravam o quarto que um dia tinha sido branco, mas agora tinha muito cor de rosa. Ally mal conseguia falar, o choro estava preso na garganta.

 

- Nós sabemos que você vai continuar morando no seu apartamento, mas queríamos muito que você tivesse um cantinho novo para Cassie aqui também.

 

- Pai, eu amei. É um presente lindo. Vocês dois são os melhores avós do mundo.

 

- Depois traz o Nick aqui pra ver como ficou. Ele ajudou com tudo por aqui também.

 

- Sério?

 

- Sim. Na verdade foi ele quem comprou quase todos esses brinquedos.

 

- Falando em mim, Anne?

 

Nickolas estava parado na porta observando os três Jones emocionados com o primeiro dos quartos que Cassie teria. Ele não havia conseguido convencer Alicia de ir morar na sua casa em definitivo, tudo que ela prometeu foi que passaria longos períodos por lá após o nascimento da filha, mas ainda assim manteria seu apartamento.

 

- Nick! Não ficou tudo lindo?

 

Alicia o pegou pela mão, conduzindo ele pra dentro do quarto.

- Ficou sim Ally. Tenho certeza que Cassie vai amar vir pra cá.

 

- Obrigada você também. Os brinquedos são todos lindos. Eu tô muito feliz.

 

- Isso que importa...

 

Eles estavam abraçados e nem perceberam quando Charlie e Anne saíram dali. Nickolas estava tentando de todas as formas mostrar pra Alicia o quanto queria que as coisas dessem certo.

Ele desejava uma família de verdade pra Cassie e estava se empenhando para isso, sabia que dos dois ele era o menos preparado para aquela nova vida.

 

- Ally, eu quero aproveitar pra entregar o meu outro presente. Pensei em alguma coisa que simbolizasse essa fase nova que nós estamos vivendo e que também fizesse você lembrar de mim.

 

Nick foi tirando do bolso uma caixinha pequena e azul. Alicia ficou em choque quando abriu e viu o anel mais bonito que já havia posto os olhos. Uma única pedra divinamente lapidada brilhava em um azul quase translúcido e que era incrivelmente semelhante com a cor dos olhos dele.

 

- Nick... esse azul é exatamente da cor dos seus olhos. É incrível...

 

- Que bom que você também acha isso. – Nickolas a beijou levemente nos lábios – Vai fazer com que você sempre se lembre de mim...

 

- Como se eu precisasse de lembretes.

 

- E espero que lembre aos outros que você é minha.

 

- Sou?

 

- Não me provoque Alicia Jones.

 

Ele empurrou Alicia até a cama, debruçando-se por cima dela, procurando pelos lábios, sugando-os com fome. Ally correspondeu ao beijo, segurando Nickolas pelos cabelos, desejando que ele não se afastasse jamais.

Ela gemeu baixinho quando sentiu a ereção dele entre suas pernas e Nick apertou com força suas coxas expostas.

 

- Nick, a gente precisa descer.

 

- Acho que não, Ally. Nós podemos ficar aqui e estrear o presente dos seus pais.

 

Alicia riu e voltou a beijá-lo. Era quase um pecado não ceder ao desejo de ambos naquele momento. Precisou de mais força de vontade pra levantar daquela cama convidativa.

 

- Você é má, Alicia. Muito má.

 

- Vamos Carter. Mais tarde eu faço questão de agradecer os presentes que você me deu.

 

Eles voltaram pro jardim onde Ally conseguiu conversar com todo mundo. Entre os amigos dos pais dela, havia alguns que não via a anos e todos queriam saber sobre Cassie.

Enquanto conversava e dava atenção pros convidados, Alicia foi relaxando e divertindo-se. No final, não havia motivos pra todo aquele pânico.

 

- Lilly! Alex!

 

- Finalmente Alicia Jones vai nos dar a honra da sua compania.

 

- Como você é bobo, AJ! Tem tanta gente aqui que eu nem sei por onde começar a conversar.

 

- Meu Deus. Que anel lindo é esse?!

 

- Não é lindo, Lilly? Eu ganhei do Nick!

 

- É, ele me surpreendeu...

 

- Que bom que você gostou Ally! O Nick tava com os nervos em frangalhos achando que você não ia gostar.

 

- Você sabia, Jay?

 

- Lógico, sweet! E disse pra ele que você iria adorar.

 

- Qual mulher não gostaria? É lindo, amiga!

 

- Eu sei... e tem um azul que vai fazer eu me lembrar sempre dos olhos dele.

 

- Você é muito boba, Alicia!

 

- Não de ouvidos pra ela. Você não é boba, é encantadora.

 

Ally ouviu a voz mais linda do mundo pra ela, bem ao pé do seu ouvido e como sempre, ficou arrepiada.

 

- Adoro como você sempre reage ao som da minha voz.

 

- Acho que isso não vai mudar nunca.

 

Os quatro amigos ficaram conversando durante um tempo até que Nickolas e AJ saíram da mesa pra Alex fumar.

 

- Ally, e o Peter? Falou com ele hoje?

 

- Não... achei estranho ele não me ligar, mas enfim, ele deve ter ficado chateado comigo.

- E com razão! Eu teria vindo só por desaforo.

 

- Isso porque você é uma esquentadinha.

 

A noite continuou agitada e cheia de ótimas conversas. Ally sentiu falta de Antonhy, seu primo foi um dos poucos parentes que não estava presente, mas sabia que ele provavelmente estaria trabalhando demais no restaurante, e de fato, quando ele ligou mais tarde para felicitá-la foi exatamente isso que falou, mas prometeu aparecer assim que Cassie nascesse.

Era quase meia noite quando um enorme bolo foi trazido por dois garçons e todos cantaram parabéns pra Alicia. Bem na frente de todos os convidados, estavam os seus pais e Nick com um sorriso lindo no rosto.

Naquele momento, tudo que ela desejou foi que sua felicidade pudesse ser eterna e que todas as coisas difíceis já tivessem acontecido em sua vida, mas antes mesmo que pudesse terminar seu desejo ou sequer de sorrir direito pra foto que alguém estava tirando, ela avistou Peter chegando entre os convidados, uma caixa de presente na mão, os olhos exibindo uma expressão feliz.

Foi tudo muito rápido, mas Ally poderia jurar que Nickolas atravessou o jardim em segundos e sumiu com Peter pra dentro da casa. Ela não percebeu se alguém mais havia reparado, nem mesmo conseguiu enxergar se Alex, Lilly ou Max estavam por perto pra que pudesse avisá-los do que estava acontecendo, então decidiu sair até a sala com a desculpa de que precisava ir até o banheiro. Bastou atravessar a porta de vidro pra ouvir os gritos.

 

- Tira as mãos de mim, Carter!

 

- Eu já perguntei, o que você está fazendo aqui!?

 

- É aniversário da Alicia, tá lembrado?

 

- Ora seu...

 

-Nick! Não!

 

Nickolas parou a dois passos de Peter, que já havia largado o presente no chão.

 

- Peter, você disse que não viria.

 

- Eu só disse que não deixaria você em nenhuma situação constrangedora. Nada mais.

 

- Você falou com ele Alicia?

 

Nick virou-se pra ela, os olhos tomados de mágoa, como se ela tivesse cometido um grande crime, como se tivesse quebrado uma promessa importante.

Ela ficou sem fala, completamente muda. Precisava encontrar palavras pra acabar com aquilo logo, mas só conseguia ver aquela situação, sem pensar em nada.

Queria dizer que Nick estava sendo infantil, mas sabia que só o irritaria mais, e precisava que as coisas ficassem calmas.

 

- Deixa Alicia de fora disso.

 

As palavras de Peter foram como uma bomba relógio explodindo e antes que Alicia conseguisse pensar em alguma coisa, Nickolas deu um soco nele.

 

- Meu Deus!

 

Em um segundo ela estava entre os dois.

 

- Nick, para com isso.

 

- Não me diga o que eu devo ou não falar com ela, seu imbecil! E você Alicia, vai defender esse cara? Eu não pedi pra você ficar longe dele?

 

- É meu aniversário Nickolas! As pessoas querem falar comigo. E eu... Eu precisava falar pra ele que...

 

- Falar o que? Que queria muito que ele saísse da cidadezinha dele e viesse pra cá ficar atrás de você?

 

Nickolas estava vermelho, os olhos transbordando ira e Ally ficou com medo que alguém entrasse ali e visse o queixo de Peter sangrando.

 

- Vamos parar com isso, por favor. Ninguém é criança aqui!

 

- Sinceramente, eu pensei que você fosse mais esperto, Carter. Isso só me da mais vontade de lutar por ela, sabia?

 

- PETER, CALA A BOCA! Não arranja mais confusão, vai embora daqui, por favor.

 

Nesse instante, AJ entrou na sala e sem entender nada viu Peter saindo.

 

- O que...?

 

- Nada, AJ. Nos deixa sozinhos, eu quero conversar com a Alicia.

 

- Cara, pega leve...

 

- Qual é! Todo mundo vai querer me dizer como eu devo ou não tratar a mãe da minha filha?

 

- Tá tudo bem, Ally?

 

- Tá sim, Alex. Nick vem aqui, vamos até a cozinha.

 

Alicia saiu na frente tentando manter a calma, ela não queria discutir com ele.

 

- Nick...

 

- Escuta Alicia, eu vou fazer uma única pergunta: você ligou pra ele?

Talvez ela pudesse mentir como ele tantas vezes fazia, mas bastou um segundo de vacilo, um único segundo olhando nos olhos dele pra Alicia perceber que não poderia mentir.

 

- Liguei sim, mas escuta!

 

- Eu não preciso escutar mais nada.

 

Eles estavam no meio da cozinha, a mesa entre eles.

 

- Precisa sim, Nickolas! Eu não sou nenhuma criança pra você dizer com quem eu posso ou não falar.

 

- Você não ouviu o que ele disse? Ele quer você Alicia Jones! E não é pra ser amiguinha dele!

 

- E daí? Só você pode andar por aí com outras pessoas que não te querem só como amiguinho? Novidades Nickolas: eu TAMBÉM sou desejada por outras pessoas!

 

Nick soltou uma gargalhada sem humor nenhum.

 

- Parabéns, Alicia Jones! Fique com eles e me esquece.

 

- Ótimo!

 

Eles se olharam por mais um momento nos olhos e então ele saiu. Alicia ficou parada, sem ar, levando a mão instantaneamente à sua barriga e sentindo lágrimas nos seus olhos. Não demorou muito pra que Lilly entrasse e abraçasse a amiga em silêncio, sabia que nada que fosse dito naquele momento poderia consolá-la.

 

- Sua mãe ta preocupada. Você quer voltar pra lá? Eu posso dizer que você está meio indisposta ou cansada...

 

- Não, eu vou voltar. Não é justo com minha mãe que organizou tudo com tanto carinho. Só me ajuda a retocar a maquiagem.

 

Ally conseguiu ficar mais um tempo por lá, o telefone nas mãos esperando por uma ligação que não iria acontecer, no fundo ela sabia disso. Seu pai perguntou onde estava Nickolas e ela só disse que ele havia saído.

 

- Mas saiu pra onde, filha?

 

- Uma emergência, pai. Mas ta tudo bem.

 

Certa hora ela não conseguiu mais manter o sorriso no rosto, se despediu de quem ainda estava lá e foi pro seu quarto, decidiu ficar na casa dos pais. A solidão do seu apartamento hoje não seria boa compania.

Quando estava passando pela sala, viu o presente que Peter lhe trouxera no canto de um dos sofás e ficou com uma raiva absurda. Porque ele foi aparecer lá e estragar tudo?

Bem ao lado do presente, estava um telefone celular que ela também reconheceu, era do Nick. Alicia imaginou que ele tivesse deixado cair na hora da briga. Sentiu certo alívio, ele não estar com o celular era uma boa desculpa que poderia dar para si mesma caso ele não telefonasse, mas também não conseguiria falar com ele.

Tentou o telefone da casa, mas caiu na caixa postal. Ela imaginava que Nick não teria ido pra lá, mas era melhor não ficar remoendo idéias sobre onde ele estaria.

Ela deitou na cama, com o vestido mesmo e desejou que um sono imediato e certeiro chegasse, mas ele não veio, tudo que estava ali com ela eram as sempre presentes lágrimas.

De repente Alicia sentiu uma forte dor na barriga e um líquido escorrendo entre suas pernas. No mesmo instante um grito saiu de sua boca e tudo ficou preto, o mundo deixou de existir e seu último pensamento Cassie.

 



Red Sky - Capítulo 12
analusantos

Trilha Sonora

‘Boys Like Girls feat Taylor Swift’ - Two is better than one

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Fazia muito tempo que Alicia não dormia tão bem, um sono profundo e calmo.
Muito provavelmente porque ela estava no lugar que considerava o mais seguro e perfeito do mundo: os braços do Nick.
Assim que acordou, ela procurou por aquela visão tão linda que era ele dormindo, bem do seu lado, como uma criança protegida, e ali estava Nickolas, todo jogado de qualquer forma entre seus lençóis.
Alicia sorriu sozinha. Foi tudo tão intenso, tão melhor do que ela esperava, ela sequer estava sentindo medo agora que acordara. Deixar as coisas seguirem seu curso, essa era a melhor decisão a ser tomada.
Não podia fugir do destino, fosse ele ficar com quem amava ou sofrer por não estar com ele, mas nos últimos meses, Aly pode ter uma certeza: Nickolas faria parte de sua vida pra sempre e agora de uma forma mais completa, com mais sentido. Cassie mudaria tudo.

 - Acordada, Bela Adormecida?

 - Oh! Pelo jeito desaprendi muito sobre você, Nick. Já acordado?

 - Que horas são?

 - Dez horas.

 - É, eu dormi pouco. Ao contrário de você que apagou rapidinho.

 - Gravidez – disse Alicia apontando pra barriga – O que me lembra também que preciso comer alguma coisa.

 - Fica aqui, vou buscar café pra você.

 - Não precisa!

 Mas ele já tinha sumido pela porta do quarto.
Porque as coisas precisavam ser tão malucas quando o assunto era os dois? Nada acontecia dentro de um padrão de normalidade. Até um dia atrás, Alicia nunca imaginaria que Nickolas estaria preparando café pra ela, ao menos não naquela circunstância. Ela já deveria estar mais do que acostumada, pensou enquanto dava uma encarada nela mesma no espelho do banheiro. Talvez os padrões de certo e errado estivessem invertidos no mundo deles.
Quando Nick voltou da cozinha, ela estava sentada na cama, olhando a agenda com os compromissos daquela semana e quase pode sentir o ar fugindo com a visão que qualquer mulher no planeta poderia desejar ver logo que acordasse: um homem lindo – e não era qualquer homem – sorridente e semi- nu, trazendo uma bandeja com tudo que ele sabia que poderia lhe agradar.

- Eu trouxe suco porque você não pode tomar café. Mas tem waffles pra compensar.

- Desse jeito vou acabar mal acostumada.

- Você merece. Principalmente depois da noite incrível.

Alicia sentiu o corpo arrepiar e suas bochechas corarem como se ele nunca tivesse feito um elogio do tipo pra ela.

- É incrível como você consegue ficar envergonhada comigo ainda, sabia?

- Acho que o tempo não vai mudar isso.

Eles estavam encarando um ao outro enquanto Nick colocava de lado a bandeja recém posta no colo dela lhe roubando um beijo.

- Eu quero tomar meu café, Nickolas.

- Depois... Eu também preciso me alimentar e não é com nada que esteja nessa bandeja.

Não demorou muito pra que Alicia e Nick estivessem novamente nus, fazendo as carícias que somente eles sabiam fazer, do jeito que eles mais gostavam.
Se existia alguma dúvida de que eles estavam realmente se acertando, ela estava aos poucos se dissipando.
Fazer amor com ele era como reafirmar a cada célula do seu corpo a ligação que havia ali. Era quase como uma bolha de ar que os envolvia e os transportava para outro mundo.
E mais uma vez, Aly quase deixou que uma lágrima rolasse, mas preferiu evitar, lembrando que na noite anterior já havia se deixado levar por aquele impulso. Seriam os hormônios da gravidez uma boa desculpa? Abraçada nele, ela pensou e concluiu que a culpa daquela lágrima era única e exclusivamente do sentimento grandioso que carregava por ele e nada mais.

- Um beijo pelo seu pensamento.

- Hun?

- No que você tá pensando, Aly?

- Ah! Nada demais...

Nickolas puxou o rosto dela até seus olhares se encontrarem.

- Nada mesmo?

Alicia rolou os olhos.

- Você precisa parar com essa mania de querer saber tudo que eu penso, sinto, imagino...

- Velhos hábitos não morrem tão facilmente.

Nesse momento, o telefone celular dele começou a tocar e Nick levantou para atender.

- Realmente, Carter, velhos hábitos não morrem tão facilmente.

Aly falou mais para si do que pra ele, pois Nick já estava na sala falando no telefone. Ela aproveitou pra tomar o suco e comer os wafles esquecidos na bandeja. Quem será que estava ligando pra ele? Será que Nickolas sairia correndo dali com alguma desculpa furada? Não seria a primeira vez e também não a deixaria de todo surpresa, afinal se tratava do mesmo Nick de anos atrás, poucas coisas haviam mudado e ela duvidava que algum dia mudassem.

- Era Angel.

E pra surpresa de Alicia, ele deitou novamente na cama e a puxou pra perto de si.

- Como ela tá?

- Tudo bem... Ligou pra saber que dia ficar melhor pra gente aquele almoço com a minha família. Eu disse que precisava conversar com você pra decidir.

Com um suspiro, Aly repousou a cabeça no peito largo e acolhedor dele.

- É melhor nós marcarmos logo, Nick. Eles têm o direito de participar da gravidez se quiserem... Além disso, não tem nada pra gente esconder ou ficar com medo.

- Tá dizendo isso pra mim ou pra você mesma?

- Ficou tão na cara assim que tô meio nervosa com esse encontro?

Nick a apertou em um abraço forte.

- Relaxa Aly, vai ser só um almoço com meus irmãos. Vou marcar pro próximo sábado, ok?

- Ok!

Eles passaram o resto do final de semana juntos, saindo da cama só pro estritamente necessário. Alicia achou até um pouco de graça na saudade desmedida que Nick estava demonstrando de transar com ela.
Bastava o mínimo de tempo pra um descanso entre uma transa e outra e ele já queria mais. Foi bom como nos velhos tempos e melhor ainda pra Aly, que confirmou o mito de que toda grávida parece sentir mais prazer ainda na hora H.

- Nickolas. Eu preciso realmente de um bom banho e algumas horas de sono.

- Você acha que precisa, Aly... Fica aqui comigo, só mais um pouquinho. Eu prometo que deixo você descansar.

- Sei! Como você me deixou descansar na última hora né?

- Eu já vou embora. Fica aqui.

- Vem comigo pro banho.

Aquelas palavras bastaram pra que ele a libertasse da cama.

- Meu Deus, Nickolas....

Alicia gemia a cada toque dele na sua pele ensaboada e quente. Nick estava sentado no chão do boxe com Aly encaixada entre suas pernas. A cada penetração nela, ele sentia vontade de ir mais fundo, desejava estar dentro dela como ninguém jamais esteve.

- Diz pra mim, Alicia, diz que ninguém te deixa assim...

- Não... Ninguém...

Os olhos dele estavam um azul intenso, cheios de desejo, de prazer, mas principalmente de satisfação. Mais uma vez ele tinha Alicia totalmente sua, nos seus braços, recebendo o que só ele podia e sabia dar. Assim era o certo.
A visão dela gemendo e se espremendo entre suas pernas antes de gozar foi o bastante pra que ele também atingisse o ápice. Ele perdeu a noção do tempo com ela descansando em seu colo, a água servindo de relaxante para ambos.

- Nick, tá tudo bem?

- Hum?

- Eu perguntei se ta tudo bem. Ta com o pensamento longe...

- Impressão sua.

Eles finalmente haviam deixado o quarto para ir até a cozinha enquanto Alicia preparava panquecas para jantar. O domingo estava chegando ao fim e Aly sabia que junto com ele o conto de fadas. Como seriam os próximos dias?
Enquanto a tarde foi caindo ela percebeu que Nickolas estava meio distante, pensativo e no fundo imaginava que também estivesse pensando como se portariam dali pra frente.

- Eu...

Nick começou a falar, mas parecia que a fala havia sumido no meio do caminho.

- Você o que, Nick?

- Nada... Deixa pra lá! Agora já ta tarde pra fazer algumas perguntas.

- Não vai ficar pras panquecas?

- Não, preciso ir. Quero escrever algumas coisas hoje ainda.

Alicia decidiu não insistir, ele parecia bem incomodado com algo, mas se preferia não falar, ela deixaria não iria deixar a curiosidade falar mais alto.
Nickolas estava pensando naquela lágrima que Aly deixou escapar. Podia ser uma coisa boba, mas ele sentia que não e por mais que não entendesse bem o motivo, imaginava que havia um significado maior do que ela permitiria que ele soubesse naquele momento. Ele sabia que não era a hora certa pra falar sobre o assunto, não quando nem ele estava preparado pra resposta, mas queria entender, precisava entender.
Na segunda feira, Aly conseguiu falar com Lilly pra contar sobre o final de semana dela, não podia privar os amigos da novidade e eles só voltariam de Paris na semana seguinte. Entre gritos histéricos e pedidos de detalhes interrompidos por um AJ curioso, Alicia conseguiu desligar.
E a maior surpresa daquela noite foi que Nickolas apareceu com um lanche do Big Mac pra Aly. Depois da saída repentina na noite anterior, eles não se falaram mais. Alicia já começava a desconfiar que ele definitivamente não iria mudar, mas precisou dar o braço a torcer porque além de ter aparecido tão depressa novamente, estava tão carinhoso quanto no final de semana.
O almoço na casa da Angel foi marcado pro sábado, nada demais, como ela mesma havia dito pra Alicia no telefone, mas quando se tratava dos Carters, nada demais poderia ser muita coisa.
De fato quando chegaram à casa da irmã do Nickolas ela achou que as coisas estavam bem calmas. Além dela estavam Aaron e BJ.

- A Leslie mandou beijos, mas o barrigão dela não permite uma viagem até aqui.

- Oh! Eu esqueço que o Nick vai ser titio logo. Como ela está?

- Bem. O neném é pra esse mês e ela tá tão barriguda que parece gêmeos!

- Eu adorei o nome que vocês escolheram Alicia.

Alicia, Angel e BJ conversavam na sala enquanto Nick, Aaron estavam na parte da piscina. Aly estava mais relaxada, uma vez que foi muito bem recebida por eles, até mesmo por BJ, que ela só conhecia de vista foi bem receptiva.
Ajudou bastante o fato dela e Nick estarem super bem. Passaram a noite anterior na casa dele e enquanto se arrumava pro almoço, ela se deu conta que não dormia ali a meses. As coisas estavam realmente tomando rumos novos.

- Obrigada BJ. No dia que nós soubemos o sexo já escolhemos o nome.

- E você e o Nick vão casar?

- BJ!

Angel repreendeu a irmã que parecia estar com aquela pergunta presa na garganta a algum tempo.

- Tudo bem, Angel. Todo mundo fica um pouco curioso sobre isso.

- Curioso sobre o que?

Nick e Aaron chegaram no exato momento que Alicia estava precisando de ajuda. O que ela responderia sobre esse assunto? Não queria falar por ele.

- Sobre quando nós vamos receber os convites do casamento de vocês dois.

Nickolas olhou pra Alicia que sentia o rosto quente e vermelho. Ela precisava se acostumar com aquela situação.

- Vocês estão deixando Aly sem jeito.

- Poxa maninho, nem com uma filha a caminho você toma jeito.

Nick pareceu perceber que Alicia afundava no sofá tentando não estar ali presenciando a conversa.

- Tudo bem BJ. Quando nós casarmos você vai ser a primeira a receber o convite.

Aly respirou mais aliviada quando começaram a falar sobre outras coisas e Nick não saiu mais do seu lado. Não queria mais ter que explicar uma situação que nem ela entendia direito e sabia que ele também não.

- Quer dizer que meu irmão providenciou mais uma mulher pra nossa família?

Aaron estava sentado ao lado de Alicia na mesa do almoço e era um dos que mais havia perguntado sobre Cassie.

- Parece que o destino de vocês é estar cercado por mulheres.

- Nick, você já falou com o pai e a mãe?

Nickolas olhou pra Angel e deu de ombros.

- Ainda não...

- Mas...

- E também não sei quando vou falar, Angel. Vocês não me ligaram quando souberam? Eles poderiam ter feito o mesmo.

BJ e Aaron também tentaram convencer o irmão de ligar para os pais, mas Alicia decidiu não dar sua opinião. Aquele era um assunto entre ele e os pais, além disso, ela sabia que Nick tinha seus motivos para estar sempre com um pé atrás.
Quando se despediram no final da tarde, prometeram um novo encontro depois que o bebê da Leslie nascesse, dessa vez com os pais juntos também.

- Meus irmãos devem estar loucos se acham que o pai e a mãe vão se reunir com a gente.

- Você acha que eles não fariam isso nem pra conhecer a neta?

- As netas. – Ele pousou a mão na barriga dela e lhe deu um beijo enquanto estavam parados no sinal vermelho – E não, não acho que eles ficariam juntos em um mesmo lugar nem por esse motivo.

- É uma pena... Mas Nickolas, eu acho que seus irmãos tem razão.

 - Sobre?

- Sobre você procurar pelos seus pais e contar sobre a gravidez, mesmo que eles já saibam.

- Aly...

- Eu sei que não vai ser fácil, mas também não é o fim do mundo, sweet. Pensa bem! Não foi tão bom estar com os seus irmãos hoje? Então!

Nick não tinha mais o que argumentar, sabia que todos estavam certos, mas quando se tratava de seus pais ele sempre ficava dividido entre fugir rapidamente ou matar as saudades.

 

 

~*~

Os dias foram passando e Alicia notava as mudanças da gestação, ela se sentia mais disposta e menos enjoada e todo momento sozinha que ela passava com Nick, queria estar na cama, fazendo sexo.
A ginecologista disse que era comum isso acontecer no segundo trimestre da gravidez, a libido das gestantes normalmente aumentava bastante. Nickolas por sua vez não reclamava, muito pelo contrário, estava achando aquela Alicia cheia de apetite sexual maravilhosa.
Seu corpo também estava mudado, finalmente as pessoas viam que ela estava grávida. Uma barriguinha, mesmo que ainda fosse pequena, estava ali. Aly passava horas em frente ao espelho, se olhando e conversando com Cassie.
Parecia que todas as coisas relacionadas a filha começaram a ser mais importantes. Ela e Nick já estavam pensando na decoração do quartinho e foi em um desses momentos que eles tiveram uma conversa sobre o futuro deles.

- Aly...

- Hun? Desculpa Nick! Eu me distrai.

- O que foi?

- Nada....

- Alicia Jones, quer por favor não me matar de curiosidade?

- É só que eu tava pensando em uma coisa sobre o quarto da Cassie...

- E o que era?

Ela olhou pra ele e desviou o olhar no momento que falou.

- Eu tava pensando onde ele vai ser.

- Co... Como?

- É Nick, eu tava pensando onde vai ser o quartinho dela.

- Lá em casa, claro!

Alicia riu. Foi a primeira reação dela pra resposta que pra ele parecia ridícula de tão óbvia.

- Claro Nickolas. Isso porque eu vou ir morar lá também. Meu apartamento não é dos maiores, mas com certeza dá pra colocar um quartinho de bebê lá onde eu guardo algumas caixas com besteiras...

- E eu posso saber por que você vai ficar no seu apartamento se a minha casa tem espaço suficiente pra nós morarmos juntos?

Ela não conseguia acreditar no que ouvia, mas não também não via nenhuma duvida nos olhos dele, nenhum tom de brincadeira enquanto tais palavras eram ditas.
O assunto não foi mais mencionado e Alicia decidiu não pensar muito sobre até quando fosse realmente necessário. Já havia passado um mês desde o casamento de Lilly e AJ, e eles continuavam muito bem, Aly não tinha lembranças de outro período em que eles passaram tanto tempo sem sequer sentir vontade de brigar um com o outro, ela não tinha o que reclamar dele.
Entre o trabalho, Nickolas, as aulas de ioga – que estavam sendo uma ótima escolha, pois a mantinham mais calma – e sua família sempre presente e cada vez mais envolvida, Alicia viu o quarto mês de gestação chegar e junto com ele a proximidade do seu aniversário.

- Eu já disse que não quero festa, mãe.

- Mas Alicia, é uma ótima oportunidade de reunirmos todos pra comemorar sua gravidez também. Tem tantos amigos meus e do seu pai que querem vê-la.

Alicia rolou os olhos. Às vezes a mania da mãe de querer sempre programar almoços e jantas pra reunir os amigos a irritava, principalmente quando o pretexto a ser usado era ela.

- Não adianta nada eu dizer que não quero, não é?

- Sabe o que mais? Vai ser um bom momento pra conhecer a família do Nick também.

- Ah não! Eu não vou mais falar sobre isso com a senhora.

Nickolas ainda não tinha falado com os pais e a cada dia que passava parecia menos disposto a fazer isso.

- Mas filha, ele não vai mesmo falar com os pais?

- Eu não sei, mãe. Mas também não vou cobrar. Isso é com ele e mais ninguém. Nick faz tanto drama com isso que nem sei se quero conhecer os pais dele mais...

- Mas mesmo assim, ele tem um monte de irmãos, não tem? Convidaremos eles.

Aly não falou mais nada. Ultimamente tudo que ela fazia era deixar as pessoas irem adiante com suas idéias, não importava o que dissessem, essa história de que mulher grávida tinha todas suas vontades feitas não se aplicava muito a sua vida.
Anne acabou ganhando um aliado na organização da festa: Nick. Ele estava tão empolgado quanto Anne, e nem pareceu se importar com a inclusão dos pais dele na lista de convidados.

- Isso é ridículo, sabia?

- O que? Sua mãe querer comemorar seu aniversário com uma festa?

- É!

Aly se jogou na cama de braços cruzados e cara amarrada pra Nickolas que jogava videogame. Ele pausou o jogo e se aproximou para dar um beijo nela.

- Baby, é só uma festinha pra alguns amigos. Não prive a sua mãe de ficar exibindo a filha grávida pra todo mundo.

- Muito obrigada por me ajudar a me livrar dessa, Nickolas.

- Se eu não agradar minha sogra vou ficar com o filme queimado.

- E se você não me agradar vai ficar sem sexo!

- Wow! Golpe baixo.

Ele fez um biquinho tentador e Aly o beijou esquecendo até mesmo de uma coisa tão boba quanto uma festinha de aniversário.
Mas na manhã seguinte, quandoviu na sua caixa de email a mensagem de um Peter empolgadíssimo porque estaria em Los Angeles no dia do aniversário dela e queria muito poder dar um abraço pra matar as saudades, Alicia achou que poderia estar com um novo problema em mãos.
Era melhor se preparar pra um aniversário turbulento.



Red Sky - Capítulo 11
analusantos

Trilha Sonora
‘Will you still Love me tomorrow’ – Amy Winehouse
www.zshare.net/audio/79692747618fa7a2/


 

- Droga! Ótima hora pra ficar com enjôo!

 Aly estava em casa há quase uma hora e tudo que havia conseguido fazer foi largar as sacolas do supermercado na mesa da cozinha. Estava entusiasmada com o cardápio que tinha escolhido: camarão ao molho rose acompanhado de massa.
Sabia que os amigos ficariam felizes com qualquer coisa, até uma pizza de telentrega, mas a ocasião era especial e ela mesma queria preparar o jantar, só que antes mesmo que pudesse tirar as compras da sacola, correu pro banheiro, enjoada.
Já eram quase 19 horas quando ela conseguiu tomar um banho e começar a pensar em cozinhar, precisava admitir que a idéia da pizza começava a ser tentadora.
Quando Nickolas chegou, ela finalmente tinha parado de sentir mal estar de minuto em minuto e a janta já estava em andamento.

 - Hey, você ta fazendo camarão!?

 - Sim! – disse ela empolgada – Peguei essa receita com a minha mãe. Espero que fique boa...

 - Eu também espero porque to com fome. Bom, em último caso pedimos uma telentrega.

 - RA RA.

Não demorou muito pra Lilly e AJ chegarem também, ambos mortos de curiosidade pra saber o sexo do bebê.

- Eu aposto que é um menino! – disse AJ.

- Pois eu tenho certeza que é uma menina. Onde estaria a justiça Divina se o filho do Carter não fosse uma menina? Você no mínimo precisa ganhar alguns fios de cabelo branco pensando com que tipo de cara sua filha vai se relacionar, Nick.

- Eu adoro esse seu senso de humor ácido, Lilly. Pois bem, pode começar a festejar, você acertou.

- Oh meu Deus, é verdade?!

- É sim, Li. Sua amiga aqui ta esperando uma menina.

O que seguiu foi uma confusão de abraços, gritos e risadas. Alicia estava começando a perceber o quanto uma nova vida era capaz de alegrar outras.
Fazia algum tempo que os quatro não se reuniam pra fazer alguma coisa. Logo que conhecera Nickolas, ficou amiga de AJ e também não demorou muito pra que ele se envolvesse com Lilly.
No início era só curtição, assim como ela e Nick, AJ e Lilly não tinham um compromisso sério, o que os tornava mais próximos. Mas à medida que o tempo passava, as coisas mudavam: enquanto AJ e Lilly engatavam um namoro sério, Nick e Aly acumulavam brigas e desentendimentos.
Não demorou muito pra que Alicia percebesse que as coisas haviam tomado rumos bem diferentes, e mesmo amando muito Lilly e estando totalmente feliz por ela, não pode deixar de sentir certa inveja da amiga, porque ela alimentava esperanças em vão e já sabia disso.
Hoje, ela via o quanto AJ e Nick eram parecidos, mas ao mesmo tempo eram muito diferentes. Nem um dos dois era o que se pode chamar de homem fiel, mas Nickolas era descaradamente e abertamente galinha, canalha com todo peso da palavra. O AJ ainda disfarçava e nesse momento, enquanto ele ficava olhando pra gesto de Lilly, como se ela fosse a última e única mulher do mundo, Alicia poderia jurar que ele havia se tornado um cara fiel.

- Cassie é um nome lindo, Aly.

- Obrigada amiga. Eai, como vão as coisas pro casamento?

- Tudo ótimo, mas confesso que acordo um pouco mais nervosa todos os dias. Noite passada eu sonhei que o Alex não aparecia, foi horrível!

- O que é impossível de acontecer, né Lilly. Aposto que ele vai estar lá, aos prantos vendo você chegar. Relaxa amiga.

- E você lá no altar também, ao lado do seu futuro esposo.

- Cala boca! Se o Nick escuta você falando isso é bem capaz de achar que eu ando fantasiando esse tipo de coisa.

- Eu ouvi meu nome?

Alicia olhou com cara de poucos amigos pra Lilly que segurava uma risada.

- Ouviu sim, Nickolas, tava chamando vocês pra comer. O jantar ta pronto.

Aos poucos, Aly foi se contaminando pelo clima de ‘casais’. Enquanto AJ e Lilly falavam sobre o casamento, ela ficava imaginando como seriam as coisas se ela estivesse grávida e casada com Nick.
Tudo mais tradicional, mais correto. O que imediatamente deixava de combinar com eles.

- Alicia Jones, eu falei com você! Ta no mundo da lua é?

- Desculpa AJ!

- Ta bem, Aly?

- To sim, Nick – Ela sorriu.

- Tem certeza?

- Sim. Acho que é só o meu enjôo voltando. Ando tão cansada de estar toda hora com esse enjôo. E a falta de sono? Eu só durmo tarde da noite.

- Faz parte, sweetheart. Vai passar logo.

- Alex... acho que nós dois sobramos por aqui.

- Também acho, Li...

- Eu acho que vocês estão sobrando mesmo. Ta na minha hora de levar a Aly pra cama.

Nick deu uma piscada pra Alicia e ela rolou os olhos. Por fora tudo muito normal, por dentro a ansiedade de saber que era bem provável que ficasse sozinha com ele no apartamento em poucos minutos.
O que ela faria? E se ele tentasse alguma coisa? A verdade é que Alicia estava indecisa sobre o que fazer. Ela tinha medo de ficar dizendo não as investidas dele e acabar vendo Nick desistindo de qualquer coisa, mas também tinha medo de que ele só quisesse qualquer coisa e nada mais.
Era tudo muito confuso e assim que AJ e Lilly foram embora, parecia que a consciência da presença dele estava sufocante. Ela sentiu tudo rodar.

- Enjôo!

Foi tudo que Alicia conseguiu dizer antes de chegar ao banheiro e fechar a porta.

- Aly, abre a porta, eu quero ajudar.

- Não precisa. Vou ficar bem.

- Abre logo, Alicia!

- Pega um copo de água e meu remédio pra enjôo que ta dentro da minha bolsa, lá na cozinha.

Ele voltou em segundos e Alicia abriu a porta, rezando pra que aquele remédio fizesse algum efeito.

- Já disse que odeio isso? Eu sinto fome e quando como, fico enjoada. É frustrante!

- Eu imagino que sim! Vem, você precisa descansar.

‘Descansar. Dormir. Sozinha.’ Aly pensou enquanto caminhava com Nick até o quarto, e foi a última coisa que ela recordava de ter pensado quando acordou, as duas da manhã.

- Meu Deus!

- O que houve Aly?

A voz dele ali, bem ao seu lado fez o coração dela disparar.

- Nick, o que você ta fazendo aqui ainda?

- Você dormiu tão depressa e tão pesado que eu achei... Bom, achei que talvez precisasse de ajuda quando acordasse ou qualquer coisa assim.

- Hum... Eu simplesmente dormi? Lembro da gente saindo do banheiro, do seu celular tocando...

- Eu fui atender na sala e quando voltei você já tinha capotado aqui, de roupa e tudo!

Eles riram.

- Eu vou indo nessa então. Ta tudo bem?

- Ta sim. Esses enjôos são normais, não precisa ficar preocupado.

- Fiquei pensando... você fica aqui sozinha! E se precisar de alguma ajuda, Ally?

Alicia rolou os olhos.

- Eu to grávida, Carter, não doente. Não tem porque se preocupar, ok?

- Tudo bem...

- Vou colocar meu pijama e tentar dormir de novo. Você vai ir embora ou...?

- Se você não se importar, eu fico. A poltrona tava bem confortável. Hey... A Leslie me ligou perguntando se a história que eu vou ser pai é verdade.

Alicia congelou na cama.

- Aly? Você ouviu o que eu disse?

- Ouvi. E como foi?

- Não sei muito bem. Ela ficou me fazendo mil perguntas e me chamando de irresponsável. Como se ela fosse o novo exemplo de maturidade no mundo.

Alicia suspirou. Estava com certo receio em relação à família dele. Em geral, os Carters são meio exagerados com tudo e vivem se intrometendo na vida uns dos outros, principalmente na do Nick. Já imaginava que os irmãos dele fossem ficar meio ‘histéricos’.

- Tudo bem também. É normal que eles fiquem receosos. Você precisa conversar melhor com eles, Nick. É sua família.

- Acho que a Angel e o Aaron serão mais receptivos. O Aaron te adora e a Angel também já te conhece. Mas quer saber, minha família agora é você e a Cassie.
 

***

- Impressionante como tempo voa quando se tem um milhão de coisas pra fazer.

- Aly meu bem, ficar ai sentada tomando esse bendito suco não vai fazer as coisas se resolverem pra você.

- Ai Max, eu só queria que ainda faltasse um mês pro casamento da Li e já é daqui a dois dias!

- Eu sei. Mas calma, até parece que é você quem vai casar.

Alicia sabia que estava exagerando, mas ultimamente ela andava perdendo o controle de suas emoções.
Já havia perdido as contas de quantas vezes chorou sem motivo aparente no último mês. No dia que resolveu ir ao cinema ver um filme com o Nick, chorou tanto que precisou sair no meio da sessão. Ela nem sabia bem o porquê, mas precisava chorar.
Coisas de grávida. Era o que todo mundo dizia pra ela.
A verdade é que muitas vezes dava até pra esquecer a gravidez, não fossem esses pequenos sintomas. Depois de alguns dias, todos já estavam sabendo que o bebê agora se chamava Cassie e parecia que tudo estava mais real.
Ela se via cada vez mais vezes em frente ao espelho procurando por mudanças no seu corpo e conversando com a filha.
Já percebia o quadril mais largo e algumas roupas mais justas, mas nada que fosse realmente muito perceptível. Na última prova para o vestido de madrinha não precisou mudar quase nada.
Nick também estava empolgado. Depois da Leslie, os outros irmãos também ligaram e estavam pra marcar um almoço com todos eles e os pais, se fosse possível. Ele não falava muito sobre isso, mas Alicia sabia que ele estava tão ansioso quanto ela pra esse encontro.
E as fãs até lidaram bem com a novidade. Um ou dos sites procuraram por ela pra tentar uma notinha oficial e por mais que ela quisesse deixar as coisas o mais claras possível, preferiu ficar na dela.
Primeiro, porque ainda era muito cedo pra toda aquela exposição e segundo porque não saberia o que dizer se perguntassem sobre o relacionamento dela com Nickolas. As coisas não haviam mudado muito no último mês.
Eles continuavam sem brigar e estavam vivendo uma espécie de ‘amizade colorida’. Às vezes se pegavam aos beijos e acabavam quase nos finalmentes, mas Aly ainda sentia que faltava um pouco de segurança da parte dela.
Por mais que o desejasse desesperadamente, não conseguia se entregar, simplesmente travava. E o mais surpreendente ainda, era que Nick estava respeitando isso.
Uma ou duas vezes ela soube que ele tinha ido pra alguma festa, mas não quis de forma alguma entrar em detalhes, não precisava de mais isso pra se torturar.

- Hey, Li! Como você está?

- Ai amiga, que bom falar com você. A maior besteira que eu fiz foi pedir essa semana de folga. Fico o dia todo em casa procurando o que fazer e pensando besteira.

- Você não deveria estar aqui também. Ta de deixar qualquer ser humano estressado. Eu e o Max passamos a tarde jogando paciência no computador. E não porque eu realmente não tenha nada pra fazer... É só que ando tão cansada.

- Porque você não vem aqui me fazer compania hoje. Minha mãe e a Denise estão enlouquecidas revendo cada detalhe de tudo. Preciso de alguém com novidades do mundo exterior.

E no final das contas, foi ótimo ir até lá. Ela não imaginava que Lilly fosse ficar tão nervosa, era até um pouco engraçado.

-Eu não vejo graça nenhuma Alicia Jones!

- Você vai ver quando passar esse nervosismo bobo. Que loucura é essa de ‘não sei se o Alex ainda me ama’. Francamente, Lilly!

- Francamente, eu que digo. Ele inventou essa bobagem de não dormir comigo essa semana toda pra dar uma emoção maior na lua de mel e você quer que eu pense o que?

- Que ele é um dos últimos homens românticos que existem no planeta? É sério, para com isso. Lógico que o AJ te ama. É só olhar pra ele pra saber isso. Deus, é assim que eu fico quando tenho minhas crises de temperamento?

- Você fica um pouco pior. Mas pode colocar toda culpa na pobre da Cassie.

Elas estavam jogando conversa fora na sala da casa do AJ e a bagunça ali era completa: uma quantidade enorme de presentes estava em volta delas. Lilly decidiu não esperar até depois da cerimônia pra abri-los, ficava abrindo e guardando tudo de volta nas caixas, só pra passar o tempo.

- Eu nem sei pra que servem algumas dessas coisas ou ao menos quem são a maioria das pessoas que nos deram. Muita coisa foi encaminhada por fãs pro escritório deles.

- Tem tanta coisa linda. Eu usaria tudo se fossem meus.

- Quando você e o Nick vão parar com essa criancice e assumirem logo que se amam?

- Não vamos falar de novo sobre isso né?

- É, não vamos. A sua teimosia juntamente com a cegueira dele formam uma arma mortal de babaquice. Poderíamos estar casando os quatro.

Alicia deu de ombros.

- Poderíamos, você disse bem. Eu ainda tenho um pouco de juízo. Casar com o Nick, imagina só!

- Um absurdo completo passar o resto da vida com o cara que você ama.

- Ele apareceu lá em casa semana passada com um vestidinho rosa pra Cassie. Eu quase chorei. Ele estava tão feliz por simplesmente ter comprado uma roupinha sozinho.

- Se você visse a cara de boba que faz cada vez que fala dele. Já acho engraçado. E o Peter? Vocês ainda se falam?

- Sim. Ele me manda email toda semana. Fico morrendo de vontade de conhecer Londres, do jeito que ele fala parece a melhor cidade do mundo.

- O Alex também ama. Não fosse meu sonho de passar a lua de mel em Paris, certamente iríamos pra lá. O Nick ainda não sabe desses emails, né?

- E nem vai saber. Não quero que ele fique fazendo caso com essa história de novo. Peter é uma ótima pessoa.

Alicia adoraria tê-lo por perto, ele era uma pessoa divertidíssima. A verdade é que trocavam email praticamente duas ou três vezes no dia, mas conhecia Lilly, ela faria o maior escândalo se soubesse disso, então era melhor guardar isso só pra ela.
Não havia nada demais nas conversas, só assuntos sobre o dia a dia de ambos. Uma vez ele perguntou como estavam as coisas com Nickolas e ela foi categórica em dizer que preferia não falar sobre aquele assunto.
Aly só não queria misturar tudo. Peter era justamente alguém que ela nunca precisava falar sobre o seu amor frustrado, alguém que a fazia esquecer aquela loucura toda.

 

***

 Finalmente o dia 4 de março havia chego. Alicia estava com o vestido pendurado no roupeiro, olhando pra ele a quase meia hora, deitada na cama. Talvez fosse mesmo por causa da gravidez, mas sentia que estava especialmente mais sensível – pra não dizer chorona.
Um filme dos últimos anos rebobinava na sua cabeça, paralisando todas as tentativas dela de sair dali e ir logo pro salão antes que perdesse seu horário. Ela estava feliz pelos amigos que logo mais selariam um amor tão lindo, mas era como se a vida dissesse pra ela que sua vez nunca chegaria.
Era fácil repetir pros outros que não queria casar com Nickolas, que nem imaginava isso, mas só ela sabia quantas vezes se via com um anel lindo no dedo, uma menininha linda nos braços e Nick bem ao seu lado, casadíssimo.
Uma lágrima solitária chegou até seus olhos, ao mesmo tempo em que um sorriso brotou em seus lábios: as coisas estavam tomando o rumo que era possível. Só por estar em um momento de tanta paz com o pai de sua filha, já era o suficiente para se sentir melhor.
Depois de arrumar o cabelo e fazer a maquiagem no salão, Alicia pegou o vestido e foi pro salão onde Lilly passaria o dia. Era enorme e com tudo que uma noiva precisa em um dia tão especial. Além de todos os profissionais que estavam ali só pra cuidar da amiga, havia uma equipe de fotógrafos registrando tudo, parecia um filme.
Lilly estava mais calma do que no dia anterior, quando cismou que os convidados esqueceriam o seu casamento e queria enviar email pra todo mundo. Foi difícil persuadi-la de que enviar emails pra 300 convidados na véspera da cerimônia seria pura perda de tempo.

- Você esta linda, Aly. Vai ser a madrinha mais linda do mundo.

- Espero que meu cabelo não desmorone até as 18hs. E o AJ, falou com ele hoje?

- Não me deixam. Minha mãe não vai entregar meu celular nem por decreto! Mas eu sei que ele já me ligou umas mil vezes. A Denise ta com ele lá em casa. Ai, Aly, eu fico tão nervosa quando penso em tudo.

- Relaxa! Eu vou pra igreja bem cedo e nada vai dar errado. Prometo cuidar pra que as coisas saiam do jeito que você sempre sonhou.

- E o Nick?

- Ta com o AJ. Ele me ligou a pouco tempo e disse que ta tudo certo por lá também.

- Amiga! Liga pra ele, me deixa falar com o Alex. Por favor!!!

- Não acho que vá adiantar muito... Parece que o Nick ta adorando a idéia de ver o AJ tão desesperado pra falar com você. Ele entrou no clima da tortura.

- Desgraçado! Ele vai ver só uma coisa.

Alicia chegou à igreja uma hora e meia antes da cerimônia começar. Estava lindamente decorada por todos os lados. AJ e Lilly fizeram questão de que não faltassem arranjos em nenhum lugar e um perfume suave de lírios podia ser sentido assim que se entrava nela.
Não demorou muito pra que um noivo mais do que ansioso chegasse. Alicia precisou de uns bons dez minutos pra acalmá-lo um pouco.

- Eu já disse que ela ta bem, AJ. E linda.

- Não me deixaram falar com a Li o dia todo. Isso deixou de ser um casamento pra virar uma brincadeira de rir da minha cara de nervoso, não é?

- AJ. Relaxa cara, não vai deixar a Aly estressada.

Alicia sabia que Nickolas ficava deslumbrante de terno e gravata, na verdade, ela sabia que ele ficava lindo de qualquer jeito, mas naquele momento ela tentou se lembrar de tê-lo tão lindo em algum outro momento e não conseguiu.
Ele estava divinamente bem vestido e os olhos estavam de um azul límpido e calmo, enquanto um sorriso brincava por seu rosto completando o que Alicia poderia jurar ser a visão de um anjo, não fosse tão sedutor que talvez fosse obra de algo menos celestial, por assim se dizer.

- Você ta linda, Aly.

Alicia demorou uma batida de coração pra conseguir desviar os olhos do rosto dele e raciocinar uma resposta.

- Obrigada.

Eles não tiveram muito tempo de conversar. Logo a igreja estava cheia e se alguém não tentasse manter AJ calmo era bem capaz de ele sair correndo atrás da Lilly.
Todas as pessoas mais importantes na vida de ambos os noivos estavam presentes e alguns repórteres também. Ninguém queria perder o casamento de um backstreet boy.
Quando Lilly entrou na igreja, foi quase como se um ‘Ó’ saísse da boca de todos ali presentes. Ela irradiava uma luz e uma paz que só a fizeram mais bonita ainda. Os olhos marejados encontraram os do AJ com ternura. Ambos deixaram que as lágrimas viessem.
O vestido e o penteado da Lilly pareciam com o de uma princesa de contos de fadas. Alicia estava emocionadíssima, assim como todo mundo. Nick estava ao seu lado, de braço dado, mas ela não ousou olhar sua expressão. Tinha medo que ele conseguisse ler nos seus olhos o quanto desejava que um dia eles também pudessem viver aquele momento.
Passou tudo tão rápido que quando Aly percebeu, eles estavam na porta da igreja, jogando arroz nos noivos, como mandava a tradição. De lá, todos foram para o salão onde aconteceu a festa.
Havia uma mesa reservada só para os padrinhos e Alicia se viu junto de todos os backstreet boys – incluindo Kevin, que ela não via a tanto tempo. Eles eram os cinco padrinhos convidados dos noivos, juntamente com suas esposas e Alicia acompanhava Nick.
Era uma situação meio estranha. Não que ela não gostasse de todos ali, inclusive das respectivas mulheres, mas ela ainda se via pouco a vontade sendo a única que não era a namorada, nem só uma amiga do Nick, mas ele parecia tão tranqüilo que ela se sentiu melhor. Todos queriam saber sobre a gravidez e ela acabou relaxando enquanto esperavam a chegada dos noivos.
Olhando a sua volta, Aly encontrou muitos rostos conhecidos, como seus pais e alguns primos de Lilly. Dos convidados do AJ ela reconheceu alguém que preferia definitivamente esquecer: Angie.
Ela era enteada da Denise e Alicia lembrava muito bem dela em alguma festa de aniversário do AJ, na qual ela fez questão de demonstrar o quanto era ‘fã’ do Nickolas. E Alicia lembrava bem também do final daquela noite.

- Aly? Tá tudo bem?

- Hum?

- Eu to falando com você a uns dois minutos e você não me responde.

- Desculpa Nick. O que você queria?

- Perguntei se você quer alguma coisa pra beber.

- Não, obrigada.

- Tá tudo bem mesmo?

- Sim!

Nesse momento, Lilly e AJ chegaram e foram longamente aplaudidos por todos. Aly ainda estava estupefata com a beleza que irradiava dos dois.
A festa toda foi muito rápida, ao menos foi o que pareceu. Depois de todas as formalidades e algumas surpresas – como uma música que AJ havia feito especialmente pra ocasião – tudo seguiu conforme o esperado.
Não demorou muito para que todos começassem a circular. Alicia foi até a mesa onde estavam seus pais.

- Filha, vocês está tão linda.

- Obrigada mãe.

- Sua mãe jura que viu uma barriguinha em você, Aly.

- É claro que eu vi. Aposto que suas roupas logo não estarão servindo mais.

- Nossa mãe, que comentário mais amável.

- E você espera o que, Alicia Jones? Que suas roupas continuem lhe servindo por toda gravidez?

Mas ela não estava mais ouvindo a mãe. Tudo que Alicia conseguia ver era Nickolas conversando muito animadamente com Angie, e mesmo longe o suficiente pra não ouvir nada ela sabia exatamente onde aquilo tudo iria terminar: Cama. Casa do Nick.
Os noivos logo abriram a pista de dança e essa era à deixa pros padrinhos irem dançar também. Aly e Nick logo estavam dançando uma música, mas ela não estava prestando muita atenção pra saber qual era.

- Você ta tão distraída, Aly.

- Ah é? Engraçado, pois eu acho que quem arranjou algo pra se distrair foi você.

- Do que...? Aaaaaaaaah!

Um sorriso sínico logo apareceu no rosto dele.

- Tira esse sorriso da cara ou eu vou fazer isso por você, Carter.

- Ciúmes, Alicia? Essa é nova.

- Cala a boca e só dança.

Ela não iria admitir que vê-lo com Angie fez com o seu estomago revirar de raiva. Porque ela insistia mesmo em tentar fazer as coisas darem certo? Era difícil responder quando presenciava cenas como aquela.

- Aly, quando você vai entender que nesse exato momento só tem uma pessoa que me interessa? Só me diz que eu tenho uma chance, uma única chance de fazer as coisas darem certo.

Será que as palavras iriam continuar escapando do seu cérebro por muito tempo? Talvez se ele fosse um pouquinho perceptivo conseguiria ver nos olhos dela tudo que teimava não sair de sua boca. O silêncio de uma troca de olhares sempre foi capaz de falar por eles.
Alguém a puxou pela cintura e os pares de dança foram trocados, levando Alicia pro outro lado da pista com a cabeça zonza. Precisava sentar, precisava pensar em alguma coisa pra dizer. Melhor ainda, precisava que alguém dissesse pra ela o que fazer.
Logo todos os convidados se animaram e começaram a dançar também. Aly perdeu Nickolas de vista no meio de todas aquelas pessoas muito felizes – e provavelmente embriagadas.
Definitivamente ela precisava fazer alguma coisa, não dava mais pra ficar agindo como uma adolescente acuada.
Não se tem algo pelo qual não se luta. Ela demorou muito tempo pra aceitar que precisaria lutar pelo amor de alguém. O amor deveria ser como nos contos de fadas e romances, quando o nosso amado simplesmente descobre que está perdidamente apaixonado e não importa se essa descoberta é feita nos últimos instantes, quem ama tem a vida toda pela frente, a eternidade pra aproveitar.
Mas não era bem assim que as coisas estavam funcionando na vida real. Com um suspiro, ela continuou bebendo o copo de suco.

- Deus, uma bebida com álcool iria muito bem agora.

- Falando sozinha amiga?

- Li!!! Graças a Deus! Preciso da sua ajuda.

- O que foi que o Nick aprontou dessa vez?

- Como...? Ah, deixa pra lá! Eu... Eu não sei mais o que fazer. Provavelmente eu vá embora com ele hoje.

- O que seria bem esperto da sua parte. Claro, se você não se importar que ele acabe na cama da Angie, é melhor se adiantar.

-Piranha maldita! Ficou esfregando aqueles peitos siliconados na cara dele. ‘Oi Niiiiiiiick, quer me chupar essa noite’

Aly rolou os olhos e Lilly riu da imitação da amiga.

- Tá esperando o que pra se reconciliar de vez com esse babaca? Vamos lá, Alicia Jones. Pior do que era não pode ficar... Quem sabe agora com a Cassie a caminho as coisas fiquem diferentes.

- Será que nem no dia do nosso casamento vocês duas dão uma folga na fofoca?

AJ parou ao lado de Alicia pousando a mão na barriga dela.

- Sua mamãe é uma matraqueira, Cassie.

- E o titio AJ é um chato que só ta incomodado porque não chamamos ele pra conversa.

- Verdade. Mas posso apostar que vocês estavam falando sobre o Nick.

- E o que mais deixa Alicia nessa angustia, Alex?

- Hey vocês dois, podem voltar pra pista de dança. Eu já sei o que vou fazer.

Aly só queria que as horas passassem logo, mas é lógico que isso não aconteceu. De repente todo mundo resolveu conversar com ela, mas seus olhos teimavam em encontrar os dele, sempre atentos.
Por fim, talvez por ter se tornado tão dispersa que ninguém mais conseguia arrancar dela uma frase completa que fizesse muito sentido, ela ficou sozinha, observando os noivos que eram os únicos bem no meio do salão dançando ‘the way you look tonight’, tão lindos quanto Chandler e Monica no final de um dos episódios de Friends.

- Podemos ir?

A voz dele, junto do toque leve nas suas costas, fez Alicia soltar um suspiro.

- Sim.

Uma virgem. Era exatamente assim que ela estava se sentindo. No caminho até seu apartamento, Aly não conseguiu trocar uma palavra com Nickolas, nem mesmo comentários sobre a festa ou qualquer coisa que fosse. Sua voz parecia ter decidido abandoná-la completamente e suas mãos suavam tanto que ela discretamente as passava no vestido de vez em quando.
Mas o nervosismo sumiu quando já na sala, ele não esperou que ela tivesse muito tempo pra pensar.
Alicia notou o pomo-de-adão dele subir e descer quando ele engoliu em seco. Nickolas tinha todo comando da situação, ela não voltaria atrás. Não aquela noite.
Oh Deus, porque ele tinha de ser tão atraente, tão sexy, tão.. tão.. irresistível?

- Aly, eu... –

Nick estendeu a mão, parando pouco antes de seus dedos tocarem o rosto dela. Como ela desejava o contato daqueles dedos com sua pele...
Olharam um para o outro. O olhar de Nickolas era uma mistura de desejo com pedido de desculpas. O dela deveria ser igual. Ambos sabiam o que ia acontecer e não tinham nenhum controle sobre isso.
Se Alicia fosse dar um conselho pra alguém que lhe dissesse como era apaixonada por um homem com quem não tinha nenhum futuro, e mais do que isso, um homem com quem discutia com tanta regularidade e fervor quanto um corretor de Wall Street negociava ações, mas decidira ficar com ele e tentar o destino, ela diria que essa pessoa era uma molóide com cabeça de vento.
Certo, Alicia admitia isso. Era mesmo uma molóide com cabeça de vento. Não queria apenas tentar o destino. Estava implorando para que ele a dominasse tão completamente, para que pudesse fazer o que desejava fazer desde que Nick Carter entrara na sua vida e virara tudo de ponta cabeça.
Ele a tocou. Seus dedos traçaram a curva da face dela. Ela fechou os olhos para saborear a sensação, então ergueu a mão em um impulso para puxar os dedos dele para sua boca, beijando cada junta com metódica reverência.
Nick a segurou gentilmente pelos ombros e a levou até o quarto. Ela tirou o vestido sem pressa enquanto ele a observava como se daquilo dependesse sua existência. Os lábios dele estavam separados, o peito subia e descia com cada respiração rápida.
As mãos dele percorreram-lhe os ombros, seguraram a cabeça na altura da nuca, com os polegares acariciando as faces e boca. Ela estava adorando aquele momento, adorando a antecipação do que estava para acontecer.
Então o contato foi quebrado e ela gemeu baixo de frustração. Nick tirou a roupa e então foi a vez dela admirar cada centímetro dele, tudo exatamente do jeito que ela lembrava e mesmo assim tão novo, tão encantador como da primeira vez em que viu. Tão dela, tão único.
Ele a puxou contra seu corpo, beijou-a profundamente e ansiosamente. Ela correspondeu ao beijo com igual fervor, um agarrado ao outro e acariciando-se como amantes desesperados por uma longa separação. Era como se um dique se houvesse rompido e as águas jorrassem com força descomunal. Pareciam estar se afogando um no desejo do outro.
Depois de mil beijos loucos, devoradores, Nickolas ergueu-a e dedicou-se a um seio de cada vez, acariciando, mordiscando e sugando. Alicia o segurava pelo cabelo, com o coração acelerado. A sensação de seus lábios, de sua língua... Ela sentia o corpo tão rijo, quente, contra o seu e achou que não ia suportar tanto prazer.
Então quando as pernas dela estavam quase incapazes de sustentá-la, Nick tomou-a nos braços e carregou-a para a cama.
Não houve qualquer hesitação, nenhuma pergunta murmurada, nenhum preparo. De algum modo cada qual sabia o que o outro queria e não podiam esperar para dar e receber. Apenas uma vez, antes de penetrá-la, ele parou e olharam-se ofegando, apertando-se, contendo-se durante preciosos momentos para expressarem os sentimentos que não conseguiam colocar em voz alta... Ou que talvez não entendessem bem o bastante para expressar em palavras.
Ele sorriu. Era um sorriso mínimo, talvez mais uma contração. Ela correspondeu, sorrindo também, mas uma lágrima formou-se no canto de seu olho e desceu pelo resto. Era embaraçoso se mostrar tão emotiva, mas não pode fazer nada.
Ele beijou o traço feito pela lágrima solitária e começou a mover-se dentro dela, que o acompanhou numritmo perfeito, a tensão crescendo.
Alcançaram o êxtase depressa e ao mesmo tempo. Ela o agarrou pelo cabelo e gritou. Ele escondeu o rosto entre o ombro e o pescoço dela, murmurando seu nome.






Com a cabeça aninhada na curva do pescoço e a respiração tocando o peito dele, Aly adormeceu como uma criança confiante. Nick estava deitado de costas, um braço dobrado sob a cabeça, o cotovelo servindo de travesseiro. O outro braço estava nas costas de Alicia.
Uma das mãos dela estava espalmada sobre o peito dele. Suas pernas longas, esguias e bem feitas, estavam entrelaçadas com as dele.
Maravilhado por ela haver adormecido tão facilmente, ele também sentira sono a princípio, mas não conseguia parar de pensar.
Havia feito amor com ela e Aly chorara. Tinha sido apenas uma única lágrima, mas existia uma revelação naquela pequenina gota salgada. O que exatamente isso queria dizer? E como ele iria saber?
Fazer amor com Aly depois de tanto tempo sem ao menos tocá-la havia desfeito todas as suas teorias sobre eles. Com outras mulheres o motivo teria sido a caçada. Uma vez capturada a presa e levada para a cama seu interesse terminava. Claro que havia tido longos relacionamentos, mas nenhum deles se tornara duradouro e continuara satisfatório depois de um tempo.
Com Alicia era diferente. As respostas dela eram tão puras, tão honestas, tão despojadas! E assim que terminava ele sentia vontade de recomeçar, imediatamente. O desejo por ela não diminuía, mas sim se tornava mais forte com a posse. Tão forte que o assustava.
Adormeceu abraçado a ela, desejando que o dia seguinte trouxesse uma nova luz pros dois.

 



Red Sky - Capítulo 10
analusantos

Trilha Sonora
‘I never told you’ – Colbie Caillat
www.zshare.net/audio/794608201a1c27e9/


 

                                                                                                          
LA – Novembro 2009

Às vezes eu só queria entender como isso acontece, sabe Nick. Eu levava uma vida normal, feliz e na época eu até poderia apostar que ela era completa, mas hoje eu vejo que não.
Nunca mais vou poder dizer que um dia minha vida foi completa quando você não fazia parte dela. Isso seria uma grande mentira.
Então, como eu estava dizendo, eu levava uma vida tão... Normal! E você Nickolas, acabou com toda sanidade possível!!!
Agora mesmo você saiu da minha casa brigando, gritando e fazendo o diabo porque eu não fui ‘capaz ao menos fingir que estava feliz’ na maldita festinha na sua casa. Festinha essa em que estavam todas – eu disse TODAS – as piranhas que você já arrastou pra cama. Elas pareciam animais exóticos em uma exposição, implorando pra serem compradas por uma única pessoa: você.
E eu, burra como uma porta, me enfiei nessa festa onde a realidade ficou bem visível na minha cara: Nick Carter não presta. E eu odeio ter de enfrentar isso.
Claro que você é incapaz de entender o motivo de eu não gostar das suas festinhas. Carter, Carter... Tão lindamente tapado que me da nos nervos!
Você acha que eu não gosto de sair com você, mas não é isso. Eu só prefiro quando estamos sozinhos e eu posso fingir que as coisas que você me diz são verdadeiras.
Sozinhos aqui no meu apartamento, onde você é só meu ao menos por algumas horas. Isso é tão bom, me faz tão feliz. Uma felicidade toda baseada em mentiras, mas eu parei de me importar. Eu quero o mínimo, o resto amanhecido desse amor fingido.
Realmente patético! E aposto que todas as mulheres do mundo diriam que eu sou uma vergonha pra classe, alguém sem um pingo de amor próprio se rastejando por um típico bad boy.
Sabe o que eu diria pra todas essas mulheres?
Que elas não sabem o que é ter você nos braços, sentir sua boca provocando uma onda de eletricidade em cada centímetro do corpo enquanto suas mãos se perdem em mim, enquanto eu me perco em você.
Elas não sabem como você pode ser doce, romântico e acabar com qualquer idéia minha de superioridade feminina com um só olhar.
O que elas entendem de paixão, desejo, luxúria? Do que elas seriam capazes por quem amam? Duvido que elas façam mais do que eu.
Elas me invejariam se pudessem sentir o que eu sinto, tenho certeza. Mesmo com todas as lágrimas e essa angustia de não te ter só pra mim, eu jamais vou experimentar um sentimento tão bom.
Preciso só acreditar nessas bobagens que você me diz pra ser feliz. Sem um único momento de normalidade, mas feliz.
De que vale a vida sem amor? De que vale meu mundo sem você?
Então quero deixar aqui registrado – pra ninguém além de mim mesma ler – que minha vida não faz sentido e nem é completa sem você, Nickolas.

 

                                                                                                                                    Love,

                                                                                                                                   Aly

 

***

 

 

Nick havia saído do apartamento a horas e Alicia ainda estava sentada na sala, lendo quase todas as cartas que havia escrito pra ele. Era incrível como algumas eram cheia de amor e outras transbordavam um ódio desmedido. Ela apostava que ele ficaria chocado com tudo aquilo.
Ela fechou a caixa branca e escreveu em cima ‘Expressamente para não serem lidas’ e resolveu dormir, frustrada com a solidão da cama vazia e o coração apertado, mas com a consciência mais tranqüila por não desejar mais só o ‘resto amanhecido de um amor fingido’.

 

 

 

 

- Nick, quer parar de andar de um lado pro outro?

Nickolas e Alicia estavam na recepção do consultório da Dr. Emma esperando a hora de saber as instruções pra finalmente saberem o sexo do bebê.

- Você não fica ansiosa nunca, Alicia? Eu to a ponto de invadir aquela sala e implorar chorando pra ela fazer esse exame logo.

- Que drama Carter. Lógico que eu fico ansiosa, mas você exagera. Senta aqui e relaxa, a gente já vai saber o sexo do nosso filho.

Ele sentou, tentando manter a calma. A verdade era que a cada dia que passava, Nick sentia um sentimento cada vez maior por aquele filho e descobrir o sexo parecia pra ele a confirmação de que tudo aquilo era verdade mesmo.

- Você já pensou se prefere menino ou menina?

Alicia o tirou dos devaneios.

- Na verdade, não... e você?

- Também não. Acho que somos os pais mais engraçados do mundo.

Ela riu do jeito que ele mais gostava: um sorriso espontâneo e que parecia vir do fundo da alma.

- Engraçados?

- É... Tudo tão novo pra gente. Não sei, às vezes eu tenho um pouco de medo.

- Não precisa, vai dar tudo certo.

Ela sorriu novamente e de alguma forma sabia que ele tinha razão, daria tudo certo.

- Alicia Jones, a Dra está esperando.

Eles passaram para o consultório e Alicia sentiu todo nervosismo chegar.

- Alicia, querida, tudo bem com você?

- Tudo bem Emma. Acho que não mudaram muitas coisas desde a última consulta.

- Sim, eu imagino. Nossas consultas serão mensais até o sétimo mês, depois passarão a ser a cada duas semanas e após a 36° semana, nos veremos uma vez por semana. Hoje é uma exceção pra eu explicar pra vocês como funciona o exame que você irá fazer pra saber o sexo do seu bebê.

Nick estava visivelmente mais nervoso do que Alicia. Não parava de esfregar as mãos na calça jeans e balançar a perna. Aly segurou a mão dele e sorriu tranqüila.

- Nervoso Nickolas?

- Muito. Eu queria saber hoje o sexo do nosso bebê.

- Bom, infelizmente isso não vai ser possível. Vocês vão sair daqui e ir até o laboratório que fica nesse mesmo prédio. Lá vocês vão solicitar um exame de sangue de sexagem fetal e o resultado sai em cinco dias.

- Cinco?

Alicia e Nick exclamaram juntos e a Dra riu.

- Sim. Mas é bem preciso, da 99% de acerto. Através do sangue da Alicia, será determinada a presença, ou não, de cromossomo masculino.

Depois de mais algumas perguntas e recomendações, eles foram até o laboratório pra fazer a coleta do sangue da Aly. Em cinco dias eles saberiam o resultado.
Acabaram tudo cedo e Alicia ainda tinha tempo para almoçar antes de voltar pra Publit. Ela estava se sentindo cansada naquele início de semana, no dia anterior mal havia comido e um sono insuportável quase a fez dormir no meio do expediente, mas já sabia que aqueles eram sintomas comuns nesses primeiros meses.
Mas ela não pode deixar de atribuir um pouco do cansaço emocional ao homem que estava bem ali na sua frente, comendo um delicioso Big Mac, porque era tudo que Alicia conseguia pensar em comer nos últimos tempos.

- Você vai ter que parar de comer essa porcaria, Alicia.

- Não me parece que você esteja achando uma porcaria.

Nick rolou os olhos.

- Não se faça de desentendida, moçinha. Hei, vamos olhar um filme lá em casa hoje?

- Não, obrigado.

- E eu posso saber o motivo?

Alicia olhou bem pra ele e pensou duas vezes antes de responder, mas no fim optou por ser sincera.

- Não quero correr o risco de algum amigo seu ligar e eu ficar plantada sozinha, no meio da sua sala.

- Qual é, Aly. Para com isso! Eu prometi pro MBA que ajudaria ele a resolver um problema.

- E eu posso imaginar que tipo de problema seja esse, Carter.

- Não seja infantil... Eu prometo que a noite será só pra nós dois.

Como ele conseguia ser tão sexy? Alicia ainda aprenderia a não se derreter diante daquele olhar que praticamente dava ordens mudas a ela.

- Não Nick. Eu preciso descansar, de verdade.

Ele se deu por vencido, sabia bem com Aly era teimosa e o quanto custaria pra ele ter uma nova chance de reaproximação com ela depois de sair do apartamento para encontrar um amigo.
Depois do almoço, Alicia voltou pra Publit e trabalhou até o final da tarde, o sono consumindo cada célula do seu corpo. Antes de ir embora, recebeu um email inesperado. Era do Peter.

Alicia...

Estou no aeroporto esperando meu vôo de volta pra Londres e decidi enviar um email antes de sair daqui. Acharia mais apropriado falar pessoalmente com você, mas decidi também não vê-la mais.

Por enquanto.

Como você sabe, muito em breve vou morar aqui em LA pra administrar o escritório novo. Ainda não sei bem quando volto, mas pode ter certeza que nessa volta, a primeira pessoa que vou procurar vai ser você. Não desisto fácil, Aly.
Espero que você tenha uma boa gestação e que fique tudo bem por aqui. Se puder, responda os emails que enviarei pra você.

Beijos, saudades

Sir Peter
;)
 

Alicia suspirou diante do email. Estava surpresa com a atitude dele, surpresa e assustada. Nos últimos três anos não havia sequer cogitado a possibilidade de uma vida com alguém que não fosse o Nick.
Continuava pensando que isso não era possível, mas diante de uma hipótese tão concreta, era um assunto que mexia com ela.
Isso tinha muito a ver com um pouco de auto-estima também. Alguém a olhava como a mulher especial que ela era e que esperava tanto por um amor sincero.
Respondeu em poucas palavras pra ele, decidindo não tocar no assunto da possível volta dele pra Los Angeles. Comentou sobre o exame que havia feito e desejou um bom retorno a Londres.
Era melhor deixar pra pensar em outras coisas quando elas acontecessem. E se acontecessem.

 

 

 

 

Foi difícil fugir dos convites para jantas e filmes que Nick fez durante toda semana, mas Alicia resistiu como pode e ela contava com bons álibis: sono constante e enjôos diários.
Comer se tornou uma tortura uma vez que tudo parecia cair como uma bomba no estômago e ela já não sabia mais o que fazer. Optou por refeições mais leves e andava sempre com uma garrafinha de água.
No final da semana procurou uma academia próxima da Publit que oferecia aulas de ioga. Lera em diversos sites que era um ótimo exercício, tanto pra manter a forma como pra hora do parto e que não prejudicaria o bebê.
Durante aqueles dias, Alicia se pegou inúmeras vezes conversando com a barriga ainda inexistente e imaginando nomes.
Seria menina ou menino? Ela não tinha um palpite ou preferência, só queria curtir cada minuto daquela vida nova que estava começando.
Passou o fim de semana na casa dos pais e recebeu visita de alguns tios e primos. A notícia da gravidez havia animado toda família Jones e Alicia se sentia cada vez mais mãe.
No domingo à noite, antes de se sair da casa dos pais, Aly resolveu procurar algumas fotos antigas que guardava por lá.

- Filha, posso entrar?

John estava parado na porta do quarto que Alicia ocupou enquanto morava lá e que eles mantinham da mesma forma.

- Claro pai. To procurando umas fotos aqui... Tem tanta coisa que eu ainda não levei pra minha casa.

- Eu e sua mãe estávamos pensando se você não vai querer voltar pra cá ao menos nos primeiros meses depois do nascimento do nosso neto.

- Eu não sei pai...

John sabia que no fundo a filha tinha esperança que ela e Nick se acertassem.

- Ta tudo bem entre você e o Nick?

- Bom, eu diria que pro nosso padrão de relacionamento, ta tudo bem sim. Não brigamos a mais de uma semana!

- Ele não quis vir aqui conhecer o resto da família?

- Eu não o convidei. Não quero que ele se sinta forçado a conviver com vocês ou algo assim... Acho meio estranho tudo isso ainda.

- Eu entendo... E a família dele? Não quis perguntar no almoço se ele já havia contado.

- Ele não falou nada e também não sei quando irá falar. A relação do Nick com a família é meio conturbada.

Alicia deu de ombros e John decidiu não perguntar mais nada. Confiava na filha e sabia que ela – mesmo estando perdidamente apaixonada – conseguiria lidar bem com aquela situação.
Mais tarde, já em casa, enquanto falava com um Nickolas empolgado pra buscar o exame no dia seguinte.

- Amanhã a essa hora poderemos escolher o nome do nosso filho, Aly!

- Você ta me saindo um pai babão, Nick.

-É... To mesmo. E a senhorita uma desnaturada, mas não com o bebê, comigo. Não me ligou uma única vez o fim de semana todo.

- Que eu saiba, gastamos a mesma coisa pra fazer uma ligação.

- HÁ HÁ. Fez o que ontem?

- Nada demais. Fiquei na casa dos meus pais e recebia algumas visitas por lá. Acho que quando nosso filho nascer não terei um único dia de descanso.

- Hum... Eu tava pensando hoje, amanhã quando nós soubermos o sexo, eu vou colocar uma nota no meu site falando que serei pai.

Alicia ficou em silêncio.

- Aly?

- Ok.

Ele riu.

- Você é engraçada, Alicia! Acha que nós vamos poder esconder até quando?

- Eu sei Nick! É só que... Enfim, é estranho. Além disso, você não acha melhor conversar com a sua família antes?

- Não. Você sabe que pra eles isso não vai fazer diferença. Talvez se preocupem com o dinheiro que vou gastar.

- Nick não fala assim. Eles são sua família e isso não vai mudar. É importante que eles tenham ao menos a opção de participar desse momento. Se eles não quiserem, não será por falta de convite.

Alicia sabia que eles não tinham um relacionamento muito bom e nisso, ela e Nick eram verdadeiros opostos. A família era a base de sua vida, tudo que ela sabia e tinha de referência, aprenderá com os pais, enquanto ele deixou de ver os próprios como referência de qualquer coisa a muito tempo.
Ainda mantinha um contato melhor com os irmãos e mesmo assim, não é o que se realmente espera de uma família ‘normal’. Nick não conversava sobre o assunto, nem deixava que percebessem o quanto aquilo o chateava, mas chateava.
No dia seguinte, Alicia acordou cedo, havia combinado com Nick de passarem no laboratório no primeiro horário e depois ela iria direto pra Publit. Mas pra variar, ele estava atrasado.
Aly já estava quase desistindo quando a campainha tocou.

- Desculpa, eu não resisti.

Nick estava quase a beira de lágrimas, um envelope branco nas mãos.

- Você não...

- Não, eu não abri, mas achei melhor nós fazermos isso aqui onde tudo começou...

- Anda logo, Nickolas. Vamos abrir isso.

O momento seguinte foi uma explosão de sentimentos inexplicáveis.
Era uma menina.

- É uma menina Aly!!!

E as lágrimas vieram quando as palavras faltaram pra ela. Alicia abraçou Nickolas com força e sentiu o seu mundo completo.

- Mais uma mulher pra cercar sua vida, Nick.

- Essa vai ser única, Aly. Única.

A voz dele estava carregada de emoção, Aly procurou por seu olhar e em meio a lágrimas e sorrisos sentiu os lábios macios dele tocando os seus.
Um beijo calmo e quente, cheio de sentimentos e intenções que não precisavam ser postas em palavras, talvez nem devessem ser postos.

Permaneceram abraçados, em um silêncio confortável.

- No que você está pensando?

Nick a puxou pela mão e sentaram no sofá. O mesmo sofá que ela havia contado pra ele a poucos dias que ele seria pai. Pareciam tempos distantes, tanta coisa havia mudado.

- Pensando em como as coisas mudam rápido... Nick, daqui a meses nós teremos uma menina nos nossos braços, alguém que nós amaremos pra sempre incondicionalmente. Eu nunca imaginei que isso aconteceria...

- Você não pensava em ser mãe?

- Pensava, claro. Mas não assim, não tão cedo e não acho que algum dia eu acreditaria que o pai seria você.

Ele sorriu.

- É, eu sei... Não me imaginava pai, sabe... mas agora estou aqui, ansioso pra tudo. Nós temos tanta coisa pra pensar, organizar!

- Começando por um nome. Você tem alguma preferência.

- Eu pensei em alguns nomes, mas confesso que eram mais pra menino. Não sou o que se pode chamar de criativo.

- Eu gosto de Cassie.

- Bonito nome, Aly. Gostei também. Algum motivo especial?

- Faz um tempo que eu li um livro e a personagem tinha esse nome. Eu gostei bastante.

- Ela era a moçinha?

- Sim.

Eles riram e mais uma vez Alicia desejou que ele a beijasse. Ao mesmo tempo em que ela lutava pra mantê-lo longe, o desejava desesperadamente cada vez mais perto. Precisava dele daquela forma pra que as coisas parecessem realmente certas.
Nick parecia saber disso – e de alguma forma sabia – pois mesmo com as recusas dela, permanecia tentando. Assim como ela, também queria ficar por perto, queria ter Alicia só pra ele.
Os motivos poderiam ser diferentes, mas acabavam levando a um mesmo querer.

- Então vai ser Cassie?

- Definitivamente, sim.

Enquanto Alicia ligava pra sua mãe, Nick ligou o notebook dela e começou a escrever o texto pra publicar no seu site oficial.

- Meus pais mandaram beijos pra você.

- Obrigada, eles gostaram da novidade?

-Ficaram radiantes. Minha mãe disse que já vai comprar alguns vestidinhos que ela viu. O que você está fazendo?

- O texto pra colocar no meu site.

- É sério, Nick?

- Sim... Aly, não entendo esse seu receio, ta com medo do que?

- Imprensa, fãs...

- Relaxa, sweet. Vai ficar tudo bem.

- Vou tentar... Nick vou marcar uma janta com a Lilly e o AJ pra contar a novidade pra eles, o que você acha?

- Vou ser convidado?

Aly rolou os olhos.

- Não Carter, não vai ser.

 Lilly quase a torturou pra que contasse, mas ela não queria dar a notícia pra todo mundo pelo telefone. Por sorte, ela não estaria trabalhando na redação hoje.
Nick disse que ligaria pro Howie e Brian antes de colocar a notícia no site mais tarde.

- Eu preciso ir trabalhar Nick.

- Isso é um ‘se manda daqui’?

- É... Em outras palavras, sim.

- Tudo bem, eu vou colocar umas idéias no papel. Que horas passo aqui pra janta?

- Marquei com a Lilly às 19hs.

Alicia estava indo em direção a porta para sair, Nickolas a segurou pelo braço. Um arrepio imediato a percorreu.

- Você pode me explicar o que é isso que acontece quando eu toco você?

- Se eu soubesse Nick já teria encontrado um método de me curar disso.

- De forma alguma a solução é ficar livre de mim, muito pelo contrário.

O beijo que seguiu só confirmou o que Nick havia dito. Toda lógica era deixada de lado e não havia como Alicia enganar ninguém, muito menos ela mesma.

- E eu acho que isso confirma tudo que eu estava dizendo.

Ela sorriu e encarou os olhos dele, brilhando de desejo. Como era possível um homem ser tão sedutor? Como era possível alguém controlar mulheres com um simples toque?

- Nickolas, eu preciso trabalhar.

- E eu poderia convencê-la a ficar aqui, mas vou deixar isso pra mais tarde.

De repente, a janta que era só pra contar sobre Cassie aos amigos que ela mais amava, se tornou a promessa de uma noite interessante.
Durante a tarde, Brian e Howie ligaram para dar os parabéns pra Aly. Ela ficou feliz, não era intima deles, realmente só havia ficado mais próxima de Alex, e preferia que as coisas desse jeito.
Enquanto não tinha mais do que uma amizade colorida com Nickolas, as coisas deveriam permanecer assim.
Uma mensagem dele avisando que havia colocado a nota no site fez o coração de Alicia disparar. Estava feito e agora o mundo todo saberia.
Com um copo de água bem ao lado, ela abriu o site.

 ‘Não achei que um diria viria aqui dizer isso pra vocês. Bem, não achei que faria isso tão cedo, ao menos.
Acabo de sentir uma das maiores emoções da minha vida, algo que vai mudar meus dias para sempre e não deixaria de compartilhar isso com minhas fãs, que são sempre as primeiras a me darem apoio nos momentos que mais preciso e que ficam felizes nas horas em que estou feliz.
Vou ser pai e hoje soube que uma linda menina estará na minha vida daqui a sete meses. Me sinto verdadeiramente abençoado.
Obrigada por tudo, Alicia e que a nossa pequena Cassie venha cheia de saúde e luz.’

Se Aly achava que era impossível amá-lo mais do que já amava, descobriu naquele momento que estava totalmente enganada, o que já era quase impossível de carregar sozinha, explodiu dentro do seu peito.

 

 



Red Sky - Capítulo 9
analusantos

Trilha Sonora
‘Ex-Factor’ – Lauryn Hill
www.zshare.net/audio/784832079f9337ae/

 
Alicia respondeu a mensagem de Nickolas assim que terminou de falar com Peter. Combinou com ele um almoço no dia seguinte, em um restaurante próximo a casa dela.
Ela não queria colocar mais uma pessoa no meio daquela história maluca.
Sim, a história estava voltando ser o que sempre foi: Nick a seduzindo, ela se rendendo... Alicia quase deixou o copo de suco cair quando começou a se dar conta disso. Não! Tudo de novo, não.
Dessa vez seria diferente. Ou então não seria.
Aly acordou nervosa e quase atrasada pra encontrar Peter. Talvez ele tivesse mexido mais com ela do que imaginava e seria uma pena se aquela conversa encerasse uma convivência que ela estava gostando tanto.
Ele já estava em uma mesa, elegantemente sentado, degustando do que ela imaginou ser uma taça de vinho.

- Vai lá Alicia, coragem.

Assim que viu Alicia se aproximando, Peter levantou e a cumprimentou com um beijo.

- Oi Peter!

- Oi Aly! Sempre bom ver você.

- Com toda certeza, posso dizer o mesmo.

Ela sentou e o garçom se aproximou.

- Vinho para senhorita?

- Não. Uma água com gás, por favor.

O garçom saiu e Alicia percebeu Peter com um sorriso nos lábios.

- O que foi?

- Nada. Só fiquei me perguntando por que você não vai me acompanhar no vinho...

Alicia sentiu o rosto corar. A resposta para aquela simples dúvida os levaria pra assuntos mais difíceis antes mesmo do almoço ser servido e ela não queria falar sobre isso agora.

- Tudo bem, Aly. Não precisa beber nada alcoólico.

- Eu tenho evitado bebidas alcoólicas. Digamos que esse é assunto pra logo mais. Me conta como foi sua semana.

- Nada demais. Algumas festas, alguns passeios... Pensei em convidar você pra todos, mas como não recebi resposta pra minha mensagem, achei melhor esperar você dar o próximo passo.

- Desculpa minha indelicadeza, mas a semana foi uma loucura. Só ontem eu consegui sair um pouco mais cedo da redação. Sei que isso parece uma justificativa muito ruim, mas é o que eu posso dizer.

Peter sorriu e colocou a sua mão sobre a dela.

- Tudo bem. Só sinto muito porque perdi uma semana da sua compania.

Alicia reagiu por impulso puxando a mão de volta para seu colo.

- Peter, antes que a gente continue qualquer assunto, eu preciso contar uma coisa.

Ele não falou nada, só ficou observando enquanto ela se concentrava em encontrar as palavras certas.

- Eu to grávida. Do Nick.

Enquanto dizia pra ele aquilo, de forma direta, do único jeito que ela conseguiu dizer, Alicia se sentiu uma idiota.
Porque estava contando aquilo pra ele? Peter se quer mencionou algum dia que desejava dela alguma coisa além de compania pra alguns passeios. Droga, ela sentiu vontade de sair correndo dali.

- Eu já sabia, Aly.

- O que?

- Eu já sabia... Quer dizer, não quando nos conhecemos. Chris me contou depois que eu fiquei me perguntando o motivo do seu sumiço.

- O Chris contou? Como...

- Nickolas contou pra ele, segundo palavras do próprio Chris, ele exigiu que eu tirasse meu rabo inglês da sua vida e me afastasse da mãe do filho dele. Desculpe o palavreado baixo.

-Oh... Eu to realmente surpresa. Não imaginei que Chris soubesse. E peço desculpas pelo Nick. Ele é um...

- Perfeito idiota. Só por permitir que você esteja aqui comigo ele já pode ser chamado de idiota – Peter sorriu debochado - É segredo?

- O que? Nosso almoço?

- Não. Sua gravidez.

- Não. Eu acho que não. Quer dizer, não conversei sobre isso com o Nick ainda.

- Espero não estar causando mais desconforto entre vocês dois. Pensando bem, espero que sim.

Alicia o fitou surpresa. Mais surpresa ainda.

- Escuta Aly, eu não sei como são as coisas entre você e o Carter, mas eu costumo ser assim, direto. Eu gostei muito de você, desde aquela nossa primeira conversa, antes mesmo de você perceber que eu estava te observando.

- Peter, nós nos vimos duas vezes! Como você pode dizer que gosta muito de mim?

- Você nem imagina o quanto é encantadora, não é Aly? Ele realmente deixa você no escuro, achando que merece menos do que todas as melhores coisas do mundo.

Ela não podia ficar ali, aceitando aquelas palavras que a machucavam mesmo vindas de um estranho que mal a conhecia. Um estranho encantador, mas um estranho.

- Isso não é certo Peter.

- Porque não?

- Porque você mora em Londres e eu moro em LA. Porque nós nos conhecemos a uma semana e você não sabe nada sobre mim. E principalmente porque eu estou grávida de outro homem.

- E esse outro homem ao menos a ama?

Alicia sentiu dor. E raiva. Quem ele pensava que era pra questionar os sentimentos de alguém? Quem ele pensava que era pra dizer se era certo ou não estar com Nickolas?

- Aly, me desculpa. Estou sendo extremamente grosseiro com você. É só que passei a semana inteira pensando em como convencê-la que eu realmente gosto de você. Não é loucura, só aconteceu.

- Eu... Eu não sei o que dizer Peter.

E ela realmente não sabia o que falar. Alicia estava preparada pra ele rir dizendo que ela estava louca por imaginar que ele tivesse qualquer intenção de estender aquele contato por mais do que alguns dias, quem dirá se importar com a gravidez dela.

- Eu vou parecer muito infantil se pedir uma chance?

- Peter, você esqueceu que mora em Londres?

- Na verdade eu estou em LA procurando um local pra abrir um escritório aqui. Terei que ficar morando um bom tempo longe de Londres.

Alicia gelou ali mesmo onde estava.
Estava tudo tomando um rumo muito diferente. Ela pensou em tudo que vinha acontecendo e não conseguiu achar nada lógico.
Só uma imagem tomou conta do seu cérebro: Nickolas a tomando nos braços e lhe dando o beijo que ela mais desejará na vida.

- Peter, eu não posso. Eu amo o Nick e independente do que tenham dito pra você ou até mesmo do que você possa ter concluído naquele aniversário, isso é um fato e não vai mudar. Acredite em mim.

- Eu sabia que sua resposta seria essa. E não vou falar mais nada por agora. Mas lembre que sempre há uma segunda opção, Alicia. Você é incrível e eu não gosto de deixar coisas incríveis longe de mim.

- Obrigada pelas palavras, Peter.

Alicia o olhava com admiração sincera. Ele era um verdadeiro cavalheiro.

- Preciso ir embora. Acho que nosso almoço vai ter que ficar pra outra ocasião.

Ela levantou e lhe deu um abraço saindo logo em seguida e simplesmente caminhando de volta pra casa, sem pensar muito. Era difícil pensar quando o mundo decidia despejar milhares de caminhos bem na sua frente.

 

 

 

 

 

Foram horas ou dias que se passaram?
Alicia não sabia muito bem. Tudo que ela conseguia ver era a noite caindo bem ali, do outro lado da janela.
Então ela olhou pra si mesma e viu que estava com o mesmo vestido simples que tinha escolhido pra ir almoçar com Peter. Ok, então só algumas horas haviam se passado.
Ela decidiu preparar alguma coisa pra comer, já havia feito muito mal em passar o dia todo sem nada no estômago.
Enquanto comia o frango que havia preparado, Alicia decidiu realmente pensar em tudo.
Ela precisava entender o que estava acontecendo ou enlouqueceria. Os dias precisavam parar de ser uma montanha russa e se tornarem calmos, quem sabe até normais.
Na verdade era tudo muito simples e se resumia em uma palavra: amor.
Alicia não havia mentido pra Peter. Ela simplesmente não poderia ser de outro homem porque amava desesperadamente Nick Carter e não existia ninguém no mundo capaz de acabar com aquele sentimento. Nem o próprio Nickolas havia conseguido fazer isso nesses três anos em que tanto havia magoado ela.
Nem sabendo que ele era a coisa mais doentia, mais problemática de sua vida, nem mesmo carregando um filho, uma vida ali dentro, alguém que precisaria dela bem e sempre pronta, que dependeria dela pra todo sempre, nem mesmo assim Alicia conseguia deixar seu maior e pior vício: amar Nickolas Gene Carter.
Ter se sentido confusa com as palavras de Peter não foi uma dúvida em relação ao que ela sentia, foi simplesmente se ver mais vez pegando um caminho cheio de dúvidas, de incertezas, enquanto um homem que a conhecia a uma semana se declarava bem ali na sua frente. Mesmo sabendo que ela estava grávida, ele falou tudo aquilo, pediu uma chance.
E Alicia disse não.
Porque o que ela sentia podia não ter lógica, podia ser errado e feio aos olhos dos outros, ela poderia acabar ferida, machucada e infeliz, mas nada disso importava realmente. Nunca importou. Ela só precisa estar ao lado do Nick, ser dele de alguma forma e com o resto ela sempre lidaria depois.
O celular dela tocou. Era ele. Ela sorriu.

- Eu estava pensando em você agora mesmo.

- É bom ouvir isso. Eu também estava pensando em você. E pensando também no nosso almoço amanhã.

- Nossa, eu quase me esqueci do almoço nos meus pais.

Anne havia telefonado em algum momento daquela tarde, mas Alicia sequer lembrava o que havia dito pra ela. Tinha certeza que não havia sido nada muito grave ou a mãe já teria ligado milhares de outras vezes.

- Você esquecendo um compromisso com seus pais? Ta tudo bem, Aly?

- Ta sim, Nick. Só passei uma tarde meio... Fora de área.

- Hum... E eu posso saber se tenho alguma coisa a ver com isso?

- O que você acha?

- Não sei... Depois que você realmente me deixou voltar pra casa e dormir sozinho, acho que não conheço mais muito bem minha little girl.

A voz dele estava extremamente sedutora e Alicia sabia que isso era uma armadilha perigosa.

- Você me conhece muito bem. Tão bem que sabe o quanto eu gosto de surpreender.

Ele ficou em silêncio.

- Você não gostou do que aconteceu ontem lá na praia.

Não era uma pergunta, ele estava afirmando.

- Porque você esta dizendo isso, Carter?

- Como você disse, eu conheço te conheço muito bem.

- Pois você está enganado. Eu gostei de tudo que aconteceu na praia. As coisas só precisam ser mais sensatas agora.

- Conversamos mais sobre isso amanhã... Ou hoje, se você me deixar ir até ai.

Alicia sentiu seu coração acelerando devagar.
Ela tinha dois caminhos: dizer não e rejeitá-lo ou dizer sim e mais uma vez acabar na mesmice.

- Você pode vir, sempre será benvindo, mas o meu pensamento de ontem continua se aplicando hoje.

- Você é impossível, Alicia Jones.

Eles combinaram a hora que ele passaria lá pra buscá-la no dia seguinte e desligaram. Nickolas mal acreditava que ela realmente não queria que ele fosse até lá.
Na noite anterior, depois que recebeu uma resposta sarcástica para proposta dele de voltar até o apartamento e dormir com ela, Nick ficou horas remoendo aquilo.
Será que ela realmente não desejava mais ele como antes?
Isso seria... Uma droga! Porque ele a desejava tanto quanto antes ou até mais.
Beijá-la foi a melhor coisa que ele tinha feito desde que voltaram a se falar e ele simplesmente queria muito mais.
Tinha quase certeza que aquelas negativas dela tinham alguma coisa relacionada com o inglesinho metido.
Chris havia dito que ele iria embora em alguns dias mas que provavelmente voltaria pra morar por ali.
Nick não gostou nada daquilo, ele não gostava de nem um tipo de concorrência.
Não existia concorrência quando ele estava na parada. Alicia iria ser dele de novo, e ele sabia disso.





- Bom dia, Nick!

Alicia entrou no carro e lhe deu o melhor sorriso dos últimos meses. Tivera uma noite tranqüila, sem enjôos ou interrupções.

- Bom dia, Aly. Você está ótima.

- E você está nervoso. – Aly riu – Relaxa, sweet! Meus pais não vão perguntar quais são suas intenções com a filha deles.

- Que bom. Eu acho que eles ficariam muito chocados se soubessem.

Nick piscou pra ela com um sorriso sarcástico no rosto. Aly sentiu seu corpo reagir àquelas simples palavras. O dia seria longo.
Assim que chegaram estacionaram na casa de Anne e John, Alicia ouviu o som do cd favorito de seu pai ‘Sgt. Pepper`s Lonely Hearts Club Band’. O som estava alto, como em todos os domingos que ela tinha na lembrança. John era fascinado por música, por cultura.
Alicia desceu do carro e Nickolas estava mexendo em alguma coisa no celular.

- Nick! Vamos.

- Eu só vou desligar o telefone. Um minuto.

Aly sentiu sua boca abrindo de espanto.

- Você o que? Nickolas, não precisa desligar esse bendito celular. Eu sei que você fica extremamente mal humorado sem ele.

- Não quero ninguém interrompendo nosso domingo.

Ele estava parado bem ao lado dela, sentindo o perfume leve que a brisa soprava diretamente pra ele.
O dia seria longo.
Alicia queria segurar a mão dele porque sabia que aquilo o deixaria mais tranqüilo, mas tinha medo que os pais interpretassem aquele simples gesto como um possível namoro deles e as coisas só ficariam mais complicadas.

- Vamos logo! Vai ficar tudo bem. Você vai adorar meus avôs também e vai ver como no final do dia estarão todos apaixonados por você.

- Eu gostei da parte do todos. Isso deve incluir a sua pessoa, hun!?

Aly rolou os olhos. Realmente ele não percebia nada.
Estavam todos sentados na varanda conversando alto e ouvindo as histórias do avô de Alicia, Charles.

- Olha quem chegou, a estrela do almoço. E não estou falando de nenhum dos dois pais babões, estou falando do meu bisneto.

- Vovô! Que saudade.

Alicia abraçou Charles que imediatamente repousou a mãe em sua barriga, os olhos marejados.

- Você não imagina como nós ficamos felizes com a notícia, Alicia.

A avó de Alicia, uma réplica mais velha de sua mãe, estava tão emocionada quanto Charles. Birgit era uma senhora elegante, com um sorriso sincero e largo. Nickolas logo soube de onde vinha toda vivacidade de Aly.
Ele estava parado em silêncio bem ao lado dela, percebendo – mesmo naqueles poucos minutos – o quanto o seu filho já era amado.

- Vô, vó, quero que vocês conheçam o outro responsável por toda essa alegria que vocês estão sentindo, esse é o Nickolas.

- Deixa eu dar um abraço nesse rapaz lindo.

- Birgit, um aperto de mão e todos nós ficaremos satisfeitos.

- Charles! Não liga pra nada do que ele diz Nickolas, o avô da Alicia é um velho maluco.

- Vocês estão falando demais e deixando o pobre do rapaz assustado.

- Tudo bem, John. Confesso que eu estava um pouco nervoso, mas saber que meu filho é tão amado me deixa feliz. É bom poder conhecer a família da Aly também.

Anne olhava pra filha e para aquele o homem que ela tanto amava. A felicidade dela era visível, estava transparecendo em cada centímetro do seu corpo, como um milagre capaz de materializar um sentimento.

- Benvindo a nossa casa, Nickolas. Ela agora também é um pouco sua e esperamos que esse seja o primeiro de muitos dos almoços e encontros que ainda virão.

Alicia quase chorou com as palavras da mãe. Ela sabia que eram sinceras e ditas pra que ele tivesse certeza que era realmente bem quisto ali.

- Obrigada, Anne. Eu tenho certeza que ainda vamos passar muitos momentos juntos.

E sem pensar, sem se importar com mais nada, Alicia procurou pela mão dele.
Nick a olhou surpreso, mas sorrindo, a mão fria e tensa estava sendo acariciada por alguém que realmente se importava com ele.
Eles sentaram e ficaram conversando animadamente por horas. As perguntas sobre a gravidez não tinham fim. Aly aproveitava pra tirar dúvidas com a mãe e a avó, e elas aproveitavam pra aconselhá-la.
O almoço foi servido em uma sala de jantar belíssima. Nick observou que a casa tinha quadros muito vivos e coloridos, contrastando com as paredes branquíssimas. Ele nunca havia entrado ali em todos esses anos. Bem na verdade aquela era a primeira vez que conversava com os pais de Alicia e isso era uma coisa que ele nunca entendia.
Aly havia ido diversas vezes à casa dos seus amigos, das irmãs e até mesmo já havia conhecido seus pais, mas nunca tinha feito muita questão que ele conhecesse seus pais ou fosse até a casa de algum amigo.
Ele sempre achou que ela tinha uma espécie de vergonha que as pessoas soubessem que ela estava envolvida com alguém famoso, às vezes se sentia incomodado com isso, mas logo deixava aquilo de lado. Era só o jeito dela.

- Então, vocês já pensaram nos nomes pro bebê?

- Na verdade não, vó. Aconteceu tudo tão rápido. Nós ainda estamos contando pras pessoas e nos acostumando com a idéia.

- Terça feira, Aly fará o ultra som e nós finalmente saberemos o sexo do nosso filho.

- Ansioso Nick?

- Muito. Acho que vai parecer mais real. Quero dizer, nós vamos poder pensar nos nomes, escolher a cor do quartinho, essas coisas.

- E o casamento, vai ser quando?

Alicia quase cuspiu toda comida que tinha dentro da boca com a pergunta de Birgit. Sentiu seu rosto queimando de tão quente e não teve coragem de olhar qual era a expressão do Nick.

- Mamãe! Não seja indiscreta.

- Anne, eu só fiquei curiosa sobre isso. Não tenho direito de saber sobre a vida amorosa da minha neta?

Naquele instante Nick também soube de onde vinha a personalidade forte de Alicia. Ele estava tão espantado com a pergunta que quase gargalhou. Será que Alicia havia dito que eles estavam juntos?

- Tudo bem, mãe. A vovó tem razão.

Nick com certeza era o que a olhava mais surpreso. Alicia estava com um fio de voz, mas parecia bem segurava no que dizia.

- Vovó, eu e o Nickolas vamos criar nosso filho juntos, mas não temos nenhum plano para casamento. Nós somos amigos...

Ela não sabia mais o que dizer. Explicar o que não tinha explicação era impossível, mais ainda com Nickolas ali ao seu lado, a olhando surpreso e... Curioso?

- Dona Birgit, se a senhora me permite dizer, tenho certeza que eu e Alicia saberemos o momento certo pra decidir o melhor para nós dois. Mas isso não vai mudar em nada o amor por nosso filho.

- E aposto que vocês não perderam a língua por responderem minha pergunta.

Aly não havia perdido a língua, mas poderia apostar que nunca passara tanta vergonha na vida.
O dia seguiu sem maiores constrangimentos e Aly agradeceu a Deus por ter um pai tão falante, ela ainda estava muito envergonhada para falar com Nickolas.
Ele, John e Charles estavam vendo a coleção de vinis e Alicia estava sentada com a avó e a mãe vendo fotos antigas.

- Alicia? Perdoe sua avó pela intromissão no almoço. Eu não deveria ter feito aquela pergunta tão diretamente...

- Tudo bem, vó. Eu só fiquei constrangida porque esse é assunto que não falo muito com o Nick.

- Eu percebi pela reação de vocês. Mas os dois ficam tão lindos juntos, trocando olhares cúmplices. Não pude acreditar no que sua mãe havia dito.

- E o que minha mãe andou dizendo?

Alicia fuzilou Anne com os olhos.

- Eu só expliquei pra sua avó o motivo de vocês não estarem juntos.

- E qual é o motivo? Quero muito saber também!

- O fato de ele ser um cego e não perceber a mulher maravilhosa que o ama tanto. – Anne riu debochadamente – John traga o Nick aqui.

- Mãe!

- Calma Alicia. Só quero que também veja seus álbuns de foto.

- Oba, fotos! Vamos ver se você era uma banguelinha bonita, Aly.

Alicia colocou a língua pra ele e Nickolas riu.
Depois de alguns álbuns de foto, alguns DVDs de aniversário e mais comida, Aly confirmou o que havia dito pro Nick assim que eles chegaram: a família inteira estava apaixonada por ele.

 

 

- Nick! Eu preciso comer Mc Donalds!!!

- Mas a médica disse pra você comer coisas saudáveis e Mc Donalds é uma porcaria ensacada.

- Mas eu quero! Que droga!

Nick gargalhou da cena que Alicia estava fazendo: os braços cruzados e a cara amarrada com um biquinho triste. E ele podia jurar que se estivessem fora do carro, ela teria batido o pé.
Eles estavam parados em frente a um restaurante, enquanto Nick tentava convencê-la de comer algo melhor do que um Big Mac.
Tentava em vão. Alicia era a teimosia em pessoa quando enfiava alguma coisa na cabeça, e eles acabaram no drive mais próximo.

- Que coisa boa! Acho que eu tive meu primeiro desejo de grávida.

Enquanto comiam seus lanches na cozinha da casa de Aly, Nick agradeceu silenciosamente o desejo dela por um big Mac. Certamente se eles tivessem jantado em algum restaurante, ela não o deixaria subir até lá.

- Porque o sorrisinho, Carter?

- Nada. E aí, meu filho não vai mais nascer com a cara do Ronald Mc Donald?

- Não – Ela sorriu – Escuta Nick, queria agradecer por você ter ido ao almoço. Minha família realmente já sente como se fosse parte dela.

- Você não tem que agradecer nada, Aly. Foi incrivelmente bom poder estar no seu mundo.

- Meu mundo?

- É. Você sempre vai aos lugares que eu freqüento, com os meus amigos ou nossos amigos em comum, mas nunca havia me convidado para ir a um lugar seu.

Aly deu de ombros. Dar de ombros era blasé e fazia parecer que ela estava achando aquela conversa nada emocionante.

- Eu só achei que isso não te interessava.

- Tudo sobre você me interessa, Alicia.

Ele mantinha o olhar quente diretamente nela, o rosto a centímetros de distância.
Alicia viu todo desejo que ela mesma vinha refreando explícito no olhar dele.
Ficar muito tempo presa naqueles olhos era como mergulhar fundo em um lago completamente gelado. Não porque fosse um olhar frio, muito pelo contrário, mas porque você rapidamente sentia calafrios por todo corpo e o ar começava a ficar difícil de absorver, a respiração já queria sair com dificuldade.
Nick sabia que já era seguro ao menos beijá-la sem que Alicia saísse correndo. Ele sabia, mas não conseguia se desprender do olhar dela.
Calmo, profundo, intenso... Aly era tão transparente pra ele, mas ao mesmo tempo conseguia manter um mistério entre eles.
Ele segurou o rosto dela com as duas mãos e continuou a olhar para ela. Aly ficou completamente imóvel permitindo que ele fizesse isso. Ou, mais que permitir, ela estava gostando.
Aquele era o ponto em que Alicia deveria correr do prédio para a rua gritando, porque se não o fizesse sabia que estaria perdida.
Mas ela não correu. Ficou ali, como uma idiota.
Nick devia ter notado as bandeiras brancas de rendição, porque parou de olhá-la e avançou, tocando os lábios de Aly e fazendo com que o mundo dela girasse.
Ele a puxou para mais perto, com as curvas suaves do corpo dela encaixando perfeitamente nas curvas do corpo dele, como duas peças de um quebra-cabeça.
O desejo percorria as veias dele como mel quente. Ele a desejava. Em questão de minutos depois do início do beijo, ele a queria mais que desejara outra mulher.

- Alicia – murmurou ele contra o pescoço dela, saboreando o modo como as consoantes no nome dela soavam em sua língua.

O nome encaixava-se nela perfeitamente, assim como o corpo dela encaixava no seu.
Ela riu, sua voz sem fôlego e incerta.
Aly sabia que detê-lo era exatamente o que devia fazer, mas não conseguia sequer pensar nisso. De fato, achava que iria ter um colapso e cair morta se ele parasse de beijá-la.

- Nick... preciso... respirar.

- Não Aly, você precisa perder todo fôlego. Nós precisamos e você sabe disso.

Depois de outro beijo que fez Alicia vibrar da cabeça aos pés descalços, ela recuou e olhou para ele. A expressão era ardente, e os olhos brilhantes.
Ela tinha de encarar os fatos. Ele queria fazer amor, e ela também. Se alguém fosse detê-los, não seria nenhuma das duas pessoas paradas ali na cozinha com a respiração ofegante como a de montanhistas alcançando o ponto mais alto.
Começou a acariciá-lo. Seus dedos exploraram os contornos suaves do peito másculo, então desceram até o limite da calça jeans. Ele pareceu segurar a respiração enquanto ela subiu novamente pelo mesmo trajeto.
Nick estendeu a mão segurando o rosto dela, fazendo-a erguer-se, e a beijou novamente, com os lábios duros e insistentes. E irresistíveis. Enquanto o beijo prosseguia, ele a ergueu pela cintura e a colocou sobre a mesa. Com um movimento deslizou a mão ao redor do quadril de Aly, fazendo com que separasse as pernas, que ela passou ao redor da cintura dele.
Alicia quase desmaiou quando sentiu a excitação dele contra seu corpo. Agora não havia como negar o quanto ele a queria... E o desejo era mútuo. Quando as mãos dele deslizaram pelo tecido macio da blusa para segurar os dois seios dela ao mesmo tempo, Aly, por instinto, arqueou o corpo para ajudá-lo. Ele emitiu um murmúrio exultante e a beijou novamente. Profundamente.
Foi então que o celular dele tocou.
Alicia quase pulou de susto e Nick emitiu um grito abafado de dor. Ela tinha mordido a língua dele!

- Por Deus, Alicia, por que você me mordeu?

- Desculpa – gemeu ela – Não foi de propósito.

Alicia tirou as pernas que ainda estavam ao redor dele e aproveitou que ele estava falando no telefone pra ir até a sala, mas antes que se movesse dois centímetros, Nickolas ficou parado bem na frente dela.

- Maldito celular. – ele olhou pro visor e atendeu assustado. - MBA? Hey dude, desculpa! Esqueci a hora- Nickolas fala ao telefone e a encarava com o mesmo olhar quente - Tudo bem, eu já to indo. E dizendo isso, desligou o telefone. – Onde a senhorita pensa que vai?

- Abrir a porta. Você não disse pro MBA que já estava indo?

- Porque, você se importa que eu vá embora?

- Você faz o que quiser da sua vida, Carter.

Ela não conseguiu deixar de sentir raiva. Mesmo que o melhor fosse a saída dele dali naquele exato momento, Alicia estava se sentindo trocada. Como sempre.

- Eu esqueci completamente que combinei uma saída com MBA hoje. Droga, eu preciso mesmo ir Alicia! Ta parecendo que eu quero ir embora?

Se Alicia fosse julgar os últimos minutos, diria com toda certeza que ele não queria mesmo ir embora.
 

- Tudo bem Nick. Só vai, é melhor mesmo.

Eles estavam próximos o suficiente pra Nick dar um último beijo nela. Precisava sair, mas prometeu a si mesmo que daquela noite não passaria. Ela seria dele.

- Não fica longe do seu telefone.

- Ta bom Carter, agora vai.

Aly precisou de um bom banho gelado pra poder relaxar. Ela havia ficado irritada, mas depois agradeceu a ligação que atrapalhou tudo.
Nickolas precisava desejar mais ela, precisava chegar ao limite e mais do que isso, precisava lutar por ela ao invés de conseguir sexo fácil.
Havia sido um longo dia.



Red Sky - Capítulo 8
analusantos

Trilha sonora
‘Maybe’ – Stereophonics
http://www.zshare.net/audio/7752641417ad9fb1/

 

Ela sentiu cada terminação nervosa parando. Sabia que as próximas palavras ditas poderiam acabar com qualquer tentativa dos dois de uma reaproximação.
Ele não conseguia pensar em outra coisa que não fosse ela saindo pra se divertir com outro homem. Ela era dele, só dele.
Não importava se eles não estavam realmente juntos, o certo era isso e não importavam quais fossem os argumentos que qualquer um usasse.

 - Não vai falar nada?

- Nickolas, larga meu telefone.

- Por quê? O que mais tem aqui que eu não posso ver?

- Mesmo que tenha alguma coisa, você não tem o direito de mexer nas minhas coisas.

A cada palavra, Nick só sentia mais raiva. Era como se ela joga-se em sua cara que não o pertencia, que já havia perdido ela a muito.

- Eu tenho SIM. Porque você mentiu? O que está acontecendo entre você e esse Peter? Eu TENHO o direito de saber.

Alicia estava assustada, nunca vira Nickolas daquele jeito. O rosto vermelho e as veias do antebraço salientes e ela tinha certeza que ele estava prestes a quebrar o celular com a força exercida sobre o aparelho.

- Nickolas, para com essa babaquice.

- Que babaquice? Eu só fiz uma pergunta! É tão difícil assim responder ou você está pensando na mentira nova que vai contar?

- Eu não tenho porque mentir. A vida é minha e eu faço o que bem entendo. Desde quando você se preocupa com quem eu saio ou deixo de sair?

- Desde que você está grávida de mim!

- Urgh! Ridículo Nick, isso é ridículo! Não espere que eu caia nessa conversa fiada de ‘você está carregando um filho meu e tenho o direito de saber o que você faz’. Para com essa mania de querer controlar o mundo, de querer controlar o que nem é seu!

O último tapa havia sido dado. No fundo Nick sabia que não tinha razão nenhuma de cobrar nada dela, mas a razão era a única coisa que ele não conseguia encontrar dentro de si.

- Eu continuo esperando uma resposta, Alicia Jones. Onde vocês foram?

- Eu não vou discutir com você.

Alicia tentou passar por ele na porta cozinha, mas Nick a segurou pelo braço.

- Me solta, Nickolas! Se você não sabe resolver seus problemas como um adulto, nós não vamos conversar.

Nick soltou o braço, mas não saiu do caminho de Alicia, então ela decidiu continuar falando enquanto o encarava nos olhos. Mesmo centímetros mais baixa e muito mais frágil do que ele, que parecia a ponto de quebrar qualquer coisa a seu alcance, ela estava decidida a falar tudo.

- Nós precisamos conversar, definitivamente. Você acha que eu vou ficar parada vendo as coisas acontecerem e vou deixar minha vida sendo levada da maneira que VOCÊ acha melhor, Carter? Até quando você realmente acha que isso pode continuar assim? A gente finge que tem um relacionamento, você finge que gosta de mim e eu aceito tudo isso? – Alicia podia sentir as lágrimas chegando e não sabia se conseguiria evitá-las por muito tempo – Eu fui conivente por muito tempo, mas não posso mais ser.

- Você acha que eu finjo tudo que eu sinto? Que eu sou um monstro incapaz de gostar realmente de você, Alicia? Eu não acho que você seja tão cega assim.

- Ta bom, Carter. Então é assim que as coisas funcionam pra você? Eu sou realmente muito ingênua e CEGA mesmo.

Nick não entendia por que estava tendo aquela conversa. Ele sabia que seria melhor pros dois se ele simplesmente deixasse Alicia ter qualquer tipo de relacionamento com quem fosse uma vez que ele mesmo tinha os dele.
Eles nunca haviam realmente conversado sobre o que sentiam um pelo outro e Nickolas não sabia bem o motivo daquele sentimento de posse, aquele ciúme desmedido.

- O que eu fiz, Alicia? Me diz o que eu fiz pra você estar tão cheia de mágoa assim, de repente? Você sumiu por um mês inteiro, não atendeu nem retornou minhas ligações, simplesmente desapareceu e tenho certeza que só me procurou porque soube que estava grávida. Nós tínhamos uma cumplicidade, nós tínhamos uma história juntos e um dia você simplesmente decidiu que não servia mais?

Alicia sentiu o coração falhar. Quantas vezes ela esperou pelo momento certo pra ter aquela conversa? Quantas vezes ela desejou que ele pudesse entender o quanto ela o amava e o quanto ficava magoada de saber que ele não era só seu.
Não seria fácil resumir três anos de angustia, de dúvidas. Mas se ela não o fizesse agora, talvez eles não se entendessem jamais.
Ela caminhou até o sofá da sala com Nickolas atrás dela, sentou e respirou fundo antes de encará-lo nos olhos. Alicia não sabia como, mas precisava fazer com que ele entendesse tudo e com o resto ela lidaria depois.
Enquanto procurava as palavras corretas, ela tentava ler o que aquele par de olhos azuis diziam. O silêncio que ambos estavam acostumados a manter entre eles só fazia a tensão aumentar naquele momento.
Nick estava ansioso, esperando Alicia dar o primeiro passo e falar o que queria.
Ele não sabia quais seriam as próximas palavras a serem ditas, mas pelos olhos dela podia sentir que não seriam fáceis e ao constatar isso sentiu medo.
Medo de perdê-la por tê-la magoado a um ponto irreversível. Ele não sabia se isso era amor ou simplesmente medo de não ter controle daquela situação. Alicia estava na sua vida há três anos e agora que esperava um filho dele, as coisas deveriam continuar como estavam.

- Nickolas, quem é a Lauren?

Alicia decidiu começar com a pergunta que mais havia tirado o seu sono nos últimos tempos. Não por que ela não gostava da Lauren, se quer a conhecia, mas ela percebia que ela era diferente, tinha algum sentido a mais na vida dele. Além disso, com aquela resposta Aly tiraria muitas de suas dúvidas.

- O que...? Que tipo de pergunta é essa, Alicia?

- Exatamente o que você ouviu: quem é a Lauren?

Nick havia escutado a pergunta, só não entendeu porque ela estava aparecendo no meio daquela conversa.

- Posso saber o porquê da pergunta?

- Eu quero apenas que você seja extremamente sincero comigo.

Eles estavam sentados lado a lado no sofá e na luz fraca que vinha unicamente do abajur, Alicia pode ver a indecisão passando pelo olhar dele.

- Eu acho que você esta simplesmente tentando inverter o jogo, Alicia. Eu não vou cair nessa.

- Isso não é um jogo, Nickolas, não pra mim ao menos e se eu vou ser sincera, espero que você possa ser sincero comigo também. Ao menos isso.

- E porque você não me diz primeiro quem é o Peter, hun? Nada mais justo uma vez que foi ele quem causou todo esse mal estar entre nós.

- Sinceramente Nick, o Peter poderia muito bem ser alguém com quem eu teria um relacionamento. Nós conversamos, nos demos bem e ele é um cara muito legal.

Aquelas palavras bastaram pra que Nickolas sentisse toda raiva voltando.

- Pois digo o mesmo sobre a Lauren. Ela é uma pessoa legal, que eu gosto de ficar junto e que esteve comigo quando eu procurei por você e não encontrei, quando eu precisei de você e não pude estar com você. A Lauren soube compreender meus momentos, ser paciente.
Enquanto falava, Nickolas encarava o chão e assim que procurou pelo olhar dela, achando que encontraria a mesma raiva que sentiu nele segundos atrás, ele encontrou lágrimas silenciosas que pareciam queimar no rosto dela. Na mesma hora se arrependeu de tudo que disse.

- Escuta Alicia...

- Nick, vai embora.

- O que? Quem está sendo infantil agora?

Aly sabia que estava sendo infantil, mas precisava ficar sozinha, as lágrimas estavam vindo silenciosas e solitárias, e se ela se conhecia bem e principalmente conhecia ele bem, logo aquela discussão só pioraria.

- Eu só não quero que as coisas fiquem ruins entre a gente. Pelo nosso filho... Vamos tentar manter uma relação saudável. Não tem porque continuar essa conversa que não vai nos levar a lugar algum.

- Não vai, se você continuar fugindo não vai mesmo.

- O que você quer Carter? Transar comigo de vez em quando e esperar que as coisas voltem a ser como eram antes? Pois eu tenho uma novidade: não vai mais ser assim. Nós temos um filho agora. Preciso ser uma mulher melhor, uma pessoa melhor pra poder criá-lo e me submeter a esse tipo de coisa não vai ajudar em nada pra isso.
Alicia ficou de pé enquanto falava, de costas pra ele, não queria mais que Nick a visse chorando, ele estava derrubando todas as barreiras que ela havia construído e isso era muito mais do que poderia suportar.
Nick ficou de pé também e por um momento cogitou abraçá-la aceitando a idéia de manterem uma relação saudável, como ela mesma havia dito, mas não o fez.
Parado ali, pensando nas coisas que ela disse e nas tantas que havia deixado de dizer, Nickolas percebeu que não poderia agir contra alguns fatos e mais do que isso, não queria magoar mais ainda Alicia, pois foi só isso que ele fez com toda aquela conversa.
Alicia ouviu o barulho da chave e depois da porta sendo fechada. Bastou pra que todas as lágrimas viessem e junto com elas uma dor que dilacerou seu peito.
Era uma dor nova, com um sabor de ‘fim da linha’ e todas as outras dores que ela já conhecia bem, ali, pulsando dentro dela, como se fossem partes de todo sistema nervoso.
Sem pensar, Aly simplesmente deitou no sofá e sentindo o perfume dele se esvaindo no ar, deixou as feridas rasgarem, fortes e implacáveis até que a inconsciência a dominou e tudo que ela conseguia pensar era no nada.
Ela não sabia bem quando havia parado de chorar e adormecido, mas acordou quando sentiu um enjôo horrível.

- Ótimo, era tudo que eu precisava pra não dormir o resto da noite. Vamos filhinho, hoje não é um bom dia pra mamãe ficar enjoada, seu pai já fez o favor de destruir meu emocional, ao menos o meu estômago poderia funcionar direito.

O resto da madrugada foi revezado entre o sofá da sala, algum filme ruim que passava na televisão e o banheiro.
Segunda feira era sempre ruim só por ser segunda feira. Piorou bastante depois de uma noite em claro. Alicia chegou ao trabalho rezando pra sair de lá logo.

- Nossa Alicia Jones, que cara é essa?

- Bom dia pra você também, Max.

- E já vi que o humor está tão bom quanto a sua aparência.

Aly rolou os olhos sem paciência pras tiradas sarcásticas do amigo. Só queria ficar quietinha sem ter que falar sobre os últimos acontecimentos.

- Enjôo. Foi isso que aconteceu, enjôo.

- Faz parte desse milagre chamado gravidez, querida.

A manhã passou relativamente rápida, era final de mês e a redação ficava mais barulhenta do que o normal.
A tarde seria de reuniões e Aly sabia que sairia dali bem tarde, o que não era muito bom pra quem não havia dormido quase nada, mas por outro lado era muito bom pra quem queria simplesmente não pensar em mais nada relacionado à sua própria vida.

- AJ!

Lilly estava chegando com um sorriso enorme nos lábios e os olhos faiscando de felicidade.

- Finalmente alguém bem humorado nessa redação.

- Max, vai pro inferno.

- Amiga ta tudo bem?

- Aposto que é mais uma crise no namoro com o Nickolas.

- Max! Me deixa por favor. E Lilly, foi só uma noite mal dormida. Senti enjôo, só isso.

- Porque não me ligou Alicia? Eu teria ido lá ajudar você. A primeira noite mal dormida da minha amiga e nem foi por causa do Carter. Isso me deixa verdadeiramente emocionada.

Alicia só sorriu para amiga. Não queria falar com ela sobre aquele assunto, não naquele momento.

- Mas como o Max fez questão e frisar, seu humor esta muito melhor que o meu. Me conta a novidade...

- Porque eu vou casar com o homem mais lindo do mundo, na festa mais perfeita do mundo e com as madrinhas mais gatas! Amanhã é a prova do seu vestido, amiga.

- Ai Lilly, eu fico tão feliz quando vejo você assim, irradiando alegria. Vai ser a cerimônia mais linda do mundo inteiro mesmo!

- E nós estaremos lá, abrilhantando seu altar. Não é, sua madrinha mal humorada? Você é muito sortuda. Vai ter o par mais lindo. Só de imaginar Nick Carter de terno...

- Max... Você não existe!

Como era o esperado, as reuniões de fechamento acabaram por volta das dez da noite e Aly não via a hora de tomar um banho demorado e dormir.
 Ela estava sem fome, mas se obrigou a comer em horários regulados, não era por ela que estava tentando levar as coisas, era pelo bebê.
Estava uma noite abafada pra um final de janeiro e se não estivesse grávida e nem brigada com Nickolas, Alicia apostava que ele toparia tomar uma cerveja com ela e estender a noite fazendo sexo da forma que só os dois sabiam.
Com um suspiro, ela tomou mais um gole do seu suco de morango enquanto repassava a agenda pro dia seguinte, sentada na sacada do apartamento.
O celular tocou e Alicia só sentiria realmente vontade de falar se fosse [i]ele[/i] quem estivesse ligando.

- Oi mãe.

- Oi filha. Que ânimo pra me atender hein? Acordei você?

- Não, só to cansada. É época de fechamento da edição da revista, aquilo fica um caos.

- Você tem que pegar leve, Aly. Tem se alimentado direito?

- Sim, mãe. Não precisa ficar preocupada, ok? Harrison me deu toda liberdade pra me ausentar sempre que eu achar necessário.

- Melhor assim. Liguei pra combinar com você o almoço que mencionamos ontem. Nós, você e o Nickolas. Eu e seu pai gostaríamos que fosse nesse final de semana.

- Porque mãe? Não tem pressa...

- Tem sim. Papai e mamãe também virão, eles querem conhecer ele e ver você. Já está tudo combinado.

- Então você só ligou pra me comunicar não é? Mãe, eu preciso falar com o Nick antes.

- Diga que estou tentando ser mais tolerante, pelo meu neto. Aposto que ele virá correndo se você passar o recado.

Elas conversaram mais um tempo, no qual Aly tentou persuadir a mãe a deixar o almoço pra depois. Tudo em vão, obviamente. Ela teria que falar com Nickolas ou a mãe nunca mais iria tentar qualquer tipo de contato com ele.
Alicia não sabia se todos os seus enjôos estariam diretamente ligados com as suas preocupações, mas ela estava sentindo que teria mais uma noite daquelas.

- Lilly, vamos logo.

- Calma Alicia Jones! Só preciso enviar esse email... Pronto minha amiguinha impaciente.

Lilly tinha escolhido o modelo e a cor dos vestidos das damas de honra, logo tudo que Alicia precisava fazer era experimentá-los e não engordar muitos quilos – ao menos na semana do casamento.

- Desculpa a impaciência, Li. Mas eu passei mais uma noite quase em claro. Esses enjôos noturnos estão acabando comigo.

- Acho que eles não passam desses primeiros meses, AJ, relaxa.

- É, to tentando...

Depois de experimentar o vestido, Lilly combinou com Alex uma janta no apartamento de Alicia. Seria bom ter os amigos por perto pra ela não passar mais uma vez metade da noite perdida em indecisões que não levavam a nada.
Era fácil estar com eles. AJ e Lilly mesmo extremamente apaixonados não eram o tipo de casal que deixava os amigos de lado ou que faziam da presença deles uma tortura pra quem estava sozinho. Eles eram realmente únicos, talvez alma gêmeas de verdade.

- Você vai chorar muito mais que a Li, Alex. Eu aposto.

- Valendo vinte pratas, Alicia?

- Valendo.

Lilly vinha da cozinha e sentou no sofá ao lado do noivo. Alicia estava deitada no tapete e a nova mascote do casal lhe fazia compania: Cherry, uma cadelinha vira lata e linda que AJ havia encontrado com cara de pidona, segundo ele mesmo, enfrente a entrada da sua casa.

- Amor, você vai perder vinte pratas. Com toda certeza vai chorar mais do que eu. Sou o homem da nossa relação.

- Obrigada pelo apoio, sweet.

- Conta comigo.

O celular da Alicia tocou e ela só queria mais uma vez que fosse o Nickolas, mesmo que pra brigar mais um pouco, mas era Peter e ela não atendeu.

- De segredinho com os amigos, Alicia? Pode atender a ligação.

- Não to afim...

- Então não é o Carter.

- Não Lilly, não é o Carter, satisfeita?

- Falando no Nickolas, vocês discutiram Aly?

AJ estava fazendo uma pergunta, mas pelo tom de voz Alicia percebeu que ele já sabia que sim e não duvidava que soubesse os motivos também.

- Pelo jeito você já sabe que sim...

- Brigou mesmo? E porque não me contou, Alicia?

- Porque eu não queria falar sobre isso, Lilly.

- Mas o Nick queria... Acho que ele preferiu me ligar e descontar a raiva em mim do que discutir com você de novo. E você sabe que ele não costuma falar muito sobre sentimentos...

- AJ, eu não quero mais falar sobre esse assunto. Esgotou! É sempre a mesma coisa, nós dois brigamos, ficamos de bem, brigamos de novo...

- Mas eu achei que as coisas tinham melhorado, achei que vocês tinham um acordo e que por esse filho que você está esperando a tentativa de uma relação calma seria de verdade.

Alicia ficou em silêncio enquanto acariciava Cherry que estava preguiçosamente acomodada ao seu lado.

- Aly, escuta. Você sabe que eu sempre dei a maior força pra que vocês dois se acertassem, pra que um dia você chegasse até ele e falasse tudo que sente. Deus sabe quantas vezes eu mesmo não quis fazer isso. Só que agora não pode mais ser assim. Ou vocês escutam o que tem pra dizer um pro outro e definem o rumo dessa loucura toda ou vão acabar em um tribunal decidindo quem vai ficar com a guarda do bebê.

- Alex! Não fala assim com ela.

- Tudo bem, Li... O AJ tem razão. Se as coisas continuarem assim é o que vai acontecer mesmo. De qualquer forma eu preciso conversar com o Nick. Minha mãe organizou um almoço no final de semana e quer que ele vá... Então amanhã ou depois vou telefonar.

Mas ela não ligou. E o resto da semana começou a passar muito depressa pra quem não queria que o próximo domingo chegasse.
Quando Alicia percebeu, já era sexta feira, ela não havia feito ligação alguma e Anne já havia confirmado o tal almoço, nada de mudança de planos.
Aquele foi o primeiro dia que Aly tinha conseguido sair relativamente cedo da redação. Estava exausta!
Sentia o sono atrasado se acumulando em suas pálpebras, mas ao mesmo tempo uma carga elétrica que não a deixava relaxar.
Existia um lugar naquela cidade que costumava evaporar todas suas preocupações, era um lugar que ele havia apresentado, mas não importava, era lá que ela gostava de ficar.
Naquele cantinho retirado na praia de Palos Verdes, Alicia deixou a brisa do mar bater em seu rosto e procurou esquecer do resto.
Só precisava de algum tempo ali e ela tinha certeza que as coisas ficariam mais fáceis, mais possíveis.

- Eu não sei se isso é uma grande coincidência ou se estamos tão conectados que eu passei a ler seus pensamentos.

Alicia se assustou com a voz dele ali, tão de repente. Ainda com os olhos fechados, sentiu o calor dele vindo em sua direção e sentando bem ao lado dela na areia.

- Será que eu to criando alucinações agora? Estou ouvindo a sua voz, Nick. Acho que isso não é bom... Quero dizer, ouvir vozes no geral não é bom. Talvez porque aqui tenha sido o lugar mais lindo que você já me trouxe. Isso me faz pensar em você.

Ela abriu os olhos e encontrou Nickolas bem ali, encarando ela com olhos que mais pareciam dois pedaçinhos do céu de tão azuis.
Alicia riu pensando naquele momento como um sonho.
Eles permaneceram em silêncio, os olhos fechados e quando Aly abriu os olhos novamente viu que a imensidão azul e o sol tímido de fevereiro haviam dado lugar a um céu vermelho.
Alicia sempre se surpreendia quando via o céu daquela maneira, era como dizer pro azul ‘hei, vai embora, nós queremos uma nova cor pra colorir o final do dia’, como uma mudança muito repentina em um céu que era sempre do mesmo jeito: azul ou cinza durante o dia, preto a noite, mas raramente vermelho.

- No que você ta pensando?

- Nick, olha como o céu fica vermelho ás vezes... Não é sempre, mas de vez em quando, no final do dia, parece que o sol se espalha por todo céu e fica avermelhado...

Nickolas riu da idéia dela. Olhar pro céu e perceber ele vermelho era o tipo de detalhe que Aly não deixaria passar.
Ela tinha visão pra minúcias que muitas pessoas nem reparavam, via as nuances do mundo.

- E acontece tão de repente! Eu associo isso às voltas que a nossa vida da, sabe... Um dia estamos aqui e no outro nem sabemos se vamos acordar. Um dia estamos sozinhos, perdidos e no outro descobrimos um filho que vai chegar e varrer toda solidão pra sempre – Alicia suspirou - Nick, eu já perdi as contas de quantas vezes falei isso no último mês, mas precisamos conversar.

- É, eu sei. Fui à Publit, mas você não estava, fui até o seu apartamento e nada também. Vim até aqui pensando em relaxar e imaginando onde você estaria... Acho que o destino está ao nosso favor.

- E isso seria realmente inédito. E quer saber o que é mais inédito ainda?

- Não faço idéia.

- Nós dois realmente nos acertarmos.

Nickolas sentou-se mais próximo dela respirando fundo e sentindo o perfume de ambos se misturar com o cheiro de mar. Tudo que ele mais queria era se acertar com ela, fazer as coisas darem realmente certo.

- Escuta Aly, eu preciso que você acredite em mim quando digo que quero fazer as coisas darem certo. Talvez eu ainda não tenha encontrado a forma certa de demonstrar isso, ou talvez eu ainda precise de mais um tempo pra assimilar essa idéia de família.

Enquanto falava, Nickolas esfregava as mãos e as encarava procurando pelas palavras certas, pelas palavras que a fariam dar algum crédito pra ele.

- Sei que magoei você muitas vezes, Aly, mas nunca foi minha intenção. Eu só fui deixando...

- Nick, eu não sou nenhuma colegial boba, eu sempre soube com quem eu estava me envolvendo. As coisas foram acontecendo, só isso. E agora nós temos algo muito maior pra nos dar toda preocupação do mundo. Acho que vamos esquecer um pouco ficar brigando o tempo inteiro.

Ele não conseguia entender bem o que estava lendo nos olhos dela, mas tinha certeza que não condizia com o sorriso tímido que ela tinha nos lábios.
Alicia sempre recuava, sempre deixava alguma coisa não dita no ar e aquilo estava matando ele, não pela incerteza do que seria dito, mas justamente pela palavra não dita. Nick a segurou pelo queixo e a olhou com toda intensidade que conseguiu. Ela tremeu com o toque firme e com a profundidade daquele olhar.

- Você acredita em mim, Alicia? Acredita que eu posso ser um bom pai e estar com você em todos os momentos que forem necessários?

Sentindo o coração acelerar como se fosse explodir dentro do peito, Aly perdeu a noção de todo resto do universo enquanto observava aquele rosto que ela tanto amava. Conhecia cada traço como o seu próprio e duvidava que um dia fosse esquecer. Mais do que isso, ela não queria esquecer jamais.

- Eu acredito, Nickolas. Eu sempre acreditei.

E ela foi surpreendida pelos lábios dele que a tocaram receosos, macios, como ela lembrava que eram. Alicia não resistiu e deu passagem pro beijo que ela tanto sentia falta, as mãos urgentes contra a nuca enquanto ele a segurava pela cintura.
A sensação de tê-la ali, nos braços dele o preenchia. Aquilo era o certo, os dois juntos e não Alicia com outro homem, fosse quem fosse.
Ela se afastou para recuperar o fôlego. Nickolas sorriu contra o pescoço dela, sentindo o perfume único daquela pele.

- Nickolas...

- Não fala nada agora, por favor. Só me deixa curtir esse momento.

Alicia não tinha forças pra lutar contra e não queria isso. Podia sentir que ele esperava por aquilo tanto quanto ela. Não existia um lugar mais reconfortante do que ali, entregando-se a ele.

- Ta ficando tarde, vamos pra casa? Você veio de carro?

- Não, eu peguei um táxi.

- Então vem, eu levo você de volta.

Alicia foi olhando a noite que caia enquanto Nickolas dirigia com um sorriso bobo nos lábios.

- Posso saber o motivo da cara de pastel, Carter?

Ele deu uma gargalhada.

- Encontrei o melhor jeito de ficar de bem com você.

- Muito engraçadinho. Quero ver se vai continuar com esse sorrisinho quando eu contar onde você vai ter que ir domingo.

Eles haviam chego ao prédio de Aly. Nickolas desligou o carro e recostou a cabeça no banco.

- Que lugar terrível é esse, Aly?

- Na casa dos meus pais.

- O que?

- Entenda-se com a Dona Anne!

- Não... Tudo bem, eu só estou surpreso. Realmente surpreso! Seus pais querem que eu vá a um almoço na casa deles?

- É. Eles querem que você faça parte das coisas da família também. Estão tão felizes que vão ganhar um neto.

- Eles querem que eu participe, eles estão felizes... E você Alicia, está feliz?

Ela sorriu e procurou pelos lábios sempre habilidosos dele. O beijo tinha uma promessa de muito mais, tinha um desejo que fosse eterno.

- Eu posso dizer que agora está sendo o momento mais feliz dos últimos meses, Nick.

- Acho que eu devo ficar muito feliz com isso.

- Preciso ir.

- Eu também acho que se eu pedir pra subir você vai dizer...

- Não!

Ele sorriu, os olhos brilhando de desejo. Ainda não havia saciado todas as vontades quando o assunto era ela e muito menos sanado todas as dúvidas.

- Eu sabia. Você continua sendo uma teimosa mandona, Aly.

- Tem coisas que não mudam nunca, Nick.

Enquanto ela descia do carro e sumia de sua visão, Nick concordou em silêncio com ela. Algumas coisas não mudavam nunca, e ele gostava disso. Ainda voltaria a ter Alicia só pra ele. Estava decidido a isso.
Alicia ficou um tempo curtindo aquela sensação de felicidade completa, a sensação de que as coisas estavam no lugar certo.
Com Nick seria sempre assim, o céu e o inferno em um único pacote e ninguém consegue alcançar o céu sem antes passar por algumas provações.
Quando ela foi procurar por seu telefone celular, havia duas mensagens recebidas.

 ‘Boa noite, Srta Jones. Ainda estou em LA e esperando revê-la. Podemos combinar alguma coisa pra amanhã? Beijos, Peter.’

 ‘Muito cruel da sua parte me mandar embora assim. Eu poderia ter obrigado você a me deixar passar a noite ai... e ainda posso! Lov, Nick’

Ela precisou pensar por um segundo antes de pegar o telefone e fazer a ligação que realmente precisava ser feita.

 

 



Red Sky - Capítulo 7
analusantos

Trilha sonora
‘Iris’ – Goo Goo Dolls
www.zshare.net/audio/77242242854056c9/

Alicia, AJ e Lilly estavam circulando a procura do aniversariante quando Lauren apareceu:

- Oi AJ! Que bom que vocês chegaram. O Nick já estava quase indo buscá-los.

Ela falava com Alex, mas encarava Alicia cheia de curiosidade. Afinal de contas, quem era aquela mulher que era capaz de fazer com que Nick Carter ficasse tão nervoso só por estar longe?

- O Carter é um exagerado. Isso é só porque eu to com as duas maiores gatas de LA. Deixa eu apresentá-las. Lauren, essa é a Lilly, minha noiva, e essa é a Alicia, minha melhor amiga e uma das pessoas mais próximas do Nick também.

- Muito prazer meninas.

- O prazer é todo nosso, Lauren.

Aly esticou a mão fazendo questão de cumprimentar Lauren. Ela era uma mulher muito bonita e diferente das que Nick costumava circular. Morena, alta e com olhos profundamente verdes.
Alicia sabia que sentiria o coração despencar assim que visse os dois juntos, talvez naquela noite mesmo, mas ali, enquanto apertava a mão de Lauren, decidiu que seria corajosa o suficiente e se portaria como adulta que era. Nada de fugir correndo da situação, essa era a realidade que ela precisava aceitar.

- Vamos continuar procurando pelo Nickolas?

- Ele deve estar perto do bar, lá fora.

- Obrigada Lauren.

Os três saíram e encontraram com Nick conversando com um grupo de amigos. Ele estava lindo, estonteantemente lindo. O sorriso sexy no rosto e os olhos de um azul tão profundo que Alicia pensou estar vendo um anjo bem ali, parado diante dela. Enquanto Nick recebia os parabéns de AJ e Lilly, Aly estava um pouco mais pra trás, observando. Ela estava incrivelmente calma de repente, toda tensão de um tempo atrás se desfez como poeira.

- Oi Aly, não vou ganhar um abraço?

 - Parabéns, Nick.

Eles deram um longo abraço e Alicia só queria ficar ali pra sempre, sentindo aquele perfume que era só dele.

- O seu presente vai chegar daqui a uns... Oito meses, tudo bem?

Ele sorriu e a olhou nos olhos.

- Um presente surpresa, mas tenho certeza que será um ótimo presente.

Logo Nick andava circulando entre os vários ‘amigos’ que estavam por lá. Alicia conhecia alguns de vista, outros de nome e muitas das mulheres das baladas que ela costumava ir com ele. Howie também estava lá com a esposa, mas Brian não. Não era o tipo de festa que Brian e Leigh costumavam ir.
Aly estava em um dos bares montados próximo a piscina enquanto esperava o barman preparar seu coquetel.

- Um coquetel de frutas sem álcool pra senhorita.

- Interessante. Alguém em uma festa pedindo bebida sem álcool...

Alicia encarou o desconhecido que falava com ela. Um homem elegante, moreno de olhos castanhos claros e um sotaque que com certeza era de alguém da Inglaterra.

- Pois é, às vezes é necessário.

- Desculpe meu comentário invasivo, nem ao menos me apresentei. Meu nome é Peter.

- Prazer Peter, eu sou Alicia.

- Bem que o Chris me disse que nas festas do Carter sempre apareciam as mulheres mais bonitas de Los Angeles.

Alicia não gostou do tom que ele usou. Ela achou extremamente sexy a olhada que ele jogou pra cima dela, mas sabia que tipo de [i]mulheres[/i] um dos amigos mais cafajestes de Nickolas poderia ter dito pra Peter que freqüentavam aquelas festas.

- Muito obrigada pelo elogio, Peter. Mas acho que Chris estava se referindo a outro tipo de mulheres bonitas que circulam por aqui.

No momento que terminou de falar, uma das convidadas, vestindo uma blusa com decote generoso e saia curtíssima, se aproximou do bar encarando Peter descaradamente.

- É, acho que devo mais um pedido de desculpas.

Aly não pode deixar de perceber que ele corou e se espantou com tal acontecimento. Quantos homens hoje em dia coravam por causa de um simples comentário como aquele?

- Tudo bem, não vou condená-lo pelo comentário. Só não se baseie nas informações que o Chris lhe deu para formar opiniões sobre mim.

Peter sorriu e percebeu pelo pequeno diálogo que realmente não estava lidando com nenhuma das ‘amigas’ que ele havia pensado que estariam por ali. Mas ficou intrigado em conhecer um pouco mais da bela morena.

- Devo me retratar com você e tentar demonstrar que não sou nenhum tipo de tarado. Vamos até a minha mesa?

Alicia não viu mal algum na compania de Peter, ele parecia ser um cara bem interessante. Além disso, não estava vendo Lilly ou AJ em lugar algum.

- Tudo bem, vamos.

Peter puxou a cadeira pra ela sentar, um perfeito gentleman. Ele estava com uma roupa elegante, mas não muito formal e o perfume era de um homem maduro, decidido.

- Então, você é amigo do Chris? Não conhecia você...

- Conheço o Chris há algum tempo já, mas dificilmente estou nos Estados Unidos para descansar, sempre venho a trabalho. Cheguei hoje de Londres e ele já me arrastou pra festa do famoso Nick Carter. Você é amiga dele?

- Uhum...

- Há muito tempo?

- Alguns anos. Por quê?

- Não, só curiosidade. Tive a impressão que ele estava procurando por você mais cedo e imaginei que vocês fossem bem próximos.

- Procurando por mim?

- Sim, ele perguntou pro Chris se ele já tinha visto você.

Alicia soltou um meio sorriso meio nervoso.

- O Carter é um exagerado, só isso. Mas sim, somos amigos bem próximos. Você faz o que em Londres?

- Sou advogado. Trabalho em um escritório de causas trabalhistas. E você faz o que em Los Angeles?

- Sou jornalista de uma revista de assuntos gerais.

- Jornalismo era uma carreira reserva caso eu não gostasse da advocacia.

- Carreira reserva?

- Sim, você não tinha uma segunda opção caso não gostasse do Jornalismo?

- Não consigo pensar em uma época em que eu tenha cogitado qualquer outra profissão. Meu pai também é jornalista, então cresci sonhando fazer o que ele fazia, eu queria mudar o mundo.

- Meu pai também é advogado. Acho que cresci com esse mesmo sentimento, mas mesmo assim, sempre fui muito precavido, gostava de me imaginar exercendo outras coisas.

- Bom, agora que você comentou, eu talvez tenha pensado em ser dentista.

- Está vendo? Todos têm uma segunda opção.

A conversa continuou fluindo, era muito fácil manter um diálogo com uma pessoa tão inteligente, envolvente. Ela não sabia ao certo há quanto tempo estava sentada ali conversando com ele, mas já havia sido o suficiente pra esquecer-se de continuar procurando por qualquer outra pessoa, exceto Nickolas.
Por vez ou outra se perguntava o que ele estaria fazendo e principalmente [i]com quem[/i] estaria. Peter percebendo um pouco de sua desatenção, não pode deixar questionar:

- Procurando alguém, Alicia?

- Oh, me desculpa Peter. Só estava pensando onde estariam os meus amigos.

- Se você quiser, nós podemos procurar por eles.

Mas antes que Aly pudesse ao menos responder qualquer coisa, ouviu uma voz que a fez sobressaltar.

- Então foi é aqui que você está escondida, Alicia?

- Eu não estou escondida, Nickolas.

- Escondida e acompanhada, obviamente.

Nick examinou a compania de Aly. Ele lembrava que Chris os havia apresentado quando chegou à festa, o amigo londrino que estava precisando de um pouco de diversão, segundo palavras do próprio Chris.
Estava procurando por Alicia a pelo menos meia hora e não conseguia imaginar o motivo dela não ter atendido as chamadas que fez pro seu celular.

- Não precisa culpá-la pelo sumiço, Carter. Acho que eu a distrai mais do que esperávamos.

Nick sentiu o rosto ficar vermelho de raiva. Distraiu ela? O que ele queria dizer com aquilo?

- Porque você não me atendeu, Alicia? Eu liguei três vezes pro seu celular. TRÊS.

Aly estava desorientada com a falta de educação do Nick. O que estava dando nele? Agradeceu mentalmente a Peter por ter escolhido um lugar mais reservado para sentarem-se, certamente teriam chamado a atenção da festa toda com aquela pequena cena.

- Nickolas, por favor. Eu não estou cometendo nenhum crime! Onde é o incêndio que você esta me ligando, procurando por mim nesse desespero, posso saber?

Nick baixou o tom de voz e pareceu recobrar um pouco do juízo. O fato é que nem ele sabia direito porque estava procurando por ela. Queria simplesmente [i]vê-la[/i]. Além do mais era aniversário dele, merecia toda atenção.

- Você não me respondeu ainda, Alicia.

- O que?!

- Porque não me atendeu?!

Aly rolou os olhos.

- Carter, eu não trouxe meu celular. Satisfeito?

Quando acabou de falar, Alicia estava a centímetros de distância dele, como sempre acabavam quando discutiam, era como se existisse um imã que os conectava deixando uma carga visível de tensão.

- Não quero atrapalhar mais sua conversa. Com licença.

Nick colocou todo sarcasmo que conseguiu naquelas palavras, deu uma última olhada para Peter e saiu, deixando Alicia quase a beira de lágrimas. Quase. Ela estava decidida a não chorar e não o faria. Não ali.

- Mil perdões, Peter. Eu nem sei o que dizer.

Peter se aproximou dela sem saber muito bem o que pensar ou fazer. Havia acabado de presenciar a briga de um casal, com toda certeza, Nick estava visivelmente com ciúmes.

- Não precisa se desculpar, Alicia. Senta aqui, vou buscar alguma coisa pra você tomar.

- Por favor, nada com álcool.

Peter mal havia dado as costas quando Lilly apareceu.

- AJ! O que aconteceu aqui?

- Lilly! Onde você estava? Me deixou sozinha!

- Sozinha? Não foi o que o Nick disse quando passou espumando de raiva por mim e Alex.

- Urgh! O Nickolas é um babaca. BABACA!

- Mas...

Lilly foi interrompida pela chegada de Peter e logo entendeu porque Nick estava daquele jeito.

- Não quis interromper a conversa. Alicia trouxe água pra você.

- Obrigada. Peter, essa é minha amiga Lilly. Lilly esse é o Peter, amigo do Chris que estava gentilmente me fazendo compania até... Enfim, você sabe.

- Prazer Lilly.

- O prazer é meu Peter.

E Lilly não pode deixar de pensar no duplo sentido da frase.

- Bem senhorita Jones, eu vejo que você esta em ótima compania, então vou procurar o meu noivo. Mas aconselho você a procurar o Carter depois. Da um desconto, é aniversário dele.

- Vai atrás do AJ, Li. Eu sei me cuidar.

Alicia esperava ter conseguido frisar bem as últimas palavras. Não queria mais ninguém ali dizendo pra ela o que deveria ou não fazer, como se fosse uma criança.
Precisou tomar o copo inteiro de água para começar a se sentir mais calma.

- Muito obrigada, Peter. Você foi um perfeito lorde inglês.

Peter sorriu pra ela que retribuiu o gesto.

- Não fiz mais do que minha obrigação. Preciso fazer jus a fama de lorde que os ingleses tem, não é mesmo?

Continuaram ali por mais um tempo, até que Aly decidiu ir falar com Nick, afinal de contas era o aniversário dele e ela não tinha o direito de estragar a festa.
Mas assim que avistou Nickolas com uma garrafa de Grey Goose nas mãos, abraçado em uma loira, Alicia se arrependeu de ter deixado a compania mais do que agradável de Peter.
Será que ela não aprenderia nunca? Já era mais do que conhecida a capacidade que o Nick tinha de esquecer as brigas deles. Ela só não entendeu porque não era Lauren quem estava ali, quase implorando pra trepar com ele na frente de todo mundo. Estava dando as costas e indo procurar por Peter ou Lilly, quando Nick a viu e foi até ela.

- Ah! A que devo a honra da sua presença na minha festa, Alicia?

- Nick, sem ironias, por favor. Será que podemos conversar?

- Vem.

Nick a conduziu até dentro de casa, onde não tinha ninguém e poderiam conversar sem que ninguém os interrompesse.

- Pronto, sou só ouvidos.

- Primeiramente, dois passos pra trás porque você esta fedendo a vodka e eu não to podendo nem sentir esse cheiro que me enjoa.

- Desculpa. Eu esqueço.

Alicia achou melhor usar aquela desculpa pra que pudesse manter uma distância aceitável para o coração dela não acelerar a níveis vergonhosamente audíveis por causa da simples presença dele ali.

- Nick, eu sinceramente não entendi aquela cena toda. Poxa, será que poderíamos manter a civilidade ao menos no dia do seu aniversário?

- E você ao menos lembra que é meu aniversário, Alicia Jones? Você chegou aqui e foi logo se esconder em algum canto com aquele engomadinho inglês! Achei que [i]eu[/i] merecia um pouco da sua atenção hoje.

Talvez fosse pela pouca luz que havia dentro da casa, mas Alicia enxergou nos olhos profundamente azuis de Nickolas uma pontada de ciúmes. Ela ponderou por um ou dois segundos e decidiu que deveria estar enganada. Era só Nick Carter sendo um tanto presunçoso, como sempre.

- Meu Deus! Nick será que você está ficando cada vez mais babaca conforme o tempo passa? É seu aniversário. Têm inúmeras pessoas lá fora, todas querendo gastar até a última gota da atenção possível com você. E posso apostar que a mulheres estão fazendo fila, literalmente, pra te dar toda atenção possível.

- Eu só achei que a mãe do meu filho gostaria de passar um pouco do tempo dela comigo hoje.

Ele conseguiu jogar pesado. Alicia sentiu o rosto queimando enquanto Nickolas a encarava cheio de mágoa nos olhos. Como é que ele sempre conseguia inverter o jogo? Era sujo, desleal e injusto, muito injusto com ela.

- Sem dramas, Nickolas. Eles não combinam com você. O fato é que nada justifica sua grosseria.

- E o engomadinho?

- Peter, Carter. Esse é o nome dele. E ele deve estar com Chris.

- Chris... Belo presente ele me arranjou.

Nick quase sussurrou aquelas palavras.

- O que você disse?

- Nada. Escuta Aly, eu não quero mais brigar com você, ok? Eu só fiquei... preocupado. Só isso. Sei que você não gosta de algumas pessoas que estão aqui e sei lá, quando perguntei pro AJ e pra Lilly onde você estava, eles também não faziam idéia! Achamos até que você tinha ido embora e eu não a perdoaria por isso. – Nick se aproximou dela – Eu não me importo que metade dessas pessoas sumam daqui, mas quero comemorar meu aniversário com você. Posso ter esse direito?

Aly deu mais um passo e o abraçou.

- Tem Nick. E não só porque é seu aniversário, mas porque você é o babaca presunçoso que eu mais gosto no mundo.

- Eu não estou mais fedendo a vodka, Alicia?

Aly olhou pra ele, erguendo uma das sobrancelhas e abertamente zombando da mudança sobre a opinião do cheiro dele.

- Vai pro inferno, Carter.

Ele deu uma gargalhada e a puxou pra um novo abraço.

- Com licença.

A voz de Peter trouxe Alicia de volta a terra. Ele estava parado na entrada da porta da sala, visivelmente divido entre adentrar a sala ou recuar de volta pra festa.
Alicia se soltou do abraço do Nick abruptamente e ele percebeu, pois a encarou completamente confuso, passando rapidamente a olhar enfurecidamente pra Peter.

- Desculpa a intromissão, é que a Lilly disse que você estava aqui e eu queria me despedir, Alicia. Não sabia que você estava acompanhada.

- Tudo bem Peter, eu e o Nick já conversamos.

- Não, nós não conversamos Alicia.

Nick sequer a olhava. Estava enxergando tudo vermelho na sua frente. Poderia muito bem acabar naquele momento com o jeitinho diplomático daquele tal de Peter. Talvez um belo soco no nariz acabasse com a pompa dele. É, ele tinha certeza que acabaria.

- Nick! Cara, finalmente encontrei você. Vem aqui, tem mais um presentinho pra você lá fora.

Alicia não sabia que presentinho era esse, mas estava agradecida que houvessem chamado Nick na rua. Ela podia pressentir que uma confusão se iniciaria se ele e Peter ficassem mais um minuto parados em um mesmo ambiente. Nick relutou mais saiu e Aly foi logo atrás, observando ele se afastar a contra gosto enquanto ela parava pra conversar com Peter.

- Você já vai?

- Sim. Amanhã quero fazer algumas coisas e preciso verdadeiramente dormir. A viagem foi cansativa. Mas não queria sair sem me despedir e pedir desculpas por qualquer mal entendido que eu tenha causado entre você e o aniversariante.

- Não precisa se desculpar, Peter. De verdade. Eu e o Nick vivemos em pé de guerra mesmo – Alicia sorriu pra ele e pousou uma das mãos na mão dele – E muito obrigada você por ter me aturado falando quase a noite inteira. Foi ótimo conhecer um legítimo lorde inglês.

Peter pegou a mão dela e deu um beijo delicado.

- Um lorde não partiria sem um gesto desses.

Ambos riram e Alicia imaginou que alguém vendo aquilo de longe poderia imaginar que eles estavam voltando no tempo algumas décadas atrás. Em nenhum outro tempo homens beijariam a mão de uma mulher em uma festa.

- Só um último pedido. Você me daria o seu telefone? Eu adoraria continuar nossa conversa outro dia. Ainda tenho um tempo de folga e gostaria de encontrar você novamente.

- Claro que sim, eu também vou adorar.



Já passava das quatro horas quando Aly conseguiu convencer o aniversariante que era um horário aceitável pra deixar a festa dele.

- Mas você sempre fica até o final, Aly.

- Nick, quatro horas já pode ser considerado um final, não é?

- Não pra uma festa minha.

- Vem cá.

Alicia não resistiu ao impulso de abraçá-lo mais uma vez aquela noite. Era a maior sensação de segurança que ela já havia experimentado na vida e isso era um tanto quanto bizarro, uma vez que ele era a pessoa que menos proporcionava qualquer sentido de segurança nos últimos anos.

- Fica aqui, Aly. Por favor.

- Eu tenho que ir. Amanhã vou almoçar com os meus pais.

- Sua mãe ainda me odeia muito?

- Eu já disse que ela não te odeia. Dona Anne é incapaz de odiar alguém. Ela só um pouco irredutível com as opiniões dela.

- Você tinha que ter puxado alguém, não é?

Alicia colocou a língua pra ele e juntando todas as forças, saiu dos braços dele.

- Ta, eu vou indo nessa. O AJ e a Lilly estão me esperando.

- A gente se fala amanhã.

Assim que entrou no carro, Lilly começou a bombardeá-la com milhares de perguntas sobre Peter.

- Lilly, quer parar. Eu estava conversando com o cara, só isso. Não tem conspiração alguma.

- Alicia Jones, como se eu não conhecesse você.

- Confessa, Aly, você queria provocar a ira do Nick.

AJ observou a reação da amiga pelo retrovisor.

- Ah não, Alex! Você não.

Alicia esperava encerrar o assunto com aquelas palavras. Ela não quis provocar a ira de ninguém e muito menos estava flertando com Peter como Lilly estava sugerindo.
Ele era um homem bonito, charmoso, inteligente e ela havia percebido tudo isso, lógico. Mas será que ninguém conseguia entender que ela amava Nickolas? Era uma droga, mas ela amava.

- Eu achei que você fosse ficar na casa do Carter hoje.

- Ele me convidou, mas vou almoçar com os meus pais amanhã, tenho que acordar cedo. Além disso, que acho que a Lauren não iria gostar muito da minha presença por lá.

Lilly virou o corpo pra trás e encarou a amiga.

- Você não viu a Lauren indo embora?

- O que?

- É, ela foi embora logo depois que você discutiu com o Nick e ele discutiu com ela. Eu ouvi ele dizendo alguma coisa como ‘não me enche o saco. eu procuro por quem eu quiser dentro da minha casa’.

Alicia estava ouvindo as palavras da amiga, mas não conseguia acreditar.

- Tem certeza Lilly?

- Claro que sim. Talvez você não tivesse a intenção de causar a ira instantânea do Nick, mas foi isso que aconteceu. Eu acho que nunca o vi daquele jeito.

Assim que entrou no apartamento, Aly decidiu que não iria mais pensar naquele assunto. Ela não precisava de mais idéias pra ficar martelando na cabeça.

 

~ # ~

 

- Mãe, eu já disse que não preciso comer por dois porque estou grávida.

- Precisa ao menos comer melhor, minha filha.

Alicia não sabia o que seria dela até o final da gravidez se a mãe continuasse com todos aqueles cuidados excessivos.

- Pai, me ajuda.

O pai sorriu pra ela.

- Filha, você sabe que a sua mãe não vai sossegar enquanto se você não comer esse prato todo e repetir. E nos diga, como estava a festa do Nick ontem?

- Estava ótima, pai. Festas do Nick são sempre festas do Nick.

- Hunf! E isso não deve ser sinônimo de ‘ótimo’ em nenhum dicionário.

- Mãe, quando é que você vai parar com essa implicância sem sentido? Ele é o pai do seu neto, sabia? Você vai ter que conviver com ele daqui pra frente.

- Anne, nós já conversamos sobre isso não é? Não se preocupe filha, ela vai ser mais tolerante com ele.

- Tudo bem, mas só porque eu vou ser a avó mais feliz do mundo. E até devo um pouco disso a ele.

Alicia passou um dia agradável com os pais. A gravidez dela estava unindo-os de uma maneira diferente e ela estava amando a experiência. Anne contava pra filha de todos os sintomas que teve durante a gravidez dela e passaram a reviver os melhores momentos de toda sua infância.
Aly queria muito que Nickolas estivesse junto, mas ainda não sabia se devia convidá-lo. Ele estava se dispondo a participar de todas as coisas que envolvessem o filho, mas ela ainda achava algumas coisas invasivas demais, afinal de contas eles não seriam uma família tradicional.
Ela e Nick não estavam casados e a pausa que ele estava dando com a banda era de no máximo seis meses, logo Nick Carter estaria de volta aos palcos e ela estaria com um bebê pra cuidar.
Alicia não queria, mas precisava pensar nisso, ela era assim, não conseguia simplesmente empurrar os sentimentos e dúvidas pra um cantinho no seu cérebro e deixar aquilo inquieto por muito tempo.
Era melhor sofrer com a certeza do que com a dúvida eterna. Mas como toda regra tinha sua exceção, ela a muito havia preferido sofrer com o silêncio de não revelar abertamente seus sentimentos pro homem que tanto amava do que encarar a certeza de que ele não a amava da mesma forma.

- Filha, nós podemos conversar?

Alicia foi despertada de seus devaneios pela mãe. Estava sentada na enorme varanda com vista pro lindo jardim dos Jones. Desde pequena via sua mãe cuidar pessoalmente que ele estivesse sempre impecável.

- Claro, mãe.

- Eu só quero que você saiba que não vou mais ficar implicando com o Nickolas. Ele é o pai desse bebê que nós já amamos tanto e de forma alguma quero que você pense que vou causar algum desconforto entre ele e a nossa família.

- Mãe, muito obrigada. – Alicia suspirou realmente aliviada. Sabia que Anne poderia levar aquela implicância adiante, se quisesse. – Eu entendo a sua preocupação, mas isso precisa acabar. Agora mesmo eu estava pensando em como seria bom se o Nick pudesse vir almoçar aqui um dia pra vocês conhecerem ele melhor.

- Você o ama muito, não é filha?

Alicia foi pega de surpresa com a pergunta. Sentiu o ar faltando nos pulmões e podia jurar que se não estivesse sentada teria desabado no chão. Não que ela achasse que escondesse muito bem seus sentimentos, só que havia tanto tempo que não falava sobre eles com a mãe.

- Porque isso agora, mãe?

- Porque eu não consigo ficar tranqüila com isso, sinceramente. Como vai ser daqui pra frente, Aly? Vocês têm um filho pra cuidar, não podem viver nessa corda bamba de emoções.

- Eu sei disso e também tenho pensado muito nisso. Mas nós não estamos mais juntos, mãe. Eu só procurei por ele por causa do nosso filho e a partir de agora vai ser assim. Nós temos um filho, mas não estamos juntos.

- E isso não me acalma em nada, porque esta mais do que óbvio que você o ama e que isso esta acabando com você. Ele é cego por algum acaso? Qualquer um é capaz de perceber isso.

Alicia sorriu pra mãe e repousou a cabeça no colo dela. Não tinha mais argumentos pra acalmar Anne e nem mesmo pra se acalmar. Estava apostando com as únicas cartas que tinha pra que as coisas ficassem do melhor jeito possível.
Ainda na casa dos pais, Aly recebeu uma ligação de Peter convidando ela pra jantar. Encontraram-se em um restaurante francês no início daquela noite de domingo.

- Então, achei que a nossa saída fosse para tomarmos um chá inglês.

- As cinco, pontualmente?

- Elementar, meu caro Peter.

- Você é incrível, Alicia. Eu preferi a culinária francesa, estava com saudades de Paris. E como foi o final da festa ontem?

- Foi ótima. Acho que continuou por mais um tempo depois que eu saí de lá... E já era quatro da manhã!

- Provavelmente. Liguei pro Chris um pouco antes de vir pra cá e ele ainda estava dormindo.

- As festas do Nick são sempre as festas do Nick.

Alicia riu de si mesma. Já era a segunda vez que usava a frase naquele dia.

- E o Nick é sempre o Nick?

- Definitivamente, sim. Nickolas é sempre ele mesmo, sempre imprevisível. Mas acho que não viemos pra cá pra falar dele, não é?

- Foi só um comentário. Não pude deixar de perceber que ele age de um modo bastante protetor em relação a você.

Aly corou e ficou sem saber o que dizer. Porque todos haviam resolvido questioná-la sobre Nickolas?

- Me desculpe à indiscrição, é só que eu fiquei realmente intrigado e espero não estar me intrometendo em nenhum relacionamento mais sério.

- E não está, Peter. Eu só não acho que esse seja o momento de falarmos sobre isso.

A conversa logo mudou pra assuntos mais leves e Alicia se via cada vez mais encantada com Peter. Será que ela estava realmente flertando com ele?
Até aquele encontro ela poderia afirmar com toda certeza que não, mas quando se despediram horas mais tarde com a promessa de uma nova saída em breve, ela já não tinha tanta certeza.
Assim que a porta do elevador abriu, Aly deu de cara com um Nick Carter totalmente de ressaca parado na porta do seu apartamento.

- Nick, o que você ta fazendo aqui? 

- Alicia! Achei que iria embora sem ver você. O sushi que eu peguei pra gente já estava quase esfriando.

- Oh!

- O que foi? Você já comeu?

- É, já...

- Aly? Porque você está vermelha? Não vou condená-la a forca. Posso pensar em outro castigo.

Nick olhou para ela com um olhar cheio de desejo. Ela estava ficando cada dia mais linda e vê-la flertando com outro homem na noite anterior o fez perceber o quanto queria ter ela novamente só pra ele.

- Vamos entrar, Nick. Você come o sushi, eu passo um café pra mim.

Enquanto ele comia o sushi e tagarelava sobre a festa, Alicia preparava um café pra tomar. Depois que descobriu que estava grávida, passou a consumir menos a bebida, mas ainda não havia conseguido se livrar do vício.

- E como foi o almoço na casa dos seus pais?

- Ótimo. Eles têm sido maravilhosos comigo, nem acredito que cheguei a pensar que eles não aceitariam o neto.

- E eu imagino que você tenha pensado isso porque eu sou o pai.

- Também. Mas não foi só por causa disso.

- Porque então?

- Mesmo que o pai fosse outra pessoa e eu não estivesse devidamente casada com ela, achei que eles não iriam gostar muito disso.

- Mas se o problema fosse esse, a gente casava.

Alicia riu tão alto que Nickolas também riu.

- Você não tem jeito, Carter.

- Nem você, Jones.

De repente, Aly se lembrou da vontade que sentiu mais cedo que ele participasse de um almoço na casa dos pais.

- Nick, você podia ir almoçar comigo e os meus pais um dia desses, uh? Nós sempre acabamos vendo fotos de quando eu era pequena e contando algumas histórias. Acho que vai ser legal pra gente... Quer dizer, pro bebê.

- Todo esse discurso é pra me convidar pra um almoço, Aly? Da próxima vez me manda um oficio, por favor. Acho que aquela conversa com o engomadinho não fez muito bem pra você.

- RÁ! Hilário, Nickolas. Realmente hilário.

- E sim, eu vou ficar muito feliz de almoçar com seus pais. Vai ser importante pra gente... Pro bebê.

Os olhos dele estavam vivamente azuis e sedutores. Alicia poderia passar o resto da vida encarando ele e duvidava que fosse capaz de entender metade do que eles queriam realmente dizer.

- Eu... eu vou no meu quarto. Só um minuto.

Ela saiu e deixou Nickolas parado a dois passos de dar um beijo nela. Alicia estava cada vez mais escorregadia. O telefone dela tocou e Nick não resistiu ao impulso de ler a mensagem recebida quando viu o nome de Peter no visor.

'Adorei a janta. Espero poder revê-la logo e dessa vez pra um legítimo chá inglês. Beijos, Sir Peter’

- Nick, olha só o que eu achei nas minhas coisas.

- Eai, Alicia, o jantar de hoje mais cedo estava bom?

Aly congelou. A foto do Nick bebê que ela tinha encontrado dentro da caixa de cartas que nunca foram entregues escorregou entre os seus dedos e o coração dela com certeza havia parado de bater.
Nickolas também estava congelado, a raiva o consumia por completo.

 



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